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O Setor Canavieiro Colombiano (Hulq; F99)

23/05/2018 - Por marco lorenzzo cunali ripoli
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Este mês de Maio/2018 tive a oportunidade de visitar pela quinta vez a região canavieira da Colômbia, denominada Valle del Cauca. Nesta ocasião fui convidado para ser um dos palestrantes da EXPOCAÑA 2018, evento internacional organizado pela PROCAÑA, onde tratei de compartilhar as ultimas novidades em termos de recolhimento de palha de cana-de-açúcar para fins de cogeração de energia elétrica e, também, comentar o atual cenário do setor brasileiro. O evento foi sua terceira edição e contou com a casa cheia! Um sucesso...

A PROCAÑA (Asociación Colombiana de productores y provedores de caña de azúcar) é a entidade cuja missão tem por representar os produtores de cana-de-açúcar frente as entidades publicas e privadas da Colômbia, promovendo a sustentabilidade social e econômica do setor agroindustrial por meio de programas de melhoramento continuo que estimulem a inovação e contribuam com o desenvolvimento do pais. São geradores de opinião, projetos e políticas que impactem positivamente os indicadores de sustentabilidade social e ambiental do setor canavieiro colombiano.

Fundada em 1973, a entidade completou recentemente seus 45 anos, composta por 405 membros com mais de 72.000 hectares associadas, é certificada pela norma Icontec ISO 9001, faz parte da comissão da Sociedad dos Agricultores de Colombia (SAC) e da "Asociación Mundial de Cultivadores de Caña de Azúcar y Remolacha WABCG".

A PROCAÑA conta com dois grandes líderes em capacidade profissional, reconhecimento e carisma que tenho o prazer de ser amigo, o Sr. Carlos Hernando Molina Durán como o Presidente da junta diretiva da entidade e Sra. Martha Betancourt, Diretora Executiva, que em conjunto com demais diretores realizam diariamente o grande trabalho de mover o setor canavieiro Colombiano.

Estrategicamente localizada em Cali, cidade onde se concentram as centrais dais operações da agroindústria da cana-de-açúcar, que incluem a produção de açúcar, melaço, etanol, e energia e, conta também com a interação de outros importantes atuadores do setor como: ASOCAÑA (Asociación de Ingenios y produtores de caña), CENICAÑA (Centro de Investigación y desarollo fundado por ASOCANÃ y provedores de caña) e TECNICAÑA (Instituición técnica).

De acordo com o CENICAÑA, o Vale do Cauca reúne aproximados 240.000 hectares de cana-de-açúcar, com 13 usinas (proprietárias de 25% da área plantada) com capacidade de moagem de 95.000 toneladas por dia e ~2.750 produtores (proprietários de 75% da área plantada). Por ano, são 24 milhões de toneladas de cana produzidas, gerando 2,3 milhões de toneladas de açúcar e 400 milhões de litros de álcool.

O CENICAÑA informa que a cultura de cana-de-açúcar tem alto potencial de captura de CO2 e no Vale do Cauca é responsável por retirar da atmosfera o equivalente produzido por 2,6 milhões de pessoas ano (56% da população de todo o Vale).

Para o Ministério de Minas e Energia da Colômbia, o programa de Bio-etanol Colombiano oriundo da cana tem por objetivo reduzir 74% das emissões de gases de efeito estufa no país, o que é maior quando comparado aos índices do Brasil (65%), União Europeia (53%) e Estados Unidos (10%).

Segundo a ASOCAÑA, são doze as unidades de cogeração de energia elétrica que produziram em 2015 ao redor de 237 MW, tendo 78 MW excedentes exportados ao sistema elétrico do país gerando maior renda so produtor. Para 2018, a expectativa é chegar em 337 MW de energia, gerando um excedente para comercialização de 152MW.

Um dado interessante compartilhado pela FEDEPANELA e FEDEARROLLO é que o cultivo de cana na Colômbia enquanto gera emprego em 27 municípios diferentes, sendo 1.200.000 pessoas beneficiadas no setor sucro-alcooleiro e 1.400.000 de pessoas no setor de melaço (conhecido localmente como "Panela").

Um último dado interessante, quando comparamos o volume de palha produzido pela cultura da cana na Colômbia com a realidade brasileira levando-se em consideração a localização geográfica, regime hídrico, horas de etc, enfim dentre outros fatores edafoclimáticos, existe uma disponibilidade de palha 4 vezes maior. No Brasil a média é de 14 a 17 toneladas por hectare versus 60 toneladas por hectare na Colômbia. Isso traz maior desafio para o manejo deste resíduo de pós-colheita, porém trás também muita oportunidade.

Um exemplo disso, é a empresa SMART ENERGY que vem desempenhando um papel (leia-se trabalho) inovador no país que trás uma solução de recolhimento de palha. Meu grande amigo, Jorge Domingues Navia hoje é um dos proprietários desta empresa e inovadores na prestação deste tipo de serviço no Vale.

A cana-de-açúcar é o combustível do país para uma melhor economia! Vamos acelerar o Agro!

Saludos cordiales!


*Marco Lorenzzo Cunali Ripoli é Ph.D., engenheiro agrônomo e mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, empreendedor, inovador e mentor. É proprietário da Bioenergy Consultoria e da Energia da Terra, empresa de alimentos saudáveis.


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