Blog Esalqueanos
O que o erro da Nike mostra ao Agro? (Hulq, F99)
25/03/2026 - Por marco lorenzzo cunali ripoliAtenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.
A Nike volta a errar — e não é sobre uma camisa:
- É sobre estratégia.
- É sobre liderança.
- É sobre perder conexão com quem realmente sustenta o negócio.
Nos últimos anos, a empresa viu seu valor sair de US$ 177 para cerca de US$ 53 por ação.
- Queda relevante. Pressão real. Mercado respondendo.
- Não existe relação direta com um uniforme.
- Mas existe, sim, um padrão.
Quando marcas globais começam a priorizar narrativas para agradar minorias altamente vocais — muitas vezes desconectadas do consumidor médio — o risco não é reputacional.
É comercial.
A parceria com a CBF no novo uniforme escancara isso:
- Decisões criativas desalinhadas com o sentimento da maioria
- Comunicação voltada para dentro de uma bolha
- Execução que falha até no detalhe básico
Isso não é sobre “ser moderno”:
- É sobre perder a leitura de mercado.
- E aqui está o ponto que o agro precisa prestar atenção:
Esse movimento não está só nas grandes marcas globais.
Ele começa, silenciosamente, a aparecer dentro do próprio agronegócio.
Empresas trocando:
- Mais discurso. Menos entrega.
- Mais agenda. Menos produtividade.
No agro, isso não se sustenta.
Porque aqui a régua é outra:
- Safra não espera ideologia.
- Margem não aceita incoerência.
- Produtor não compra narrativa — compra resultado.
Quando uma empresa — seja uma multinacional ou uma marca do setor — começa a falar mais para bolhas do que para quem está no campo…
Ela começa a perder relevância.
E o risco é claro:
- Desconectar do produtor é o primeiro passo para sair do jogo.
O agro brasileiro cresceu por um motivo simples: foco em eficiência, tecnologia e resultado.
Não foi por discurso.
E o ponto mais crítico: Cultura não pode substituir performance.
Empresas que trocam foco em produto, entrega e cliente por agenda, discurso e validação social… cedo ou tarde pagam o preço.
A Nike não está sozinha nisso.
Mas está virando um case emblemático.
O Agro não para!
Marco Ripoli é PhD em Máquinas Agrícolas, diretor da Bioenergy Consultoria e consultor-associado da PH Advisory Group.