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Saber as leis pode te deixar bêbado de graça. Ou - Quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza (Di-Mark F14)

08/11/2015 - Por dina
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Que o brasileiro não desiste nunca, isso todos sabemos. E que às vezes é até malandrinho sabemos também. "Samba, futebol, cerveja e um pouquinho assim de falcatrua. Esse é o quadrilátero explosivo que forma basicamente a cultura de um país chamado Brasil" (frase de Mauro Gargamel de Repórter Boato). Quando junto essas observações, penso talvez que o esalqueano da graduação seja o mais brasileiro de todos os universitários. Ainda mais morando em república, daí é três vezes brasileiro, porque precisa arrumar um jeito de beber com pouca grana, de fazer um churrasco onde não só se mastigue gracha (nem o TRADICIONAL churrasco da agronomia, só de lingüiça -- se é que você me entende -- quem quer rir, tem que fazer rir, tem que ter um agrado para as convidadas) e ainda assim conseguir ir pra aula das oito. E sóbrio.
Numa dessas jornadas pós apocalípticas atrás de insumos escassos, utilizando recursos mais escassos ainda (leia-se ida no mercado com renda universitária), eu me encontrei juntamente com o pessoal da República (ou Repóbrica -- sempre fomos pobres, mas naquele mês "távamos de parabéns"). Não era nada demais, a gente ia comprar um miojo e um bebes pra fazer a alegria do domingues, pra dormir embaladinho. Mas o bebes da época de graduação pode ser lapidante e sacrificoso, e se muitos de nós não tomamos até chorume, é porque talvez ele não te deixe tão bêbado quanto uma vodka boiadeira de 4 cruzeiro (ah, e ele vai invariavelmente te matar, também, mas o primeiro é mais importante). E pra somar-se à , digamos, LEONAFFFMARIA, uma vodka "tridestilada" (aham) de ignaros R$ 4,59 no atacado próximo, tinha-se o eneuvético, digamos, FULL PODER, de também humildes menos de uma garça, popular cincão (esse mesmo energético uma vez caiu no chão da república pintando-o permanentemente de amarelo-câncer). 
O esalqueano médio não quer tomar essas porcarias sempre. Primeiro porque é muito desgastante (para o fígado, no lugar do bolso), não é exatamente gostoso (só para carteira que é), mas deixa beldo; ele o faz por força do hábito, e por motivos maiores (leia-se a restrição do orçamento). Mas não exclusivamente o esalqueano gosta de se divertir muito com pouco; é coisa de brasileiro. Na hora de irmos pagar o carrinho, estava um cidadão na fila, também óbvio apreciador da arte milenar do embriaganto-voluntário. Trazia consigo uma garrafa de, digamos, CHANCELADOR, uma aguardente com aroma de uísque, e um energético (ORA, qual?! FULL PODER!). Eu olhei aquilo e comecei a pensar que poxa, seria bacana tomar um uísque de verdade, não aquele do rapaz, nem a água com álcool que levávamos. Só pra fazer uma gracinha, só pra pôr um doce na boca das criança, só pra dormir embalado. Pus-me, sonhador, a apreciar mais de perto a ideia de uma bebida saborífica e deleitante. Para olhar com os olhos e lamber com a testa, fui checar os preços de uns uísques na prateleiera. Chegando lá, eis que me deparo com esse inusitante anúncio de preços. Ei-lo:
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A vontade era tanta que o Oásis da cachaça se materializou ali na minha frente
Isso mesmo, companheiro esalqueano. A partir da 12ª unidade o preço do uísque Cavalo Blanco tendia a zero mangos. Solicitei à caixa, na hora, que passasse logo uma dúzia. Na hora de pagar, naturalmente houve chororô. Eu não lembro tudo, mas foi algo marromenos assim:
Caixa: Senhor, a compra total deu R$ 720 ++
Eu: Legal, agora aplique o desconto.
Caixa: Já apliquei, senhor, o desconto dá 12 reais.
Eu: Não não, eu quero que você aplique aquele desconto ali...
A caixa foi ali, viu que não poderia resolver o problema, chamou a gerente.
Eu: Gerente, por favor, aplique o desconto propagandeado.
Gerente: Poxa... moço, não sei se vou poder fazer, você tem que entender que houve um erro.
Eu, engrossando: Moça, é ÓBVIO que houve um erro. Mas não fui eu quem cometeu.
Gerente: Nem eu!
Eu: Mas foi o mercado, que você devidamente representa. Por gentileza, passe aí, senão vou chamar os tiras.
A gerente, sabendo que não poderia lidar com o argumento disse: Ok, vou ter que fazer.
Mal lembrava ela que quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza, e que se precisa de um motivo verdadeiramente sepulcral para convencer o esalqueano a não beber de graça. Foi daí que ela quis ganhar a argumentação na base do peso na consciência.
Ela: Vou fazer aqui, mas não é certo. Se fosse eu não faria isso, é óbvio que é um erro.
Retruquei: Moça, eu já vi que você está querendo me convencer a não levar, achando que eu não estou sendo honesto, mas vou lhe dizer porque estou sendo. Se eu viesse até a caixa e reportasse o problema, facilmente eu seria ignorado e ninguém iria fazer nada. Eu basicamente estou ajudando o mercado. Ah, e ainda estou sendo humilde. Ali está escrito "a partir de doze", e na prateleira tem bem mais que doze. Eu poderia levar todos na área de venda, mas resolvi ser humilde e levar apenas esses 12, que já basta para lhes ensinar uma lição e fazer nossa alegria.
Ela resmungou mais um pouco, mas o resultado foi o que segue abaixo:

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Tá aí o tamanho do peixe!
HAHAHA! Teve uma chuva de uísque na próxima semana, que até quase ficamos com saudades da LEONAFFFMARIA. Mas foi por pouco. Demos uísque no aniversário a ex-morador, demos uísque para nossos amigos, e quem ia em casa bebia também. Sem falar na ostentação na hora do "Catchaça Dr." (se víamos que o estava havendo abuso, voltava-se a adotar a medida sócio-educativa do uísque de agricolão, Tulão Label). Esse dia foi "L0ko".
Conclusão -- é sempre bom saber seus direitos e estar atento a eles. Isso pode te deixar bêbado. De graça. E ainda com estilo.

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Não precisa de muito pra deixar o esalqueano feliz
Vitor Dhers (Di-Mark F14) - é Graduado Ciências Econômicas, ex-morador da Republica Malók.
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