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Para gerar é necessário mecanizar (Hulq, F-99)

19/10/2018 - Por marco lorenzzo cunali ripoli
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(Artigo publicado na Revista Plant)

Gerar energia elétrica a partir do palhiço da cana não é nada de novo.  No final dos anos 80, o Prof. Tomaz Caetano Cannavam Ripoli, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, já começava a estudar um modelo de recolhimento deste material para fins de cogeração de energia elétrica de forma sustentável e limpa.  Chamado de louco por uns e visionário por outros, mal sabia que sua pesquisa poderia ajudar o país com a meta de redução das emissões de carbono em 37% até 2025, hoje contemplado no RenovaBio, como parte importante no Acordo de Paris (2015).

De acordo com informações extraídas do Projeto Sucre, o potencial de geração de eletricidade advindo do palhiço de cana-de-açúcar é superior a 35 TWh anuais, o suficiente para fornecer energia elétrica a mais de um quatro residências no Brasil ou quase todas as 28 milhões de residências do Estado de São Paulo segundo relatório do Balanço Energético Nacional.

A cana-de-açúcar colhida mecanicamente já representa por pouco mais 8% da geração de energia elétrica total no Brasil.  Com o incremento da utilização deste palhiço, a participação na matriz energética oriunda do setor poderia ser elevada de 6%, atingindo importantes 14%.  

No final do ano passado publiquei uma análise, infelizmente pessimista do que eu esperava para a safra atual 2017/2018, onde mencionei uma nova quebra de produção, uma moagem inferior a ~580 milhões de toneladas no Centro-Sul, com produções de açúcar de ~35 milhões de toneladas e ~24,5 bilhões de litros de álcool.  Com queda no ATR da cana cai no acumulado para 78,0 milhões de toneladas e o Kg de ATR por tonelada de cana não ultrapassaria os ~134,50, com um mix de produção alcooleiro a ~54%.

De olho nas variedades mais plantadas no país, a produção de palhiço é em torno de 135 kg por tonelada de cana, o que reforça o incrível potencial que está nas mãos do setor na cogeração de energia limpa e renovável, sendo responsável pela redução de 2% as emissões totais de gases de efeito estufa do Brasil por ano. 

Ao fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas (John Deere, Case IH e Valtra) o meu recado, que vem embasado pelo setor, é que continuem a investir em melhorarias no que tange não apenas a qualidade do sistema de limpeza das máquinas, para redução das impurezas de carga transportada para a usina, mas também em todo sistema produtivo, trazendo soluções que ajudem os produtores rurais e as usinas a se tornarem mais competitivos no mercado, por meio de máquinas mais eficientes. 

No que tange o processo agrícola de recolhimento de palhiço dos campos há muito o que ser realizado, ainda estamos longe do ideal.

O Agro não para!

 

* Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, empreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria, da ENERGIA DA TERRA empresa de alimentos saudáveis e investidor de empresas.

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