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Xurras do Prego - a churrasqueira de cupinzeiro.

27/09/2021 - Por antonio augusto ribeiro de magalhães filho
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Doutores, Colegas, Bixada, #PerseguidoresFiéis, no início dos anos 2000 participei de uma cavalgada na Serra da Canastra com minha família e um grande grupo de amigos e as suas famílias. Foi uma aventura muito gostosa: a convivência, os passeios, as histórias e, especialmente, a experiência gastronômica. À época as pousadas de lá eram muito simples, mas caprichavam na oferta de comidas mineiras e, também, no churrasco.

Além do festival para glutões algo me chamou atenção: havia uma churrasqueira feita de um cupinzeiro, sim, a partir de uma casa de cupins de montículo, aquelas estruturas que preenchem áreas degradadas de pastagens, especialmente no cerrado.

Fiquei curioso e lá fui especular. O dono da pousada, muito solicito – esta era uma das características das operações de lá àquela época, onde a simplicidade era totalmente compensada pela simpatia, serventia e qualidade da comida – prontamente se dispôs a me explicar o processo de construção, o funcionamento e a prática, fez um churrasco para mostrar do que falava.

A churrasqueira, aquela “engenhoca” simples, era um ovo de colombo. O cupinzeiro, ou o montículo que encontramos nos campos, tem característica refratária, ou seja, não permite que o calor passe por suas paredes. Isto, além de trazer conforto ao churrasqueiro (não esquenta quem faz o churrasco), proporciona facilidade em atingir temperaturas com pouco combustível (carvão ou lenha). O resultado do churrasco era muito bom e regado à fome de quem se aventurava o dia todo pelos campos, proporcionava grande satisfação ao paladar.

Não tive dúvida e, ao retornar a Guaxupé, contei a experiência ao meu irmão. Decidimos por experimentar construir uma. Fizemos uma primeira no rancho e aperfeiçoamos com uma segunda na sede (mais alta, para não obrigar o churrasqueiro a ficar com dor nas costas). A segunda ficou bem melhor que a primeira. Isto confirma a máxima que sucesso é muito mais transpiração (treino) que inspiração. Tempos depois o programa Globo Rural fez uma reportagem na região da Canastra sobre os mutirões e as festas de quando se matam porcos. Mostraram o uso destas estruturas para fazer fornos (fogões).

Há alguns segredos ao se fazer: para arrancar basta puxar pela base, com um trator, por exemplo, mas no transporte do montículo, na retirada do miolo, no processo de corte e seu assentamento no local de uso tem que se tomar muito cuidado. Qualquer batida e ele se parte. Daí... tudo volta ao início. Nosso sucesso foi da ordem de uma a cada três tentativas.

As nossas foram muito usadas e compartilhadas. Para quem tiver chance de “construir” uma, recomendo. Uma destas com grelha argentina proporciona churrascos incríveis. Não esqueça de nos visitar no Instagram: #ChurrasDoGuto #PerseguidoresFiéis #XurrasdoPrego.

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