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Obrigações Curriculares (Drepo F70)

02/12/2015 - Por eduardo pires castanho filho
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Tirante a magistral aula do Prof. Piza, referida em causo passado, algumas atividades acadêmicas ficaram marcadas para sempre.

As aulas sobre Mitscherlich com o prof. Pimentel apavoravam qualquer mortal e era quase obrigatório decorar aquela sucessão de fórmulas, dedução se chamava, porque fatalmente cairia no exame. Dito e feito. Quem decorou passou, quem não decorou se estrumbicou.

        As "deduções" da fotossíntese e do ciclo de Krebs, no "reinado" do prof. Crócomo também foram de lascar. Que diferença para o Arzolão e seus cromatógrafos, quando ele já dizia das maravilhas das crucíferas e brassicácias, talvez embalado pela paixão que, diziam, sentia por uma aluna morena.

Para lembrar, de raspão das fanerógamas sifonógamas do prof. Accorci, que ao pronunciar a segunda palavra já induzia ao sono, naquela sala semi penumbrosa da aula de Botânica de depois do almoço.

Já o prof. Adiel gostava de chocar com suas cobras que espirravam veneno no tubo de ensaio e com as dissecações de rãs que ficavam com o coração batendo mesmo depois de abertas.

As aulas de régua de cálculo com o prof. "log- log" eram um perigo já que ele, às vezes, perdia o controle da régua central. Já as máquinas de calcular trepidavam tanto que precisavam de um para digitar os números para os cálculos e outro para evitar que escorregassem da bancada.

As manobras com tratores e carretas invariavelmente faziam com que o aprendiz virasse o volante para o lado errado, por mais que o instrutor dissesse o contrário.

Difícil também era fazer as enxertias, alporquias e outra "porcarias" darem certo, principalmente porque ninguém sabia amolar aqueles canivetes.

As pedras da Geologia eram um suplício já que eram todas "iguais", menos nas provas.

E as aulas de solda então? Mais complicadas do que calcular as elipses corretas para fazer os tubos em Y para os misturadores de adubo ou sementes polvilhadas.

Ficaram na memória também as aulas de zootecnia com castração de porcos. Eram talvez, as aulas mais sonoras da ESALQ e uma colega desmaiou durante a operação.

Outra coisa que invariavelmente dava problema era acertar as proporções do torrão paulista que, ou ficava duro demais, ou esfarelava.

Aula prática de horticultura, um solão de rachar. Na beira do canteiro o tema era: o alho! Professor especializado em mangarito, planta quase em extinção, mas extremamente saborosa, é quem dá aula. Explica pra lá, explica pra cá, ninguém aguentando mais, um gaiato faz uma pergunta enrolada, só pra deixar o mestre em maus lençóis. Ele se saiu com esta pérola: "Sou especialista na parte aérea do alho", com sotaque bem piracicabano. Depois se soube que era verdade. Sua tese havia sido sobre esse subtema.

Duro era fazer um polígono "fechar" nos levantamentos de topo. Principalmente quando a equipe não era muito chegada e o perímetro pegava uma beira de rio. Teve gente fugindo de cacho de marimbondo e esquecendo o teodolito e a régua pra trás!

Pior do que isso era calcular as tesouras de telhado nas aulas (e provas!) de Engenharia. Haviam abnegados dizendo que seria possível!

Uma das matérias mais divertidas foi no 4º ano: tecnologia de alimentos. Era de fato um contato com um novo mundo agronômico, aquele da pós- produção, da porteira da fazenda para fora, embrião do agronegócio. Não havia essa cultura ainda, de entender o "agribusiness" como uma cadeia: isso tinha surgido nos USA em 1958 e ainda era uma proposta acadêmica.

Mas de qualquer forma as aulas eram bastante interessantes, inovadoras e, sobretudo, práticas. Liofilização, congelamento, supercongelamento, esterilização, fermentação, pasteurização e o melhor, a fabricação de conservas. Principalmente as de lata. Compotas, picles, molhos e o supremo de todos: o katchup!

Fizemos um montão dele, porém por alguma razão "obscura", não conseguimos degustar nenhum. As latas foram ficando estufadas, estufadas, e, bum!

Até hoje tenho trauma de conservas.

A realização do Fórum Estudantil, durante uma semana, na qual se discutiu a fundo uma reformulação radical na Escola foi um marco da geração de 68. O prof. Gallo, com toda dificuldade de comunicação que lhe era peculiar, foi um dos maiores entusiastas do evento. Terminou- se com o quinto ano e se fizeram uma série de adequações pedagógicas entre as quais, não se sabe se positiva ou não, o término das aulas teóricas com turmas A e B.

 Eduardo Pires Castanho Filho (Drepo F70) Engenheiro Agrônomo, Ex morador da Republica do Pau Doce

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