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Um no­tá­vel ani­ver­sá­rio (Fifi e Gigante Amaral; F65)

14/06/2020 - Por roberto rodrigues
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Texto originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo, Brasil 14 de jun de 2020 B6 .

RO­BER­TO RO­DRI­GUES ESCREVE NO SE­GUN­DO DO­MIN­GO DO MÊS

De­ba­te so­bre Có­di­go Flo­res­tal bra­si­lei­ro , que com­ple­ta 8 anos, foi im­por­tan­te ao País


Há 20 di­as, em 25 de maio, fez 8 anos o No­vo Có­di­go Flo­res­tal bra­si­lei­ro. Mas sua ges­ta­ção du­rou mui­to mais do que is­so, cer­ca de dé­ca­das, a par­tir de um pro­je­to dos idos dos anos 80 do sé­cu­lo pas­sa­do.


Fru­to de uma dis­cus­são com­pli­ca­dís­si­ma, veio subs­ti­tuir seu "ir­mão" mais ve­lho, a lei nú­me­ro 4.771, de 15 de de­zem­bro de 1965, mas man­ten­do o mes­mo DNA que o ca­rac­te­ri­za­va, co­mo as re­gras de pre­ser­va­ção e con­ser­va­ção am­bi­en­tal, com lu­ci­dez e res­pei­to por um pro­ces­so de re­gu­la­ri­za­ção am­bi­en­tal da ocu­pa­ção ter­ri­to­ri­al bra­si­lei­ra, tão dis­tan­te dos nos­sos di­as quan­to di­fí­cil, co­ra­jo­sa e cheia de di­fe­ren­ças.


Não foi por fal­ta de em­pe­nho da "par­tei­ra" de­mo­cra­cia, mais do que com­pro­me­ti­da com o nas­ci­men­to da "me­ni­na", mas ra­di­ca­lis­mos de to­do ti­po atra­sa­ram es­se par­to me­mo­rá­vel. De fa­to, o de­ba­te em tor­no do te­ma foi lon­go e com­ple­xo, en­vol­ven­do téc­ni­cos com­pe­ten­tes, en­ti­da­des de clas­se e or­ga­ni­za­ções não go­ver­na­men­tais e na­tu­ral­men­te re­pre­sen­tan­tes dos po­de­res cons­ti­tuí­dos, em dis­cus­sões que va­ri­a­ram en­tre o mais al­to ní­vel in­te­lec­tu­al até em­ba­tes me­nos no­bres ali­men­ta­dos por in­te­res­ses e por ide­o­lo­gi­as con­fli­ta­das de to­dos os la­dos.


Mes­mo as­sim, foi um pro­ces­so que te­ve sua be­le­za ra­ra, exa­ta­men­te por cau­sa des­sas di­fe­ren­ças. Em fun­ção de­las, os par­la­men­ta­res pu­de­ram co­nhe­cer bem o vas­to ter­ri­tó­rio na­ci­o­nal, cons­ti­tuí­do por bi­o­mas e re­a­li­da­des agro­pe­cuá­ri­as tão dis­tin­tos e tão am­plos, com ca­rac­te­rís­ti­cas de­fi­ni­do­ras de su­as fun­ções e limitações. Em mais de uma cen­te­na de au­di­ên­ci­as pú­bli­cas realizadas em to­das as re­giões, e nas co­mis­sões es­pe­ci­ais do Con­gres­so, o te­ma foi dis­se­ca­do a fun­do. Em bus­ca da so­lu­ção me­lhor pa­ra o País, a mais jus­ta e equi­ta­ti­va, o de­ba­te foi con­du­zi­do com o má­xi­mo res­pei­to à nos­sa Cons­ti­tui­ção pe­lo en­tão de­pu­ta­do Al­do Re­be­lo, um pa­tri­o­ta con­vic­to.


