Blog Esalqueanos

Ou Pira ou se Acaba (Pikira; F87)

26/05/2020 - Por cesar figueiredo de mello barros
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

722 views 18 Gostei 0 Não gostei

Na infância, era um lugar meio mágico, com um restaurante-navio-castelo do tombadilho pendurado sobre a cachoeira fedorenta e majestosa. Do casarão de janelas verdes, com seu lúdico porão de almofadões e pé-direito de anão, da minha tia-irmã mais velha, habitada por moças meio malucas que criavam a cobra Catarina numa caixa de sapatos e colecionavam besouros e borboletas.



Na adolescência, a mitológica Amsterdã paulista da menina Eda, a Canaã possível que jorraria cerveja gelada e liberadas namoradas românticas, terra onde lendários antepassados agrônomos remavam no rio, um quase paraíso de repúblicas e bares na zona portuária, sexo, drogas e mpb.



Pouco depois, a juventude colorida e alegre, dos anos, sem dúvidas, mais divertidos, irresponsáveis e de marcantes experiências da minha vida, onde até estudei agronomia, ao menos alguns conceitos básicos, o jargão do agronomês e o discernimento técnico para procurar as respostas certas para as questões todas (não só, mas também as profissionais) que a vida pergunta.Tudo entremeado com a farra, a esbórnia, a música de qualidade, e o sentimento de pertencimento que perdura, a sensação de ser da tribo eleita que revoluciona, para melhor, o país e o mundo a partir dos campos e pastos, eia, avante, pois. E principalmente, os muitos, diversos e formidáveis amigos, pra sempre.



Agora, no outono da maturidade, despencando rumo à infância da velhice, me parece que passou um pouco do ponto. Continua mais pujante, cosmopolita e culta que outras do mesmo porte e geografia humana, é certo, acho que consegue preservar mais ou menos sua história e tradição peculiar, seu quase dialeto próprio, mas cresceu, sinto, inchou demais, ninguém conhece ninguem, é a impressão que tenho.



Naturalmente sinto falta das minhas referências demolidas, casas que morei, do Calq, do bar-escritório do João na Carlos Botelho, do Rivoli e do Tiffany, do Décio e do Cridão, da cantina do Vardi e da Dedé, o educado garçom Claudinho do Celso virou (bom)restaurante, mas o parmegiana do Ortiz continua imbatível, da pizza de domingo vestindo pijama no Flamba, do chope do Brasserie, que fechava as quintas, do Salão de Humor no teatro, Pilequinho e Saravá parece que resistem, o pastel do mercado ainda é bom, mas a Rua do Porto perdeu muito glamour, turistizou-se, nunca cumprirei a promessa maratonistica de um trago em cada estabelecimento seu. Até a minha, a sua, a nossa Gloriosa nascida da montanha, somos todos meio donos do gramadão, continua sempre-linda, acréscimo de um ou outro edifício modernoso e feioso, mas sem o Ruca´s e seus democráticos murais, parece meio distante, impessoal. Paciência, que se há de fazer?.


César Figueiredo de Mello Barros (Pikira F87) Engenheiro Agrônomo, Ex Morador da Republica Avarandado


PUBLIQUE NO BLOG!
PUBLICIDADE
APOIADORES