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MORREU MEU TATU BOLA (Drepo F70)

10/09/2016 - Por eduardo pires castanho filho
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"Morreu meu tatu bola, filho do meu tatu bolinha/ deu mofo no meu saco, ô no meu saco de farinha/ eu fiz uma viagem, a qual foi pequenininha/ sai de Olhos d"Água, fui até Alagoinha"... Essa era a música cantada quase todas as s noites na Rua do Porto, no ano da formatura, em 1970. E com ela ainda na cabeça o agricolão procurava freneticamente emprego. Até ao Rio de Janeiro foi, buscando colocação no recém criado IBDF. Nada. Foi corretor de imóveis por um fim de semana, onde aprendeu que se deve enganar tanto o comprador como o vendedor.

No final do ano apareceu um frila para um banco. Fiscalizações de crédito rural no Pontal do Paranapanema. Entre Teodoro Sampaio e Rosana, local quase intransitável. Na época o "4X4" era o bom e velho fusca. Verificar se um gado financiado havia sido comprado, e existia! O proprietário sumira e o administrador mostrava, com o mesmo empenho, o mesmo lote várias vezes. - " que mais que o dotôzinho qué vê?" Engrossar o caldo naquelas circunstâncias não era recomendável. Vai pro relatório e o banco que tome as providências. Foi um início profissional meteórico.

Acabou sendo convidado por um colega da A-68 para trabalhar como repórter agrícola no "Correio Agropecuário", jornal dirigido por Mário Mazzei Guimarães e voltado para as lides agropecuárias. Cobriu feira de ovos em Bastos, laticínios em Patrocínio Paulista, fórmio em Ibiúna até ser convidado por um pessoal de Santos a trabalhar numa empresa de reflorestamento com incentivos da Lei 5106 e investimentos na Amazônia Legal com incentivos da SUDAM. Interessante ver como funcionavam esses processos: a busca por investidores, os projetos junto ao IBDF e SUDAM, os "correntões" revirando o cerrado para o plantio do pinus, os "gatos" desmatando as florestas. Em Iepê, SP, fez uma agrofloresta de pinus com mandioca, que acabou causando pânico ao ser avisado que havia uma incompatibilidade nessa consorciação, já que a mandioca poderia contaminar as raízes dos pinus. O susto só passou quando se certificaram que isso só acontecia com pinus temperado e os plantios eram de tropicais. Ufa! Na época fez um curso de pastoreio racional, o método Voisin e implantou dois projetos, com estruturas hidráulicas e viárias para pastagens, que deram bons resultados e muita polêmica.

Mesmo depois de muitos anos e já como pesquisador, nunca deixou de ter uma ponta no campo e experimentou de tudo um pouco. Algumas com resultados desastrosos, outras positivos. O jardim de porta enxertos de seringueira foi degustado por um lote de novilhas, que não deixou nem os talos. Os carneiros comiam o que encontravam pela frente, da horta dos vizinhos à reserva florestal, tinham cara inchada pela ingestão de bracchiaria, e os borreguinhos morreram de frio quando as ovelhas pariram em local inapropriado, fora ter que espantar cachorro a tiros.

E quando o "administrador" ligava, então: "tudo bão dotô? Aqui tá tudo bem... Sabe o trator... Pois é. O Lingüiça veio aqui e disse que os embuchamento precisa de fazê." Noutro dia: "tudo bão dotô? Aqui tá tudo bem... Sabe o poço, pois é. A bomba num tá mais funcionano e o letrecista disse que precisa trocar o enrolamento." No seguinte: "tudo bão dotô? Aqui tá tudo bem... sabe as novilha? Pois é, elas invadiram o canavial da usina. O estrago foi grande. Eles ficaram de ligar pro dotô." E assim vai a vida. O milho, plantado dentro da mais refinada técnica, tava indo pros quiabos, quando uma chuva miraculosa caiu estrondosa dia 31 de dezembro. Literalmente salvou a lavoura!

As novilhas, financiadas pelo BB, pariram todas, cobertas por touros selecionados. Acompanhamento veterinário, suplementação na seca, mineralização balanceada. Na hora de vender os bezerros foi preciso embrulhá-los junto com as mamães pra poder pagar o banco. Falaram em maracujá, bicho da seda, banana maçã, porco, tilápia, gigante da malásia. A falta de tempo salvou o agricolão. No fim a cana foi o melhor, apesar dos problemas ambientais.

Ainda bem que o tempo era curto.

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