O re­sul­ta­do não agra­dou nem aos am­bi­en­ta­lis­tas e nem aos pro­du­to­res. A bus­ca pe­la Jus­ti­ça é as­sim mes­mo. Por mais que se­ja ane­la­da, sem­pre fi­ca a ques­tão sub­je­ti­va, e al­guns acha­rão que é in­jus­ta a so­lu­ção alcançada, em am­bos os la­dos. Mais ou me­nos co­mo a De­mo­cra­cia, tan­tas ve­zes con­tes­ta­da por qu­em per­de uma li­ça elei­to­ral: só é boa pa­ra qu­em ven­ceu e em seu no­me mui­tas ve­zes se pra­ti­cam ações que são sua ne­ga­ção. O gran­de Chur­chill ti­nha uma de su­as cé­le­bres "ti­ra­das" a es­se res­pei­to.


Mas a lei aí es­tá, ri­go­ro­sa e oni­pre­sen­te, e o fa­to de ne­nhum dos la­dos ter fi­ca­do in­tei­ra­men­te sa­tis­fei­to com o re­sul­ta­do é a me­lhor pro­va de seu equi­lí­brio: nin­guém foi pri­vi­le­gi­a­do ou pre­te­ri­do.


Após sua san­ção pe­lo Exe­cu­ti­vo, os Mi­nis­té­ri­os do Meio Am­bi­en­te e da Agri­cul­tu­ra cui­da­ram de sua re­gu­la­men­ta­ção, com a im­ple­men­ta­ção do Ca­das­tro Am­bi­en­tal Ru­ral, ins­tru­men­to da me­lhor qua­li­da­de que mos­trou com o tem­po que o pro­du­tor ru­ral é ele­men­to cha­ve pa­ra a pre­ser­va­ção do meio am­bi­en­te. Cla­ro: se não o fi­zer aca­ba­rá per­den­do seu pa­trimô­nio.


Após al­gu­mas es­ca­ra­mu­ças pos­te­ri­o­res, o Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral jul­gou cons­ti­tu­ci­o­nal o Có­di­go Flo­res­tal de 2012, re­a­fir­man­do que fo­ra cons­truí­do em res­pei­to à li­vre ini­ci­a­ti­va, ao de­sen­vol­vi­men­to na­ci­o­nal, em bus­ca da er­ra­di­ca­ção da po­bre­za e da mar­gi­na­li­za­ção, en­ga­ja­da na re­du­ção das de­si­gual­da­des so­ci­ais e regionais, na pro­te­ção da pro­pri­e­da­de pri­va­da, do ple­no e dig­no em­pre­go e, so­bre­tu­do, estabelecendo a in­dis­pen­sá­vel se­gu­ran­ça ju­rí­di­ca que de­ter­mi­na a ne­ces­si­da­de do cum­pri­men­to da lei, in­de­pen­den­te de in­te­res­ses, cren­ças ou ide­o­lo­gi­as.


Ago­ra, 8 anos de­pois da sua his­tó­ri­ca pro­mul­ga­ção, é im­pe­ri­o­so im­ple­men­tar, em ca­da Uni­da­de da Fe­de­ra­ção, um de seus pre­cei­tos fun­da­men­tais, o Pro­gra­ma de Re­gu­la­ri­za­ção Am­bi­en­tal - PRA, que es­ta­be­le­ce­rá as nor­mas pe­las quais os pro­du­to­res e pro­pri­e­tá­ri­os ru­rais cum­pri­rão seus de­ve­res le­gais com res­pei­to à pró­pria de­mo­cra­cia, mãe so­fri­da do nos­so exem­plar Có­di­go Flo­res­tal.


Es­sa é a ex­pec­ta­ti­va dos agro­pe­cu­a­ris­tas pau­lis­tas. Há anos es­pe­ram a ins­ti­tui­ção do PRA do Es­ta­do, que se­ja au­da­ci­o­so e co­ra­jo­so, e que es­ti­mu­le nos­so agro­ne­gó­cio, es­ta ex­tra­or­di­ná­ria má­qui­na tro­pi­cal que a pan­de­mia mos­trou, mais uma vez, ser ca­paz de alimentar com res­pon­sa­bi­li­da­de, qua­li­da­de e sus­ten­ta­bi­li­da­de, a mi­lhões de con­su­mi­do­res ávi­dos de ali­men­tos, ener­gia e fi­bras em to­do o pla­ne­ta.


Roberto Rodrigues (Fifi e Gigante Amaral; F65) Eng Agr, Sócio Mantenedor e Membro Honorário do Conselho Consultivo da Adealq é também Ex- Ministro da Agricultura e Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV.

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