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Uma janela para o futuro - Agro e educação (Alma; F97)

20/08/2021 - Por fernando de mesquita sampaio
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Imagine você, anos atrás, nos bancos escolares, pensando em de que servirá tudo aquilo que está na lousa da sala.

E alguém aparece, te abre uma janela e te faz ver o futuro.

Tive esta semana a oportunidade de visitar a fazenda de um dos melhores produtores de algodão de Mato Grosso, assim como parte das operações de um dos grandes grupos do agronegócio do estado. É uma visita normalmente oferecida a educadores e alunos no Estado, com o propósito de fazê-los conhecer melhor como funciona o setor.

Poder-se-ia argumentar que a realidade de um grupo empresarial como este não corresponde a média do que é o produtor rural em Mato Grosso e no Brasil. De fato, é uma operação gigantesca, que inclui grãos, fibras, biomassa, gado, armazenagem, logística e por aí vai.  

Mas seja em um grande grupo, ou numa fazenda de ponta, isso não diminui o valor pedagógico da experiência, muito pelo contrário. Vejo múltiplas dimensões a serem exploradas na abertura desta janela.

A primeira delas é sobre o imenso leque de oportunidades profissionais que o agronegócio representa. Estamos falando de oportunidades que vão desde o pesquisador em genética que desenvolve novas variedades de sementes, do agrônomo que cuida da produção, do engenheiro que projeta tratores e máquinas, ou cada silo, cada peça, cada processo de um complexo agroindustrial, do biólogo que desenvolve bioinsumos (a próxima grande revolução na agricultura brasileira), o engenheiro florestal que cuida da biomassa ou da restauração de florestas, do controle de qualidade, da logística, dos softwares desenvolvidos para cada área de trabalho, dos mecatrônicos da automação que nos farão entrar na era de veículos autônomos, drones e robôs, dos climatologistas que estudam metadados na agricultura. Em cada canto que se olha se desdobra em infinitas áreas de conhecimento. Fora o que vem depois: comércio exterior, indústrias, varejo, marketing. Imagine você como estudante ver escancarado na sua frente a miríade de carreiras e ofícios que um país inteiro irá demandar cada vez mais nos anos que virão.

A segunda dimensão é a humana. A história da família que construiu o Grupo Bom Futuro, ou a história dos Schenkel, é a de muitos outros migrantes do sul que ocuparam o Centro Oeste brasileiro nas últimas décadas. Essa história fala do agronegócio como um formidável mecanismo de mobilidade social e de criação de riqueza. E observo fatores comuns nas histórias de sucesso no setor. Tem a ver com trabalho duro, perseverança, coragem, apreço pela inovação, gestão e principalmente a valorização das pessoas. Alguém que pretenda um dia estar no mercado de trabalho deveria entender também as qualidades das quais podem depender uma carreira bem-sucedida.

A terceira dimensão eu chamaria de histórico-geográfica. A ocupação do espaço territorial brasileiro não é obra do acaso, é fruto de políticas públicas que em diferentes momentos fomentaram essa ocupação. Essa política, aliado à muita pesquisa e empreendedorismo transformou o Brasil em um dos únicos países tropicais a ter uma agricultura competitiva e exportadora, obviamente às custas da ocupação de espaços naturais. Mas é um processo que não foi diferente do que houve em outros lugares do mundo. A diferença é que por ser recente, temos ainda a imensa oportunidade de ordenar o uso da terra conciliando produção e conservação.

Alunos hoje na escola estarão no mercado de trabalho daqui a alguns anos. E entender o que é de verdade o setor com o maior potencial da economia brasileira pode ser transformador em suas vidas. Obviamente isso não é possível, se a visão que lhes é oferecida do agro é apenas parcial.

O setor do agronegócio é dos poucos onde o Brasil efetivamente tornou-se um líder global. É um motor de desenvolvimento e geração de emprego e renda. Inverteu o fluxo migratório de grandes cidades para o interior do Brasil. A agricultura de baixo carbono e o código florestal são instrumentos que podem fazer do país também um líder em uma nova economia baseada em biomassa, biodiversidade e biotecnologia. Desenvolvimento econômico e social de baixo carbono, emprego, renda e segurança alimentar.

É óbvio que o país convive ainda com desigualdades brutais, com desafios ambientais imensos, e com uma situação social complexa agravada muitas vezes pela ausência do Estado nas regiões de fronteira, ou simplesmente pela sua cooptação por interesses escusos. Ninguém nega os problemas que a realidade traz e o brasileiro enfrenta todos os dias. Em vez de ser enxergado como um agravante desses problemas, o Agro é em grande parte o maior aliado que o país tem hoje para ajudar a resolvê-los. É essencial que esta mensagem chegue nas escolas. São os estudantes hoje que estarão na linha de frente amanhã resolvendo desafios a garantindo cada vez mais a eficiencia e a sustentabilidade no campo.

 

Agradeço ao Instituto Farmun, pela acolhida calorosa, pela elegância, graça e visível apreço ao que fazem.

Agradeço às Agroligadas, ligando campo e cidade de alma e coração.

Ao De Olho No Material Escolar, pela heroica empreitada de abrir corações e mentes.

 

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