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Sua majestade a árvore (Vavá; F66)

25/09/2022 - Por evaristo marzabal neves
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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No dia 21 de setembro se comemora o Dia da Árvore no Brasil, prenuncio da estação da primavera que tem seu inicio em 22, dia seguinte, considerada a estação da vida, dentro do conceito que o contato com a natureza é importante para a saúde fisica e mental. Vejamos.

Na edição de 03/05/22 do Jornal da USP, coluna Saúde e Meio Ambiente, reportagem: Contato com o meio ambiente é vital para a saúde física e mental, o Dr. Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP, realçou que "a sensação de bem-estar propiciada pelo contato com a natureza contribui para melhor funcionamento de nosso organismo". Ponto para a árvore e, por extensão, para toda vida vegetal.

Na entrevista, o Dr. Saldiva argumenta sobre os benefícios físicos e mentais advindos do contato com a natureza. "A sensação de bem-estar provocada por este momento manifesta-se na alteração dos hormônios que controlam processos inflamatórios na melhora do sistema imunológico, fortalecendo a proteção contra micro-organismos, e do funcionamento do cérebro". Continuando, relata que "Um grupo de pesquisadores britânicos publicou recentemente, numa revista especializada, um artigo em que faz um resumo sobre os benefícios do contato com a natureza para a saúde mental do ser humano. A preservação de nossos ecossistemas está dentro de um conceito chamado de saúde única ou de saúde planetária, em que é tornado evidente que temos uma ligação intrínseca, atávica e, inclusive, de saúde com o meio ambiente natural. Para viver melhor é importante que tenhamos uma natureza, seja ela natural ou recomposta por nossos ambientes urbanos".

Nesta direção, olhando o universo infantil, chamou a atenção o artigo: A urgência do verde na vida das crianças (Gazeta de Piracicaba, 26/06/2022, p.4), da educadora Thais Machado Gusmão, que inicia com: "Após dois anos extremamente desafiadores, as aulas presenciais foram retomadas em todo o Brasil. O retorno às salas de aula, que vinha sendo gradual e desigual por causa das diferenças socioeconômicas e epidemiológicas em cada localidade do país, deve ser comemorado como símbolo de uma reconstrução necessária. Além de toda importância da escola para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, reativar os espaços de convivência e as relações sociais prejudicadas pelo isolamento social imposto pela pandemia torna-se uma questão chave para o nosso futuro". Relata ainda que: "O momento é oportuno para enfrentar alguns desafios que já estavam presentes antes mesmo da pandemia, mas que foram agravados com o isolamento social. Um exemplo é o chamado déficit de natureza, que vem aumentando muito nas últimas gerações e revela mudanças de hábitos prejudiciais à saúde mental de toda a população e, de um modo especial, da infância. Em média, as crianças passam até 44 horas por semana na frente de uma tela e menos de 10 minutos por dia brincando ao ar livre". Oba! Mais um ponto para a árvore e, enfim, para a convivência com a vida vegetal.

Nestas reportagens, é relevante realçar as considerações de um médico e de uma educadora sobre a importância do contato do ser humano com a natureza, em particular com a árvore, e seus impactos positivos na saúde mental e bem-estar humanos em qualquer idade e, principalmente, para a infância.

Neste sentido, imaginando o mundo infantil vivenciando e compartilhando o seu cotidiano com o mundo vegetal, concordo com a orientação da educadora, afirmando: "É natural que pais e professores estejam preocupados com a recomposição e recuperação das aprendizagens defasadas, mas podemos aproveitar o contexto de saída da pandemia como oportunidade para reforçar a conexão entre a escola e as famílias, para uma vida mais saudável. Não faltam subsídios científicos para sustentar essas mudanças de hábitos e busca por uma educação integral que coloque a conexão com a natureza como prioridade"..."Por mais que a tecnologia faça parte de nossa rotina, não há nenhum aplicativo ou jogo virtual capaz de substituir o sentimento de conexão e descoberta que a criança tem ao vivenciar uma experiência na natureza. Certamente, as crianças não conseguirão lembrar qual foi o seu melhor dia em frente ao Youtube, mas terão na ponta da língua uma vivência especial e divertida na natureza". Isto é verdade pelo que vejo na alegria e felicidade estampadas nos rostos das crianças, principalmente do ensino fundamental, nas visitas que realizam no parque da Esalq.

Como inserir plenamente e propor soluções com respeito à "urgência do verde na vida das crianças" no ensino fundamental? Cabe discussão e tomada de decisões. Por ora, caro leitor, uma pergunta que não quer calar: Haveria vidas humana e animal caso não existisse a vida vegetal?

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Obs. Publicado na Gazeta de Piracicaba, Ano XVII, N. 4939, 20/09/2022, p.2 (Opinião)

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