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Quanta saudade você me traz! (Vavá; F66)

07/05/2022 - Por evaristo marzabal neves
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Os nascidos principalmente antes dos anos 50 hão de lembrar da música "Lampião de Gás", composição de Zeca Bergami e gravada em 1958 pela inesquecível Inezita Barroso, por bom tempo símbolo de São Paulo de antigamente.

Por esses dias a ouvi para "matar a saudade" e sua estrofe inicial é: Lampião de gás... Lampião de gás...Quanta saudade...você me traz. Neste instante me lembrei de uma passagem de minha vida piracicabana que me traz uma saudosa lembrança do meu tempo de estudante, idos de 1961 a 1966: "bondinho da agronomia" quanta saudade você me traz.

As gerações pós 1970 não conheceram nem circularam no "bondinho da agronomia', mas hão de entender porque ele ganhou espaço em nosso parque e o quanto foi importante como meio de transporte da cidade à Escola. Basta ler a placa onde gerações anteriores à de 1970 registraram seu agradecimento: "A ti, que em memoráveis jornadas acadêmicas nos ajudaste, conduzindo-nos a fonte do saber, a homenagem daqueles que em monumento te tornaram, para perpetuar-te na memória dos que hão de vir" (Cortesia da Ultrafértil, 1970 - Promoção da Associação de Ex-Alunos da E.S.A.Luiz de Queiroz). Em 03/10/1969 terminou o serviço de bonde até a Esalq.

Por que será que a maioria dos ex-alunos das gerações anteriores a 1970, quando vem comemorar seu quinquênio e visualizam o bondinho (ao lado do Pavilhão de Química, inaugurado em 1930 e defronte ao Pavilhão de Agricultura, construído em 1945) tiram fotos com a família?  Não seria pelo quão importante foi como meio de transporte da cidade à Escola em seu período estudantil? Na primeira metade dos anos 60 era raríssimo o estudante que tinha carro, e como só tinha o curso de Agronomia, tomavam o bonde alunos de diversos anos, inclusive alguns professores assistentes. "Papos" inesquecíveis. Quantas amizades surgiram!

Veja meu exemplo. Em 1961, junto com Vivaldo Francisco da Cruz, chegamos de Lins para um cursinho preparatório. Fomos morar numa pensão familiar (duas casas conjugadas, onde numa morava a família e, em outra, cerca de dez jovens que fariam o vestibular em janeiro/fevereiro de 1962) na Rua Boa Morte, a uma quadra da Estação Paulista. Era apelidada "Pensão da Dona Lourdes", pois no fundo de nossa casa havia uma passagem para a dela, onde tomávamos as refeições diárias. Pois bem, o cursinho era no centro da cidade e tome bonde. Esta linha (a terceira) foi inaugurada em 30/06/1922 ligando a Rua Boa Morte, junto à Catedral até a estação da Paulista. Em 06/12/1921, foi inaugurada a segunda linha ligando a Catedral à Vila Rezende. No total, apenas três linhas.

Por cerca de mais de ano moramos nesta pensão. Boa parte de seus moradores ingressou na escola e, parte destes veio a criar, em meados de 1962, a república Viúva da Colina (Piracicaba é a Noiva da Colina) na Rua Moraes Barros, 447 (direção Catedral ao Rio Piracicaba). Pois bem, como o bonde era nosso meio de transporte para a Esalq, caminhávamos 3,5 quarteirões ate atrás da Catedral, ponto de partida do  "bondinho da agronomia". Esta foi a primeira linha a ser inaugurada (15/01/1916), pois a Esalq ficava muito distante do centro da cidade. Reza a história que "Até esta data os alunos seguiam de trole ou a pé". Outra opção era o ônibus circular cujo ponto de partida e de chegada era atrás da Catedral, próxima ao ponto do bonde. A junção das três linhas era junto à Catedral, esquina das Ruas Boa Morte e XV de Novembro.

O trajeto cidade-escola tinha inicio na rua XV de Novembro, cortava Armando Sales de Oliveira, à esquerda na José Pinto de Almeida, à direita na Marechal Deodoro, à esquerda na São João até seu termino, pequena curva à esquerda na Pádua Dias, Carlos Botelho e ingressava na escola pela Alameda Principal até próximo ao encontro com a Alameda dos Alecrins. O trajeto para a Esalq tinha somente uma pista, permitindo o uso de um único bonde por vez.

Enfim, "bondinho da agronomia" que saudade me traz. Doce recordação de meu tempo de estudante. Tempo bom que não volta mais. Velhos tempos, belos dias.

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Publicado na Gazeta de Piracicaba, Ano XIX, n.4822, 04/05/2022, p.2.

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