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O Solo Desta Pátria perde seu Filho mais Gentil (Alfinet)

10/09/2015 - Por rodolfo tramontina de oliveira e castro
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Um amigo meu costuma brincar que o invento do pendrive fez mais pelo meio ambiente do que todos os ambientalistas juntos.

Nada contra os que advogam a favor do meio ambiente, mas a solução não se dará só via impedimentos, restrições e leis, e sim através de inovações tecnológicas.

Bom... nem sempre tão tecnológicas assim, como nos ensinou “Seu Nonô”.

Manoel Henrique Pereira, o Nonô, foi o “descobridor" de uma técnica de semeadura batizada de plantio direto, na qual a semente é colocada diretamente no solo sem que este precise ser revolvido.

SeuNono2.jpg

Pode parecer pouca coisa não revolver o solo. Entretanto, basta observar uma aração e gradagem niveladora ou ler o primeiro significado da palavra no dicionário* que compreende-se não se tratar de uma operação carinhosa.

Junto com os produtores Herbert Bartz e Franke Dijkstra, Nonô passou a difundir a técnica no Paraná no início dos anos 70. Dali em diante a técnica só ganhou adeptos; subiu para o Cerrado (acompanhando os grãos) e hoje ocupa uma área estimada em 35 milhões de hectares (metade da área agrícola do país).

O plantio direto se caracteriza por manter no solo grande quantidade de matéria orgânica, basicamente incorporando restos de colheita da safra anterior e raízes vivas. Segundo a FAO, “existe mais carbono orgânico no solo do que na atmosfera e vegetação somados”.

A mesma organização estima que mundialmente em 1 metro de solo existe 1.417 bilhões de toneladas de carbono, enquanto na vegetação acima da superfície 456 bilhões. Valores à parte, a matéria orgânica no solo possui um papel crítico em sequestrar e aprisionar CO2 da atmosfera. Ainda mais em tempos de crise ambiental.

José Graziano da Silva, brasileiro Diretor Geral da FAO, disse certa vez: “o solo possui diversas funções que comumente passam desapercebidas. Solos não tem voz, e poucas pessoas falam por eles. São nossos aliados silenciosos na produção de alimentos”.

Infelizmente, no eleito ano do solo pela FAO esse bem tão precioso perdeu uma de suas maiores vozes: Seu Nonô.

***

Escrito em homenagem ao Manoel Henrique Pereira falecido na última terça aos 76 anos, e que com tanta gentileza tratou os solos desta pátria.

*Mover de baixo para cima, de um lado para outro ou em várias direções e sentidos.

Rodolfo Castro (Alfinet - F09) é Eng. Agrônomo, Fundador da fmk agro e ex morador da República Kangaço

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