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Quarto Centenéario (Pinduca F68)

09/12/2015 - Por marcio joão scaléa
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Há certas experiências que marcam a vida das pessoas, e o Menino passou por uma delas no dia 25 de Janeiro de 1954.

 

Naquela data estava sendo comemorado o IV Centenário da fundação da cidade de São Paulo, e o dia seria de festas. Desfiles, exibições, shows estavam movimentando o feriado, e quando se diz movimentando é ao pé da letra : a população se movimentava para presenciar os eventos, pois tudo era ao vivo, não havia TV. Quem quisesse ver o desfile, que fosse ao Anhangabaú. Quem quisesse ver a ginástica, que fosse ao Pacaembu, e assim por diante.

 

O dia nascera lindo, céu aberto e sol forte, perfeito para um feriado. E terminaria majestoso, com a visão de aviões cruzando os céus já à noite, despejando uma chuva de pequenos triângulos de papel alumínio, com o símbolo da cidade. Holofotes muito potentes, estrategicamente colocados apontando para o céu, tinham sua luz refletida nos milhões de tirinhas de alumínio ao cair, criando a ilusão de uma cerrada chuva de estrelas. Foi inesquecível.

 

Mas a experiência que mais marcou o Menino não tinha nada a ver com o IV Centenário, e aconteceu logo de manhã. O despertar preguiçoso do feriado, com a família toda em casa, foi agitado quando alguém comentou :

 

- Olha lá no céu que avião mais diferente!

 

Não parecia avião. Não era passarinho. Não era urubu. Não era balão. Não era pipa. Não era papel carregado pelo vento. Não era paraquedista. Era uma forma circular parecendo um prato, brilhante, refletindo a luz do sol. Ela se deslocava muito rapidamente no céu, em linhas retas, e de repente parava. Recomeçava o movimento, fazendo curvas abruptas de 90 graus. Não fazia ruído e nem soltava fumaça, e estava muito alto, aparecendo como um pequeno grão de lentilha brilhante, contra o fundo azul do céu. E por ali ficou durante alguns minutos, tomando depois o rumo da Serra da Mantiqueira, desaparecendo. Do quintal de sua casa na Alameda Olga, o Menino teve visão privilegiada do objeto voador, assim como sua família e boa parte da vizinhança também. O povo acabou concluindo que o objeto era um legítimo disco voador, imagem que por muitas semanas povoou os sonhos do Menino, que ansiava por um novo contacto, mais concreto e cabal.

 

Contacto até hoje esperado nas longas noites de insônia, nas intermináveis viagens noturnas pelas estradas do Centro Oeste e nas desconfortáveis poltronas da classe econômica nos vôos internacionais.

Marcio Joao Scaléa (Pinduca F68) é Engenheiro Agrônomo ex morador da Republica Mosteiro

 

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