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Você conhece seus sabotadores internos? (Iskrépi; F-11)

28/06/2021 - Por luciana okazaki
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Você já ouviu falar em Inteligência Positiva? Não, não tem nada a ver com ‘good vibes’, #gratidão ou 'só pensar em coisas boas'. A Inteligência Positiva é uma forma de fazer com que a sua mente trabalhe a seu favor, como seu melhor amigo, ao invés de agir da forma contrária, te prejudicando e te sabotando.

 

Imagine que você tenha uma apresentação para fazer daqui a 5 dias. Sua mente inicialmente diz para você “Luciana, você precisa preparar uma apresentação, anotar os pontos importantes a serem ditos e revisar algumas praticidades como o computador disponível, a plataforma que fará o streaming e ver se todas as pessoas receberam o convite”. Isso é a minha mente trabalhando a meu favor.

 

Dois dias antes da apresentação, eu não consigo dormir direito. Acordo de madrugada e repasso o texto na minha mente umas 300 vezes antes de pegar no sono de novo. Fico ansiosa revisitando os slides que vou apresentar e uma voz lá na minha cabeça diz: “Luciana, isso está um lixo, melhor fazer de novo”. Esses são os meus sabotadores invadindo a minha mente.

 

Os sabotadores são inimigos internos. Eles são um conjunto de padrões mentais automáticos e habituais, cada um com sua própria voz, crença e suposições que trabalham contra o que é melhor para você. O autor do livro Inteligência Positiva, Shirzad Chamine, elencou dez tipos de sabotadores: o Crítico, o Controlador, a Vítima, o Insistente, o Prestativo, o Esquivo, o Inquieto, o Hiper-Racional, o Hiper-Realizador e o Hipervigilante.

 

Vou fazer um (brevíssimo) resumo de cada um deles:

 

O Insistente – Perfeccionismo. Necessidade de autocontrole e autocontenção. Altamente sensível a críticas. “Eu sei o jeito certo, odeio erros”. Frustração constante e decepção consigo mesmo e com os outros por não alcançar os altos padrões. “Depende de mim consertar as confusões que eu encontrar”. Rigidez e sem flexibilidade ao lidar com a mudança e os estilos diferentes dos outros. (O Insistente oferece uma maneira de silenciar a voz constante da autocrítica e do medo da crítica dos outros ao tentar ser perfeito).

 

O Prestativo - Consegue aceitação/afeição por meio de ajuda, agrado, resgate ou elogio a outros. Perde as próprias necessidades de vista e se torna ressentido como resultado. Necessidade de ser amado Para ser uma boa pessoa, devo colocar as necessidades dos outros à frente das minhas”. Coloca em risco as próprias necessidades, sejam emocionais, físicas ou financeiras (O Prestativo tenta ganhar a atenção e aceitação ao ajudar os outros, precisa conquistar esses sentimentos).

 

O Hiper-realizador - Dependente de desempenho e realizações para autovalidação. Altamente concentrado em sucesso externo, o que leva a tendências workaholic . Competitivo, imagem e status. “Preciso ser o melhor no que faço, sou valioso enquanto for bem-sucedido e os outros pensarem bem de mim”. Para ele o objetivo da vida é alcançar realizações e produzir resultados. (Para o Hiper-Realizador, a autovalidação, a autoaceitação e o amor próprio estão condicionados ao desempenho contínuo).

 

A Vítima - Tendência a ser mártir. Sufoca a raiva, o que resulta em depressão, apatia e fadiga constantes. “Ninguém me entende, pobre de mim”. Tende a remoer sentimentos negativos, se sente sozinho e solitário. (A vítima desperdiça energia no foco em processos internos e ressentimentos. Alcança o efeito oposto ao afastar as pessoas por seu comportamento).

 

O Hiper-racional - Processamento racional de tudo, incluindo relacionamentos. Pode ser percebido como frio, distante e intelectualmente arrogante. “A mente racional é onde ele está. Os sentimentos atrapalham e são irrelevantes”. Se sente diferente, sozinho e incompreendido. (O hiper-racional usa a fuga para a mente racional limpa e organizada e isso gera uma sensação de segurança ou uma  sensação de superioridade intelectual).

