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Trem para Rio Preto (Drepo F70)

19/05/2016 - Por eduardo pires castanho filho
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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No final do Governo Montoro, a área ambiental, que estava em boa parte na Secretaria da Agricultura, implantava unidades de órgãos ligados ao meio ambiente por todo interior do estado. Na maioria das vezes eram casas de madeira produzidas pela Fundação Florestal/ Instituto Florestal. Tornavam-se sedes do DEPRN, da Polícia Florestal e mesmo do próprio Instituto. Além disso, esses órgãos também alugavam prédios em cidades interioranas e instalavam escritórios conjuntos. Era uma fase de expansão dos serviços e de grande entusiasmo com as questões ambientais.

Numa dessas ocasiões haveria uma inauguração em São José do Rio Preto. Coincidiu com o dia em que o Collor acabara de decretar o seqüestro da poupança e não havia dinheiro para abastecimento de combustível. Para não deixar de comparecer os dirigentes (agricolões) das instituições envolvidas resolveram usar o único transporte disponível (ainda bem que ainda funcionava): o bom trem velho de guerra.

 

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Foram numa viagem pela Araraquarense, hoje não mais existente. No entanto, o cavalo de ferrro também não tinha mantimentos porque não havia grana pra niguém. A cerveja, único diferencial da viagem, era quente porque o gelo não havia sido entregue, muito menos pago. A espuma da Brahma dava para fazer barba. A refeição foi sofrível no vagão restaurante e, por todo lado só se ouviam queixas e lamúrias pelo inusitado confisco. Um desses queixantes disse que tinha perdido três carros??? Como a cerveja estava quente

resolveram optar por vinho. Do tipo “Picolla Piastra” (tradução: chapinha). Depois dessa lástima de refeição só restava tentar repousar, já que tinham conseguido leitos no vagão dormitório, que não tina nada de Orient Expres.

Esse vagão era do tipo que tinha duas fileiras de beliches fechados por venezianas e um corredor no meio, ligando as duas extremidades do vagão, numa das quais viçava o guarda trem. Durante a noite garrafas rolavam pelo chão do vagão, acompanhando os movimentos do comboio, impedindo os viajantes de descansar. Até hoje ninguém sabe como elas foram parar lá.

A chegada a Rio Preto foi terrível, depois de uma noite quase insone e embaixo de um sol de mais de trinta e cinco graus. Foi o tempo de ir a um hotel, tomar uma ducha para refrescar, se arrumar e rumar para a inauguração, que foi um sucesso.

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