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Melhores Anos de Nossas Vidas (Pikira F87)

20/09/2015 - Por cesar figueiredo de mello barros
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Diz a lenda que existiu, ali no sopé do Monte São João, onde se inicia atualmente a Av. Carlos Botelho, a mitológica Republica do Avarandado. Suas origens e ideias remontam ao Império Romano, tendo sido refundada no ano 78 d.C. pelos valorosos  Sucuri, Flor, Figura, Queixadinha e o saudoso Bodão, os bixos Mutreta e Jurema (irmão da cantora new wafe Virginie, do conjunto Metrô, três anacronismos que vocês podem procurar no Google para saber que fizeram sucesso tempos atrás) e inspirados pelo sábio filósofo contemporâneo Telesp, autor, entre outras, da célebre máxima “mais vale um bom lugar na prova do que horas e horas de estudo”. Telesp, primeiro e único, foi  naqueles tempos pré-cibernéticos, editor do diário Jornal do Bebedouro, onde mantinha a coluna social “O que você perdeu ontem”, e batizou e registrou em cartório como nome da propriedade rural de sua família “Matema II”, em homenagem a disciplina que cursou reiteradas vezes, antecessora da atual Calculo I.

Dos fundadores, os que não eram músicos, desafinavam com galhardia em serenatas e saraus etílicos, razão pela qual batizaram o imponente solar de três pisos adornado por numerosas sacadas e alpendres de Avarandado, canção bossa nova do Caetano gravada por João Gilberto (ou o contrario, sei lá) que também foi interpretada por Gal Costa e Ivan Lins.

Em celebração ao Deus Baco, e inspirado na comédia “Clube dos Cafajestes” (assistam o filme, e terão uma idéia muito mínima e atenuada do que foram aqueles festejos pagãos) Telesp 1º et alii decretaram e instituíram, sempre na ultima sexta feira letiva do ano, a Festa da Toga, traje obrigatório  para os patrícios moradores das republicas (normalmente improvisada com um lençol, toalha de mesa ou cobertor) Era open free bar (boca livre pros antigos) com ótimo som de gravador de rolo e quantidades verdadeiramente bestiais de batidas secretas e aguardentes especialidades da casa, preparadas pelo nosso druida Leléo Natal. Desde a sua primeira edição, os bárbaros vestidos de sacos de juta e aniagem,   moradores da Casa do Estudante, nativos e de outras paragens e planetas, desciam a Av. Carlos Botelho armados de lanças, aríetes e archotes, além de muita birita,  e invadiam nossa festa por volta de meia-noite, sendo rechaçados com jatos dágua, e melancia-javali . Nunca houve vencedores ou vencidos nestas batalhas (ou ninguém se lembra, talvez) que chegaram a congregar umas 400 pessoas. A preparação da festa, que incluía até pré-estreia convite às estudantes da Unimep bem na ultima semana de provas, rendeu varias reprovações a quase todos moradores, mas muita diversão e até algumas namoradas. Nas ultimas edições, o lombardo-argentino Inocente, construiu na serraria marcenaria da Floresta eficaz catapulta, que disparava sacos de agua a dezenas de metros e só não chegou a causar danos aos vitrais da Avarandado porquê nesta época já não existia nenhum. Nos tempos de Roma não existia filmadora, mas bem  valeria um prêmio se alguém tivesse filmado a cena, dezenas de bárbaros com seus archotes, os gigantes Paredão e Maguila, o bardo Mocorongo, atualmente autor de “Lapis qui Volvituor” autointitulado o melhor CD de rock em latim dos últimos 2000 anos, chefiados por Pedro Proto, ex-morador que se bandeou para as hostes inimigas, de capa esvoaçante, capacete viking e patins. A catapulta terminou como carro  alegórico da Gremio Recreativo e Escola de Samba Império do Samba, onde nossa ultima governadora-geral Evinha era presidente e líder da ala das baianas.

