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Produzir Carne é Melhorar o Meio Ambiente

01/07/2019 - Por alberto nagib vasconcellos miguel
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Produzir carne destrói o meio ambiente. Essa frase é constantemente usada por ambientalistas para apontar o dedo ao pecuarista e culpá-lo por todos os problemas causados pela agropecuária em nossos ambientes.

Eu afirmo, com base nos meus estudos e leituras, bem como na aplicação correta de técnicas de manejo adequadas a cada ambiente, exatamente o contrário. Mesmo discordando da presença de animais em certos ambientes de nosso país, observei uma melhoria em todos os que trabalhei até agora, não importando quão úmido ou seco esses ambientes eram.

Alguns pontos, porém, precisam ser ponderados. Nosso sistema de produção de alimentos, baseado no uso de tecnologia, é inadequado. O uso maciço de produtos químicos em terras de cerrado, o uso contínuo do solo para a produção de grãos e a expulsão da pecuária de seu “nicho”(nossos cerrados e pampas), para as áreas de florestas e matas, vem causando, sim, destruição ambiental.

Destruição ambiental é mais do que derrubar uma floresta. Destruição ambiental é a diminuição massiva de sua biodiversidade. Biodiversidade é o que mantém os ambientes equilibrados. Assim, biodiversidade deve ser recompensada.  Não é o que ocorre no nosso sistema de produção de alimentos. E é aqui que está o “calcanhar de Aquiles” da produção agropecuária.

Estamos sendo bombardeados diariamente com a notícia de que a população mundial vai atingir números astronômicos até 2050. E que sem o uso intensivo e manutenção do “status quo” no nosso sistema produtivo, seremos incapazes de alimentar tal população. Mesmo?

Nós não sustentamos a população existente no mundo hoje. No último levantamento da FAO, http://www.fao.org/news/story/en/item/1152031/icode/  e vem crescendo nos últimos 3 anos, chegando a 821 milhões de pessoas no mundo, ou, 1 em cada 9 pessoas. As causas são também conhecidas: distribuição de renda (sem dinheiro, sem comida), concentração de terras (sem terra, sem comida), falta de programas financeiros dirigidos aos mais necessitados, erosão de solos e outros.

Predição: mesmo que a população atinja os números previstos, nós continuaremos vendo fome no mundo. E pelos mesmos motivos. Porque estamos tentando “consertar” o problema usando as mesmas ferramentas que tentamos usar até agora. Missão impossível.

Então, voltemos ao tema do título. Como é que a produção de carne pode ser usada para melhorar o meio ambiente e ajudar a combater a fome?

Retornando os animais aos seus “nichos ecológicos” e manejando tais animais para que os ambientes onde se encontram sejam os mais produtivos possíveis, com o menor custo. Só de se promover a volta dos animais aos seus lugares devidos já fará com que os custos diminuam, pois estamos simplesmente trazendo de volta a um ambiente um animal que Mamãe Natureza havia colocado lá em primeiro lugar.

“Ah, mas eu vi tantas áreas no cerrado se degradarem com gado!” diria você. Eu também, que aqui vos falo. Porque o manejo implementado em tais áreas é prejudicial ao meio ambiente!

Aqui está o pulo do gato: não são os animais que destroem o meio ambiente, mas o manejo destes animais. Animais existem em ambientes onde são necessários (assim como plantas, bactérias ou qualquer outro organismo vivo) e causam modificações nestes ambientes.

 No caso das “grasslands”, os herbívoros são necessários para fechar o ciclo de carbono nos períodos secos. Devido ao acúmulo de material vegetal morto nestes períodos secos, a inexistência destes herbívoros nestes ambientes aumenta a probabilidade de fogo, o que acaba causando mais prejuízos ao meio ambiente, com a liberação de enormes quantidades de carbono na atmosfera, aumentando o efeito estufa.

Herbívoros, em especial os ruminantes, tem a capacidade de degradar esse material senescido e extrair nutrientes, podendo se manter vivos até que o novo período de crescimento da vegetação volte e eles possam engordar novamente.

