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Produtor Rural no Vermelho não Pensa no Verde? (Alfinet F09)

23/09/2015 - Por rodolfo tramontina de oliveira e castro
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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1º de abril de 1964, golpe militar. A grande preocupação dos novos governantes era conter uma possível invasão vermelha. A solução foi um grande projeto de integração nacional para proteger os 15 mil km de fronteira e ocupar os despovoados Norte e Centro-Oeste, em duas frentes: 1) grandes obras de infraestrutura (em construção até hoje); e 2) novos “bandeirantes” dispostos a desbravar a região.

Crédito barato, terras “sem dono” e investimentos baixos para iniciar a atividade, a criação de gado apresentou-se como a melhor alternativa. O modelo de negócio baseava-se na derrubada e queimadas das vegetações nativas, e semeio de pastagens. Ainda, propiciava ganhos com a valorização imobiliária. A ocupação do país era prioridade e pouca gente pensava em “preservação de florestas”.

O boi foi na frente, abrindo caminho para milho, algodão e soja. Para ilustrar, o rebanho bovino no Centro-Oeste passou de 22,8 milhões cabeças em 74 para 71,1 milhões atuais, respondendo por 1/3 do rebanho nacional. Na região Norte saltou de 2,2 para 44,7 milhões de cabeças (+ 1922%!). Para a soja, só no Centro-Oeste, a produção foi de 6,4 milhões de toneladas no início dos anos 90 para 39,6 milhões (+515%), 44% da produção de nossa principal commodity.

O axioma regente do nosso agronegócio à época era: “produtor rural no vermelho não pensa no verde”. Em maio de 2012, o jogo mudou. O ano marcou o armistício entre ruralistas e ambientalistas com a sanção do “Novo Código Florestal” (lei federal 12.651/12).

Ao dispor sobre a proteção de vegetação nativa em imóveis rurais, o acordo de paz apresentou o CAR (Cadastro Ambiental Rural) como principal instrumento e solução para todos os problemas. E se tem uma coisa que esse governo faz bem é transformar assuntos complexos em siglas populares: o CAR tornou-se um mantra!

O CAR é registro público das informações ambientais do imóvel rural. Em outras palavras, informar qual o tamanho da sua propriedade, onde ela está localizada, quanto ela tem de vegetação nativa (mata), se ela possui rios, nascentes, lagoas, etc.

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A grande sacada do Novo Código é que ele possibilitou comercializar cotas de reserva ambiental (CRA – outra sigla). Exemplificando: você possui uma propriedade de 1.000 hectares no interior de São Paulo e, por lei, precisa ter no mínimo 200 hectares (20%) de mata atlântica. Se você tiver déficit de mata, ao invés de investir na casa dos R$ 3.500/hectare para recuperar, você pode adquirir um CRA por R$ 400-600/hectare de alguém com excesso. Excelente negócio para os dois!

Levanto essa lebre por dois motivos:

1) os prazos para a inscrição no CAR estão correndo. O produtor tem até 05/maio/16 para se cadastrar sem estar sujeito à multa, mais um ano (maio/17) sem ser responsabilizado por crime ambiental (isso mesmo, crime ambiental!), e dois anos (maio/18) para conseguir financiamento para atividades agrícolas. Parece um pouco distante, mas os prazos já foram adiados uma vez e não serão mais.

2) estima-se no Brasil um déficit de 40 milhões de hectares (1,5 Estado de São Paulo) de vegetação nativa que devem ser recompostas em propriedades agrícolas. O que fez com que as maiores valorizações de preços de terras agrícolas nos últimos três anos ocorressem em áreas com “mata nativa”, 31% ao ano, em média. E são valores que só tendem a aumentar, principalmente em regiões onde a vegetação nativa foi devastada.

Qualquer pessoa com algum pé no setor e que não esteja ciente desse assunto está perdendo uma ótima oportunidade, além de fugir de multa e cadeia. Se você estiver procurando terra para comprar esse deve ser o fator primário na sua lista. Já se atua em alguma agroindústria, banco ou fornecedora de insumo, taí um excelente caminho para fidelizar seus clientes.

“Produtor rural vê no verde como ficar azul”. Chega de vermelho por essas terras.

Rodolfo Castro (Alfinet - F09) é Eng. Agrônomo, Fundador da fmk agro e ex morador da República Kangaço

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