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Quantas experiências você deixa de ter na sua vida por trauma de alguma coisa? (Iskrépi; F-11)

15/07/2021 - Por luciana okazaki
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Os traumas bloqueiam a nossa vida e atrapalham muitas coisas no nosso dia-a-dia. Ficamos inconscientemente condicionados a nos retrair pelo medo e angústia da dor causada pelas situações vividas. Além disso, eles geram bloqueios energéticos e na maioria das vezes têm como consequências sintomas físicos.

 

Como eu já falei em outros artigos, nosso 'ser' é um relógio suíço, cheio de engrenagens. Um descompasso em uma das engrenagens irá afetar as demais. Ou seja, um problema em uma área da vida começa a reverberar negativamente em outras.

 

De origem grega, a palavra 'trauma' significa 'ferida', 'ferimento'. É oriundo de vivências dolorosas que formam memórias traumáticas, memórias de dor. Essa ferida é a junção das emoções, imagens, sons, cheiros e sentimentos que estavam presentes quando houve o ocorrido.

 

Cada indivíduo sente e percebe uma situação de maneira singular. Por isso é importante ressaltar que uma situação tida como traumatizante para uma pessoa, pode não ser para outra.

 

Tenho dois exemplos de amigos que sofreram acidentes gravíssimos em rodovias. Um deles sofreu um capotamento de ônibus e o outro entrou na traseira de um caminhão com seu carro (que teve perda total). Ambas as situações tiveram forte impacto emocional e físico. Porém um deles segue com suas viagens de ônibus enquanto o outro não consegue mais colocar as mãos num volante.

 

Percebe que cada ser humano possui um limite e níveis diferentes de percepção? O medo, o choque e a impressão são únicos para cada um. E as situações vividas pelo indivíduo, podem acessar essa memória, ativando gatilhos que culminam na sensação que foi vivida voltando diretamente a experiência traumática.

 

Os traumas podem ser originários de diversas fontes: agressões físicas, verbais, acidentes, situação com forte impacto emocional (ex: a separação dos pais, término de relacionamento, perda de um emprego, morte de pessoas queridas), doenças graves, guerras.

 

O meu trauma (e pasmem, descobri há poucos anos não ser a única com este trauma) era o de ser descendente de orientais. Fui muito zoada na escola por ser a única descendente de japoneses da sala (eu e mais um amiguinho que além de asiático era homossexual - imaginem o sofrimento em dobro que ele passou). Na época não se falava em bullying. Era 'ser zoado'. Jaspion, Jiraya era os meus apelidos.

 

Passei anos com vergonha das minhas raízes. A vergonha se tornou raiva. E sentia muita toda vez que me deparava com outros descendentes, ou ia a algum evento no kaikan (clube das colônias japonesas). Estudei no Colégio Bandeirantes e me recusava a fazer amizades asiáticas. Fazia de tudo para não ter costumes ou trejeitos, nada que lembrasse fisicamente ou socialmente as minhas origens.

 

Mas a vida te coloca em situações para você aprender as coisas, não é mesmo? Em 2015 topei fazer uma viagem para o Japão com meu pai (viajar é uma das minhas paixões e recusar um convite desses, não dava). Mal sabia eu que estava prestes a entrar num tratamento de choque. Foram mais de 30 dias de imersão cultural. Li recentemente que alguns psicólogos usam filmes de terror para tratar traumas de pacientes (!!). Foi mais ou menos o que eu passei.

 

Depois do contato direto e frontal com meu maior trauma consegui superar o que por tantos anos havia me machucado. Percebi o meu valor, a importância e relevância da cultura japonesa e comecei a sentir orgulho do que por tanto tempo só senti raiva. Hoje sou uma grande defensora das minhas raízes e recentemente comecei um curso de língua japonesa. Não mais por questões profissionais, mas pelo puro prazer de fazer algo que tive vontade.

 

Depois desses relatos que acabei de escrever, você pode estar se analisando e pensando "quais são os MEUS traumas?" Um jeito muito simples de perceber que algo te traumatizou é a dificuldade de falar ou mencionar o ocorrido. Se pensar em uma situação que passou te causa calafrios, palpitações, isso pode ser um indicativo.

 

Muitos traumas geram sintomas físicos no indivíduo: úlceras, palpitações, dor no coração, hipertensão, alergias, enxaqueca, fibromialgia, síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica. Irritabilidade, ansiedade e agressividade também podem ser consequências de alguma ferida emocional de grandes proporções. Respostas de sobressalto exagerada (sustos por motivos banais) ou hiperexcitação (agitação constante)? Fique atento!

 

Outra situação bem comum em pessoas que tiveram traumas emocionais é a reviver a situação nos sonhos ou nos pensamentos durante o momento de vigília (momento em que o indivíduo encontra-se acordado).

 

Já se fala muito nas consequências mais graves da pandemia para a saúde psicológica da população: depressão e ansiedade, mas também em transtorno de stress pós traumático (comum em soldados que voltaram da guerra). Por isso a importância de cuidar da saúde mental e emocional nesse momento.

 

Se você está passando por situações difíceis, vamos conversar. Quem sabe não te ajudo com as ferramentas que tenho? Não fique só, busque se cuidar! E não deixe que seus traumas te impeçam de viver as melhores experiências da sua vida.

 

Luciana Okazaki (Iskrépi; F-11) ex-moradora da República Cupido, é engenheira agrônoma vivendo seu propósito como Terapeuta Integrativa

Quer descobrir mais sobre a minha Jornada de Autoconhecimento? Veja outros insights sobre meu ano sabático, transição de carreira e como viver uma vida mais leve no meu Instagram @luciana.okazaki

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