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Problemas na Roça (Pinduca F68)

21/02/2016 - Por marcio joão scaléa
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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PROBLEMAS NA ROÇA

O sócio do patrão estava inquieto. Os mais de dois mil hectares de arroz que plantara em sua fazenda estavam com problema. As recomendações, as orientações, as sementes, os adubos, o tratamento de sementes, tudo viera da fazenda em que o Administrador trabalhava, e segundo o sócio do patrão, algo estava errado. O arroz nascia bem, mas com poucos dias tinha as pontinhas das folhas amareladas e requeimadas, o que dava à lavoura uma aparência ruim, parecia que tudo ia morrer.

 

Sábado cedo, patrão e sócio chegaram de São Paulo de jatinho, expuseram o problema e exigiram uma solução, o prejuízo seria enorme, conforme afirmava o sócio, com sua natural ansiedade e sua cultura de pecuarista. E marcaram a visita para o domingo de manhã, iriam no Cessna, pois a lavoura era distante.

 

Lá se vai mais um fim de semana, pensou o Administrador. Esse era e é um dos grandes problemas de quem trabalha em fazendas cujos proprietários são empresários de outras áreas, vivendo nas grandes cidades. Para um banqueiro, um industrial, um dono de hospital, ir passar o fim de semana na fazenda tem, além do componente empresarial, um componente de quebra de rotina, que funciona como distração. Dormir na fazenda, comer comida de fogão de lenha, olhar as estrelas, sentir o cheiro do mato e da bosta de vaca, ouvir o cantar da seriema, tudo é relaxante. Mas para quem trabalha na fazenda é terrível, pois acabam se gastando com o patrão os poucos momentos disponíveis para descanso e convívio com a família.

 

Domingo de manhã, tempo bom, em pouco mais de hora de vôo chegaram à fazenda Petiry, onde o sócio do patrão, mais ansioso ainda, aguardava na pista. Rápido café tomado na sede e foram para a roça, avaliar o problema.

 

A primeira hipótese, lagarta elasmo, foi descartada pois as plantinhas de arroz nem sequer murchavam, e apesar da seca de alguns dias estavam firmes e bem enraizadas. A segunda hipótese, de alguma deficiência de micro elemento como zinco ou toxidez de ferro, também foi descartada, pois não havia áreas encharcadas e nem fora aplicado calcário naquele solo. Seguiam rodando a área ao acaso, e as observações mostravam que havia manchas em que o problema era maior. Analisando mais a fundo, percebia-se que os sintomas apareciam nas plantas maiores, com predominância em partes onde o solo era mais arenoso. Até que finalmente numa parada onde o solo era muito arenoso, daquela areia fininha, tudo se esclareceu : notaram pequenos desenhos na superfície da areia fina, círculos, semi círculos, parábolas. Todo o problema era causado pelo vento, que soprava impulsionando as folhas maiores do arroz, curvando-as até alcançarem o chão arenoso, fazendo os desenhos na superfície lisa com suas pontinhas, que no contacto com a areia feriam-se e secavam. As plantinhas menores não tinham o problema, pois as folhinhas ainda não alcançavam o chão. E o sintoma perdurava, parecendo praga ou doença, por causa da seca, que retardava a emissão de novas folhas, que viriam recuperar a cor verde da lavoura, o que aconteceu em poucos dias, depois de uma boa chuva.

 

Alívio geral, enquanto o sócio do patrão, bem a seu modo, pulava em círculos imitando um macaco e gritava : "Eu sou mais burro que um macaco, como é que eu não vi isso antes?"


Marcio Joao Scaléa (Pinduca F68) é Engenheiro Agrônomo ex morador da Republica Mosteiro

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