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Quem não se comunica se trumbica (Vavá; F66)

19/09/2020 - Por evaristo marzabal neves
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Evaristo Marzabal Neves - 

"Quem não se comunica se trumbica" já dizia o "velho guerreiro Chacrinha" em seu programa de auditório na TV. Quem não o conheceu, fique sabendo que Abelardo Barbosa (Chacrinha) foi considerado o responsável pela popularização da TV como meio de comunicação de massa no país, apresentador de programas de grande sucesso nas décadas de 50 a 80. Os nascidos antes dos anos oitenta lembrarão que uma única TV era compartilhada com todos os membros da família.

 

Foi tão popular que em 1987 a Escola de Samba Império Serrano apresentou-o como tema do enredo de seu desfile, tendo como samba enredo "Com a boca no mundo, quem não se comunica se trumbica" ... E como fica... Fica na saudade

Por que trazer a lembrança de tempos que não voltam mais? É que o velho guerreiro usava jargões que tem muito sentido atualmente. Ser preciso, conciso e objetivo na comunicação é de fundamental importância no novo normal com o fortalecimento do home office, que veio para ficar.

No mercado de trabalho nem se fala. Busco apoio na reportagem da Folha de São Paulo (22/08/2020, p B13) com o título: Comunicação vira a habilidade mais valorizada por empregadores, enfatizando que "Durante a quarentena novas competências entraram para a lista de pré-requisitos que recrutadores buscam em um profissional - e elas vão muito além do diploma e do pacote Office".

Um levantamento global do Linkedin analisando as exigências de cerca de 12 milhões de vagas disponíveis na plataforma em julho, registrou que "as chamadas 'soft skills', ou competências comportamentais, são maioria entre as dez habilidades mais valorizadas por empregadores". A mais citada foi comunicação, seguida por gestão de negócios, resolução de problemas, ciência de dados, gestão de tecnologias de armazenamento de dados, suporte técnico, liderança, gerenciamento de projetos, aprendizagem online, e, aprendizagem e desenvolvimento de colaboradores (RH).

Chamam a atenção dois comentários: o da professora Vanessa Cepelos, de Gestão de Pessoas da FGV (Fundação Getúlio Vargas) de que "A pandemia tornou essas habilidades humanas tão necessárias que, mesmo quem não estava aberto a elas antes, terá que desenvolvê-las", e do diretor-geral do Linkedin para a América Latina, Milton Beck, que afirma que "as 'soft skills' também ganham importância por causa das mudanças tecnológicas: São competências mais difíceis de serem reproduzidas por uma máquina". E desta forma "o trabalho remoto fez que a comunicação fosse mais valorizada pelos gestores".

Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna enfatizava que "Sessenta por cento de todos os problemas administrativos resultam de ineficiências na comunicação".  Em seus ensinamentos, afirmava que aquele que bem se comunica, o faz com uma linguagem adequada, clara, concisa, objetiva, temática, sequenciada e atual.

Pois bem, hoje na contramão da boa, eficiente e eficaz comunicação surge a infotoxicação para atrapalhar, neologismo que releva o fato de recebermos mais informações do que podemos processar, com consequências negativas para nossa capacidade perceptiva, interpretativa, analítica e para nosso equilíbrio mental.

Como filtrar informações que realmente nos conduzam a um bem comunicar? Eis a questão.

Bem comunicar é arte e ciência, simultaneamente. Arte, em saber se expor com uma linguagem compreensiva, pausada, convincente, gestos adequados, e ciência ao expor o conhecimento técnico, científico e administrativo, com clareza e de fácil entendimento pelos colaboradores na organização.

Finalizando, de volta ao futuro com um transporte dos velhos tempos aos dias de hoje, Chacrinha estaria bradando: "Quem não bem se comunica se trumbica". E, como fica? Fica na lista de espera.

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Obs. Publicado na Gazeta de Piracicaba, Ano XVIII, n. 4338, 18/09/2020, p. 2

 

 

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