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Mídia Social e o Risco de Colapso na Sociedade

14/01/2021 - Por alberto nagib vasconcellos miguel
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Por anos venho comentando com amigos como a lenta mas inexorável perda de biodiversidade e o acúmulo de capital (não riqueza, que são duas coisas muito diferentes) vai nos levando ao colapso da civilização. 

Isso não é novidade. Desde que as primeiras vilas apareceram, no momento em que o homem passou a viver de forma mais sedentária, depois de dominar as técnicas mais rudimentares da agricultura e começar o processo de seleção de grãos e animais que eram convenientes, toda forma de estrutura social ao longo destes 10 mil anos acabou em colapso. 

Ao final, ou ocorreram mudanças drásticas nas condições ambientais da região daquele agrupamento, ou ocorreram revoluções sociais.  As condições ambientais podem ter mudado por ação humana ou simplesmente por grandes catástrofes naturais, tais como a erupção de um vulcão, a queda de um planetesimal ou secas drásticas. 

O fato é que o ser humano não apareceu a milhões de anos atrás para viver em sociedades imensas como as que vivemos hoje. Estudos mostram que o tamanho máximo de bandos era por volta de 150 pessoas e que acima disso ocorria uma "debandada". Nos tempos modernos, podemos ver isso ocorrendo em alguns grupos sociais, apesar desta ocorrência parecer ser mais ligada a motivos econômicos do que sociais. Talvez. Exemplos são Menonitas, Huteritas e afins. Suas colônias raramente ultrapassam a marca de 150 membros. Depois disso, novas terras são adquiridas e uma nova colônia é fundada.

Depois de vilas, cidades estado e impérios foram fundados. Todos tiveram o mesmo destino: o colapso. Uma vez mais as causas podem ter sido as descritas acima, mas se observarmos os fundamentos da sociedade atual podemos entender que o aumento no número de membros destas sociedades modernas foram sempre sustentados por causas sociais, cujo objetivo era unir a população em torno de uma entidade, ente ou objetivo comuns, todos de conotação abstrata. 

Essas entidades abstratas (Rei-Sol, Pátria, Império, Divindades, Religiões, Empresas, pode nomear o que quiser, desde que não seja algo "palpável") são usadas nos nossos tempos modernos com o intuito de unir grandes congregações que, de outro modo, inevitávelmente estariam fragmentadas em diversas facções.

Vem daí, o papel atual da mídia social. Em recente encontro sobre a Liberdade da Imprensa, muitos dos mais perseguidos jornalistas atuais que tem a audácia de se colocar contra o poder por vezes autoritário de alguns países, tais como nos USA com o Trumpismo, e Indonésia, vêem o papel da mídia social como fator preponderante na desagragação dos poderes constituídos, das estruturas societárias adquiridas e outrora respeitadas, na disseminação de boatos, na destruição de mitos, muito importantes na aglutinação social, cujo papel é o de criar sentimento nacional ou regional. 

Exemplos brasileiros seriam Zumbi ,Pelé, Airton Senna, Silvio Santos e outros cujos passado e presente são dissecados e expostos como forma de "derrubá-los" de seus respectivos pedestais, tal como ocorreu com as estátuas de heróis americanos do passado.

O colapso dos impérios passados, já exposto em um artigo anterior, nunca foi determinante para a sobrevivência da espécie humana, já que sempre foram eventos regionais. A nossa civilização atual, porém, é mundial. Pouco importa em qual país vivemos, as consequências de atos praticados em um país longínquo, já sabemos, afeta a todos. Socialmente ainda temos colapsos regionais (iguais aos que estamos assitindo nos EUA, mas que deve ser contido com a ajuda da mídia escrita e falada), mas fatores ambientais estão alterando a sociedade em escala mundial (imigração maciça de habitantes de áreas áridas para os outros países do mundo são a mais clara alteração visível hoje em dia).

A sociedade mundial está se aproximando de um momento (se já não passou) cujas consequências vão ser sentidas pelas próximas gerações. Não sei dizer se tais consequências serão boas ou ruins, mas as nossas ações vão ditar qual caminho seguiremos.

Poderemos ter a implosão total da sociedade constituída (e aqui, uma vez mais, a mídia social terá papel preponderante) e uma nova reorganização. Essa reorganização poderá ter tremenda influência nas liberdades individuais. A ponta de lança foi a completa aniquilação de Donald Trump, presidente do país mais poderoso do mundo (e, como os americanos gostam de dizer, líder do mundo livre), amordaçado por todos e incapaz de atingir seus seguidores em massa (sua conta no Twitter tinha 88 milhões de seguidores). Se isso foi possível com ele, que dirá conosco?

O repensar de nossa sociedade e a influência que essas mídias poderão ter sobre nossas vidas e nossas decisões futuras (os algoritmos estão aí, analisando cada ato que fazemos em nossos smartphones, nossas plataformas, nossas procuras no Google, etc) está, como sempre, em nossas mãos. Nós somos responsáveis pelo poder que eles obtém e pela forma como nos conduzimos.

Todos nós precisamos voltar às mesas e discutir com profundidade os rumos que queremos, como organização societária, tomar para que nossos direitos individuais sejam respeitados, mas que para isso precisaremos respeitar o direito individual dos outros. E monitorar, aos invés de sermos monitorados, os que detém tecnologias capazes de destruir nossa sociedade.

Nós passamos do ponto de nos mantermos alijados desta situação, posto que afetará a todos. Discussões rasas e vazias não vão nos ajudar na decisão de como será nosso futuro, mas ajudarão tremendamente uma situação de total controle, cujos primeiros sinais já aparecem em nossas vidas diárias.

Boa sorte às novas gerações. O seu futuro, de fato, está em suas mãos.

 

 

 

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