Quando estes animais estão vivendo em seus ambientes naturais e SEM a intervenção do homem (MANEJO), eles se movimentam em sincronia com os ciclos vegetativos e climáticos, mudando de uma área para outra em busca de pastagens verdejantes, água e locais onde o odor de seus excrementos tenha desaparecido. Predadores são parte do dia a dia e não fazem com que os animais migrem. Predadores acompanham as migrações ou aguardam a volta dos rebanhos em seus territórios, vivendo de pequenos animais que também permanecem nestes territórios.

Mas quando o homem intervém, começam os problemas.

Em primeiro lugar, cercamos uma área determinada. A mobilidade destes animais é destruída e fica dependente exclusivamente do que o homem pensa que é melhor. Vemos, então animais vagueando por imensas pastagens por meses a fio. As famosas “trilhas” começam a se formar e nós achamos isso normal. Atrás delas, vem a erosão.

Nessas áreas, onde os animais são deixados a esmo, começamos a notar uma compactação intensa do solo. A compactação causa uma diminuição da infiltração da água no solo, com consequente aumento do escorrimento superficial das águas de chuva. Uma vez mais, vem a erosão. E aos olhos do leigo, o que causou a compactação foram os animais ali no pasto.

Nestas áreas, ocorre o empobrecimento constante de seus solos, fruto da “extração” de nutrientes pelas plantas e “exportação” destes nutrientes quando da venda destes animais. O empobrecimento do solo diminui o crescimento das plantas e, consequentemente, de suas raízes, diminuindo a resiliência do ambiente, a perda de biodiversidade e a consequente degradação. Uma vez mais é o animal que recebe a culpa.

Para os olhos do leigo, foram os animais que causaram o dano. Mas na realidade, esse dano foi causado pelo manejo inadequado destes animais e do ambiente onde vivem.  E é aqui que nós, profissionais da agropecuária e produtores, devemos concentrar nossos esforços para equilibrar a necessidade de produzirmos lucro com a importância de se manter um ambiente de tal maneira que a produção de carne ajude o planeta, melhorando todo o ecossistema.

Os animais, se bem manejados, podem beneficiar os ambientes onde estão sendo produzidos (de norte ao sul do país, de leste a oeste, desde a Amazônia até os Pampas Gaúchos, das florestas úmidas do Acre até às áreas mais secas do Nordeste) nos seguintes aspectos:

Melhoria no ciclo da água (“Produção de água local”)

Melhoria nas características físicas do solo

Melhoria das características químicas do solo

Aumento da produtividade

Aumento da capacidade de lotação das pastagens

Aumento da biodiversidade

Conservação de espécies

Diminuição de problemas sociais

Diminuição de conflitos entre ambientalistas e produtores

Diminuição de efeito estufa

Desaceleração e inversão de mudança climática

Outros

Muito embora o que escrevi acima possa parecer polêmico, existem hoje diversos pesquisadores engajados na tarefa de demonstrar a efetividade do exposto acima. A atividade científica, mesmo que inerentemente de cunho reducionista, começa a dar passos em direção a uma visão mais holística dos problemas mundiais e de sistemas de produção que envolvem biologia, tentando de alguma forma observar e concluir seus trabalhos focando em sistema de produção como um todo.

A busca por uma visão holística quando do manejo de suas propriedades ou das propriedades onde são consultores deve ser perseguida a todo custo e os resultados positivos devem ser alardeados da mesma forma que os negativos são alardeados por todos. E a intensificação de uma campanha positiva, baseada em fatos concretos e já obtidos por diversos produtores espalhados pelo Brasil e cuja aplicação dos preceitos de Gerenciamento Holístico tem sido constante deve melhorar a visão da opinião pública sobre nossa atividade.

Para maiores esclarecimentos sobre o tema, convido a todos para acessar o blog: www.gerenciamentoholistico.blogspot.com , onde escrevo e descrevo em detalhes a ferramenta Gerenciamento Holístico.

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