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Teoria do Caos, Biologia e Gerenciamento Holistico

03/10/2021 - Por alberto nagib vasconcellos miguel
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Pegue um conta gotas. Abra a sua mão o mais estendida possível. Coloque uma gota num determinado ponto e veja em que direção ela escorre. Coloque em seguida uma outra gota na mesma posição da anterior e veja o que acontece. A segunda gota vai muito provavelmente seguir um caminho diferente da anterior. 

Essa clássica experiência da Teoria do Caos, imortalizada no filme "Jurassic Park" pelo brilhante matemático Ian Malcom nas mãos da bela Ellie, demonstra quão indeterminadas são as resultantes de forças pouco conhecidas no Universo. Talvez a primeira gota tenha retirado uma fina gota de um material presente nas nossas mãos, cujo poder atractante puxou a gota naquela direção? Talvez a sua mão tenha se tornado mais úmida entre a primeira e a segunda gotas? Talvez um tremular imperceptível tenha ocasionado o desvio? Talvez, talvez, talvez.....

O fato de termos um conhecimento irrisório de Biologia (do ponto de vista Ecológico) faz com que nós, gerentes de recursos naturais (nós, eu, você que trabalha em uma Cooperativa, em uma empresa química, tem uma fazenda ou trabalha em, em unidades de conservação, qualquer que seja sua área) tenhamos um conhecimento também irrisório do que pode acontecer em nossas áreas (nossos "todos") quando tomamos uma determinada ação. 

Ainda mais: por decidirmos por ações sem termos um Contexto Holístico (para maiores informações sobre esse tema, visitem meu blog: www.gerenciamentoholistico.blogspot.com) fazemos com que não tenhamos uma idéia do que queremos atingir com aquela ação. O resultado é que, por vezes, consertamos algo mas acabamos tendo consequências inadvertidas e adversas, que vão requerer mais ações que por sua vez vão trazer mais consequências indesejáveis na sequência. Um ciclo vicioso, com desastres impensados.

Gerenciamento Holístico entende a Teoria do Caos e seus praticantes são humildes o bastante para saber que não sabem nada sobre as incontáveis variáveis que estão em jogo em um determinado momento de um "todo" específico que estão manejando. Assim, um Gerenciador Holístico sabe que uma ação tomada em um determinado ano em uma área determinada MUITO PROVAVELMENTE não resultará em uma mesma resposta no ano seguinte, mesmo que feita no mesmo dia e hora que o ano antecedente.

Talvez o regime de chuvas tenha sido diferente, o que gerou a proliferação de uma microfauna e flora diferente no solo, que por sua vez disponibilizou uma quantidade de nutrientes e, sei lá, venenos diferentes, que por sua vez vai resultar em um crescimento de plantas diferentes, com tamanhos diferentes.....Talvez, talvez, talvez...

Para isso, nós usamos o que chamamos de Pontos Críticos de Controle (ou PCCs). Quando decidimos por uma ação, qualquer que seja ela, estabelecemos um possível resultado que nos dará a certeza de que escolhemos a ação correta baseado no Contexto Holístico do todo sendo manejado. Esse PCC tem que ser fácil o suficiente para que apareça o mais cedo possível depois que uma determinada ação foi tomada.

A razão para que o resultado tenha que aparecer o mais rápido possível é para evitar que continuemos com essa ação por um período prolongado de tempo e, depois de um ou dois anos de uso, descubramos que a ação trouxe efeitos indesejáveis. Dessa forma, "controlamos" melhor o resultados e podemos readequar nossas ações o mais rápido possível, trazendo os resultados para dentro do Contexto Holístico da área. (Vejam, no mesmo blog, Feedback loop).

Um exemplo prático do uso de PCCs é se usaremos Impacto Animal em uma área ou não. Se você escolheu SADA (Super Adensada Densidade Animal) para quebrar a crosta superficial do solo e aumentar infiltração de água na sua pastagem (já que em seu Contexto Holístico está explicitado que querem melhorar o Ciclo da Água em seu todo) precisará observar IMEDIATAMENTE APÓS A RETIRADA DOS ANIMAIS se essa crosta foi quebrada. Talvez ela tenha sido parcialmente quebrada? Qual a ação corretiva? Talvez o uso da ferramenta tenha causado compactação? Talvez o resultado tenha sido satisfatório, em linha com o planejado? Talvez o efeito nos animais tenha sido negativo? Talvez o efeito na composição florística da área tenha sido positivo/negativo? Talvez, talvez, talvez....

 

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