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Mochilas Portenhas (Drepo F70)

12/04/2016 - Por eduardo pires castanho filho
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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1969, no início do 4º ano da ESALQ, Catarina e Drepo fizeram uma viagem de carona pela América do Sul, começando pelo Uruguai, indo para Argentina, Chile e Bolívia. Conheceram as faculdades de Agronomia desses países onde, invariavelmente, foram muito bem recebidos e “obrigados” a tomar muito viño e jogar futebol, não necessariamente nessa ordem.    

A viagem começou em Florianópolis, no dia 8 de janeiro de 1969. O pai do Moacir- Catarina os deixou na rodovia que subia a Serra, e logo pegaram uma carona com um Japonês de Florianópolis até Vacaria, com direito à pousada no Hotel do seu Osmundo. Construção típica do planalto sulino, hoje quase em extinção. Toda de madeira com dois andares, e muita pulga.

De Vacaria foram até Guaíba com o mesmo japonês. Na serra gaúcha acompanharam, nas inevitáveis paradas, a vindima e comeram bastante uva. De Guaíba até sete kms antes de Pelotas, contornando o sul da Lagoa dos Patos, foram com Lauro, num caminhão Ford bem passadão, no qual tiveram boas conversas sobre tomar cerveja e urinar. “Se não urinasse logo era problema”. Sábio o tal do Lauro. Chegando a Pelotas foram caroneados por um casal bichoso (ô época politicamente incorreta!) em um Simca, que os deixou no centro da cidade. Pousaram na Casa do Universitário. Dia seguinte, carona de ônibus até a ponte do Rio Grande. Daí até Quinta com um gaúcho típico de Fênêmê, bombacha e chimarrão.

De Quinta até o Chuí a carona foi com um cara chamado Talaier e mais dois porto alegrenses. Dormida na Comissaria de Polícia com mais cinco mochileros argentinos que iam para o Brasil. Foi o primeiro contato com o castelhano e com enxames de pernilongos. Não se entendia bulhufas e nem se dormia. Do Chuy seguiram até o Parque Nacional de Santa Tereza de caminhão, com um conjunto musical. Jantaram com dr. Komet e esposa, casal argentino “progressista” de meia idade, e pousaram no Club Militar. Dia seguinte arrumaram viagem com uma família de São Paulo (dr. Orestes, cujo motorista era o Luiz, grande cara) com uma C-1416 – Veraneio de quatro bancos, e foram de Santa Tereza até Montevidéu, passando por Rocha.

Logo que chegaram a Montevidéu dormiram nas “carpas” (barracas de banho) da praia de Pocitos, uma das mais freqüentadas da capital. Depois  rumaram para a Escola da Agronomia e ficaram alojados no quarto “Inti Peredo”, onde acabaram tendo contato com tupamaros, o que acabou sendo uma grande coincidência, porque  o tal quarto era o alojamento de um deles. Seguiram de Montevidéu até Rosario num caminhão. Depois noutro caminhão até Juan Lacace e, num carro, até Colonia Del Sacramento. Nesse percurso estiveram acompanhados todo “el dia” por José Luiz, estudante de medicina uruguaio. Dormida na Comissaria de Policia com trocentos pernilongos. De Colonia rumaram à B. Aires de ferry (única foto da viagem).

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Da Argentina guardaram poucas lembranças boas. Em Buenos Aires foi uma dificuldade para conseguir alojamento. Dormiram uma noite na Recoleta, Plaza Comandante Alvear, ao relento, juntamente com um gato negro e foram acordados de madrugada pela policia, que os expulsou da praça. Na seqüência foram para o abrigo do Exército da Salvação. Encontraram com o Alemão (do 3º ano), no Hogar de los Viejos.

Tentaram sair de B.Aires por Pilar, passaram o dia inteiro na saída da estrada, esticando o polegar e nada. Voltaram, encontraram um hotel e dormiram quase 24 horas numa pancada só. Voltaram outra vez ao abrigo e no dia seguinte arriscaram uma ida à praia de Saint Tropez. Nas palavras do Catarina: ”não é praia, é lama+grama+água suja. Milhões de portenhos em dois hectares de lama. Música moderna e mulheres perfeitas”. Dormida outra vez no asilo do Ejercito de Salvación, com “80 velhinhos, 40 tipos de roncos e 50 de tuberculose pigarrosa”. Foram acordados às 6 horas para fazer a barba e cantar hinos religiosos. Desistindo da carona, compraram passagem de trem para Mendoza e embarcaram numa viagem de 18 horas, cruzando a Argentina de leste a oeste.

Adiós Buenos Aires!

Eduardo Pires Castanho Filho (Drepo F70) Engenheiro Agrônomo, Ex morador da Republica do Pau Doce 

 
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