 

O Hipervigilante - Ansiedade contínua e intensa. Dúvidas crônicas sobre si mesmo. “Quando a próxima coisa ruim vai acontecer?” Altamente vigilante. É uma maneira difícil de viver: a ansiedade constante queima uma grande quantidade de energia vital. Os outros começam a evitar o hipervigilante porque a intensidade da energia nervosa os esgota. (O hipervigilante costuma vir de experiências no começo da vida em que a fonte de segurança (a figura paterna ou materna) era imprevisível e não era confiável.

 

O Inquieto - Busca de maior excitação na próxima atividade ou se ocupando constantemente. Raramente fica em paz ou satisfeito com a atividade do momento. Permanece sempre ocupado, executando muitas tarefas e planos diferentes. Foge de sentimentos desagradáveis muito rapidamente. “A próxima coisa que vou fazer tem que ser mais interessante”. (Por baixo da superfície de diversão e animação do Inquieto há uma fuga baseada na ansiedade de estar presente e vivenciando cada momento intensamente, o que pode incluir lidar com coisas desagradáveis).

 

O Controlador – Necessidade de assumir a responsabilidade e controlar situações, forçando as ações das pessoas à sua própria vontade. Conecta-se com outros por meio de competição, desafio, atos físicos ou conflitos, ao invés de emoções mais delicadas. A comunicação direta é interpretada pelos outros como raiva ou crítica. “Estou no controle ou fora de controle. Ninguém me diz o que fazer”. Ansioso quando as coisas não transcorrem como ele quer. (Por baixo da bravata do Controlador costuma haver um medo escondido de ser controlado por outros ou pela vida).

 

O Esquivo - Foco no positivo e no agradável de uma forma extrema. Fuga de tarefas e conflitos difíceis e desagradáveis. Evita conflitos e diz sim para coisas que não deseja realmente. Talvez, se eu deixar de lado, o problema se resolva sozinho. Se eu entrar em conflito com outros, posso perder minha ligação com eles”. O que é evitado não desaparece e acaba infeccionando. Os relacionamentos são mantidos em um nível superficial por meio da fuga de conflitos.

 

O Crítico - acha defeitos em si mesmo, nos outros e nas circunstâncias. Em si mesmo: se atormenta por erros passados e falhas atuais. Nos outros: se concentra no que está errado nos outros, em vez de apreciar as coisas boas. Faz comparações do que é superior e inferior. “O que há de errado comigo? O que há de errado com você? O que há de errado com minha circunstância ou com esse resultado?”. Culpa, arrependimento e decepção vêm do Crítico. Muito da raiva e da ansiedade é instigado pelo Crítico.

 

Este último sabotador, o Crítico, todos nós temos. Ele é o sabotador mestre e causa de boa parte de nossa ansiedade, aflição e sofrimento. Quando o Crítico é ativado, ele ativa também outros sabotadores que agem como cúmplices deste primeiro.

 

Mas e aí, qual o oposto da mente sabotadora? O ator que entra em cena quando a mente está a seu favor é o Sábio. É aquilo que eu chamo de “Eu Superior ou Verdadeiro”, “Inspiração”, “Consciência”, “Divindade”, ou qualquer nome que você queira dar. É o nosso real Saber. Todos nós temos sabotadores internos e um Saber infinito.

 

E como lidar com estes sabotadores? Saber que eles existem é um primeiro passo. Identificá-los também ajuda muito nesse processo. Imagine que você está num tiroteio e você não vê de onde estão vindo as balas perdidas. Você tem uma arma nas mãos, mas não sabe para onde atirar.  Quando o inimigo se mostra é muito mais fácil para você mirar e acertá-lo. Com os sabotadores também é assim: saber quais aparecem predominantemente na sua cena mental, te ajuda a diminuí-los.

 

Por isso, o autoconhecimento é tão importante. Se olhar, se perceber e analisar te ajuda nos embates do dia-a-dia. Eu percebi que o meu Crítico sempre vinha acompanhado da Vítima e por vezes, do Controlador. Depois que eu assumi o papel da Autorresponsabilidade, a Vítima nunca mais entrou em cena. O Controlador? Ah...esse eu ainda o vejo zanzando vez ou outra por aqui, mas ele já ficou beeem menorzinho.

 

E no seu caso, quais são os sabotadores da sua vida?

 

Luciana Okazaki (Iskrépi; F-11) ex-moradora da República Cupido, é engenheira agrônoma vivendo seu propósito como Terapeuta Integrativa

 

Quer descobrir mais sobre a minha Jornada de Autoconhecimento? Veja outros insights sobre meu ano sabático, transição de carreira e como viver uma vida mais leve no meu Instagram @luciana.okazaki

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