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Uma Nova Esalq (Burdog; F90)

29/06/2018 - Por fernando campos mendonça
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UMA NOVA ESALQ

Fernando Campos Mendonça (Burdog F1990)

Ser esalqueano é algo realmente especial. Temos a possibilidade de interagir com egressos de diversos anos, promover encontros em diversos estados do Brasil, por meio das Associações de Esalqueanos e participar de diversos promovidos na nossa Escola e pela ADEALQ, tais como eventos técnico-científicos, debates e as comemorações de outubro e o churrasco de confraternização.

Um episódio recente mostrou a força da nossa comunidade, a mudança da identidade visual da ESALQ. As reações foram bem diversas, algumas favoráveis, a maioria em respeitosa oposição e algumas em atitude desrespeitosa.

Quem pode comandar a paixão que sentimos pela ESALQ? Somos todos, em diferentes graus, apaixonados por ela e pelo que representa em nossas vidas. E muitas vezes, reações passionais têm efeitos colaterais adversos. E depois de discussões ásperas é necessário exercitar o perdão.

Recentemente, fui protagonista de uma discussão áspera com outro esalqueano, atitude passional de oposição, da qual não resultaram bons frutos. Portanto, posso dizer por experiência própria que, além de não resolver o problema que causou a discussão, foi criado outro problema.

Sentei comigo mesmo em meditação e resolvi a questão do meu lado, perdoando a (suposta por mim) falha de meu colega. Embora ele não precise do meu perdão, pois não me procurou para conversarmos depois da discussão, eu precisava perdoá-lo para seguir em frente, viver plenamente. O exercício do perdão é libertador, recomendo a todos que tenham mágoas ou rancores “de estimação”.

De minha parte, posso afirmar que foi uma respeitosa oposição à mudança. Não por considera-la desnecessária, mas pela inadequação do momento. A ESALQ tem que passar por mudanças frequentemente, atualizar-se e modernizar-se. Entretanto, poderíamos ter escolhido um foco mais adequado.

Há vários problemas a serem enfrentados, mais urgentes que a mudança da identidade visual. Precisamos de uma nova ESALQ, a ser mudada com coragem e bravura características da comunidade esalqueana.

A grade curricular precisa ser mudada. Me formei (F1990) cumprindo 267 créditos (4005 horas-aula; 1 crédito = 15 horas-aula); atualmente, são 280 (4200 horas-aula; 195 horas-aula a mais), o que reduz o tempo para outras possíveis atividades acadêmicas. Por exemplo, a participação em grupos de extensão não é considerada nesses créditos, embora seja uma importante fonte de aprendizado para os alunos.

Por outro lado o MEC exige que os cursos de Engenharia Agronômica tenham um mínimo de 3600 horas-aula (http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/2007/rces002_07.pdf), o que nos dá uma diferença de 600 horas-aula adicionais. Embora seja vantajoso ter algumas atribuições a mais no CREA, nem todos os alunos desejam tê-las, portanto, a grade curricular pode sofrer mudanças no futuro.

É importante que a ESALQ reveja essa grade, e a dos outros seis cursos de graduação atualmente ministrados (Engenharia Florestal, Ciências Biológicas, Ciências dos Alimentos, Economia, Administração e Gestão Ambiental).

Outra situação importantíssima é a possibilidade de aposentadoria de cerca de um terço dos professores da Escola em futuro próximo. Com (improvável) ou sem (provável) perspectiva de reposição dessas vagas, a ESALQ tem que se adequar ao futuro próximo, mudando sua forma de atuação.

Novas tecnologias são criadas e chegam à sociedade brasileira a cada dia, inclusive no âmbito educacional. O AgTech Valley é uma excelente iniciativa, e necessitamos também de uma iniciativa semelhante na área educacional da Escola. Talvez um EdTech Valley voltado às áreas em que atuamos e em novas áreas de atuação.

Embora tenhamos sempre um sentimento passional e nostálgico diante das mudanças, é necessário cultivar o amor à ESALQ. E amor implica em renúncia ao nosso ego, abrir mão de algumas vontades próprias para conseguirmos crescer e melhorar. Fazemos isso por nossos filhos, por que não fazê-lo por nossa Mãe?

Fernando Campos Mendonça (Burdog; F90) é Eng. Agrônomo, professor da ESALQ, ex-jogador de rugby e ex-morador da República Jacarepaguá

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