Mas foi no período do Brasil colônia que o Avarandado ganhou seu mais ilustre e antigo morador. Tendo sido sitio de uma antiga senzala pertencente ao avô do Luiz de Queiroz, o local onde foi erigido a casa era habitado por varias almas penadas que ali pereceram ou sofreram suplícios acorrentadas. O que despertou a ira do “Correntinha”, nosso fantasma de estimação, quando voltando de uma esbórnia, algum desavisado elemento subtraiu ao conjunto arquitetônico-mortuário situado defronte ao Estádio Barão de Serra Negra, uma cruz entalhada em madeira e a plantou debaixo do Pau-Brasil da Semana do Bixo do Tiziu, o que já indica não se tratar de um morador da república, pois eram todos acadêmicos de agronomia ou pica-paus e sabiam muito bem que cruzes não vegetam na sombra, não cometeriam tal vandalismo e desatino. A partir dai Correntinha, enfurecido por tal desrespeito passou a assombrar e fomentar estranhos fenômenos físicos e ruídos a partir do forro de estuque e que potencializados pelas nossas brilhantes instalações elétricas by Serginho Paca (atualmente professor de energia na USP, vejam vocês), que habilmente ligavam em um único fio de 220 volts a geladeira, o chuveiro, as luzes do térreo e do subsolo-catacumba onde Ufo, que vivia na suíte máster do porão e provavelmente tinha apnéia passou a acordar se sentindo sufocado e banhado em suor. Foi preciso que Fernandon, descendente dos Imperadores Incas de Arequipa contratasse uma médium mais categorizada que ouviu telepaticamente as queixas do Correntinha e sua turma, sumisse com a cruz do jardim para que o pobre do Ufo pudesse voltar a dormir mais tranquilo. Mas Correntinha permaneceu, provocando curto-circuitos diarios e vez por outra arrastando correntes, só de brincadeira, e sempre se deu bem com a maioria dos estudantes; as vezes dava choque na agua da torneira, os bixos da ração, com a estupidez que só um bixo consegue ter, imaginavam que aquilo era trote e até elogiavam, deixávamos por isto mesmo, embora fosse bem desagradável ao escovar os dentes de manhã (Fifi, se não me engano, foi um desses) Mencionei a geladeira, que estava mais para locomotiva, fora presente das primeiras núpcias do então reitor e futuro ministro José Goldenberg, genitor do Randapi, e era capaz de congelar ovos frescos em menos de três horas, isso na gaveta de verduras. No congelador só vivia Igor, nosso pinguim de geladeira, a etologia ensina que  lugar onde se sentem bem não é em cima da mesma. Foi furtada na semana seguinte a uma Festa da Toga, levada embora em um carrinho de rolimã à luz do dia e nenhum desalmado vizinho tomou qualquer providència, enquanto gozavamos de merecidas e entediantes férias. Junto foi o fogão de 7 bocas, também presente de casamento, mas dos pais do Garibaldo e o freezer horizontal emprestado pela CEU, que não pagamos até ontem.

Outros episódios mereciam um texto solo, o Templo do Ócio de quarta à tarde, com pipoca e cine pornô; o suflê de chuchu no teto; o pôquer “ninguém sai, ninguém entra” que terminou com todos dormindo na delegacia (menos o valente Ralo, que se escondeu debaixo da cama); o futebol sem anti-doping do laguinho Santa Rosa; as viagens para Agronomiades de Mossoró, Maringá e João Pessoa, Congresso no Rio, a Ilha do Cardoso, a Rio-Santos de bicicleta; o auxilio aos flagelados pela inundação da KTT, quando chegaram a recensear 22 moradores; as festas do Craule-Craule; o estofamento de Belina encerrado com mel de abelha Jataì; os jogos de vôlei contra a Kabana e basquete contra a Pingão (nossa casa de campo para finais de semana) que terminavam em 0x0 para desespero dos árbitros e organizadores do Inter-repúblicas; o vatapá da Copa 86, as festas do Halley, dos cancerianos e escorpioninos; o atendimento diário no nosso escritório Bar do João, misto de boteco e banco de sangue onde hoje é o Claudinho; o trote-padrão Avarandadino, onde um bixo era a princesa, outro o cavaleiro que escalava as varandas por fora e derrotava o terceiro, que fazia o papel de dragão. (A melhor princesa de todos os tempos foi o Nero (Bixo84), talvez não por acaso); a quebra da promessa de não pular roleta no Rucas feita ao pai do Bang; o tiroteio com o repórter policial nosso vizinho, Deus o tenha; a anticandidatura do Pirikito a Atlética, cuja plataforma de campanha prometia derreter todos os troféus da AAALQ e cunhar uma medalha para cada aluno, afim de “dividir as glórias da ESALQ”; nosso(do Catarina) Fox Paulistinha de três pernas, o Teodolito, que só comia Miojo; o churrasco Cara de Porco, subtraído do Valdomiro; a única certeza agronômica do Krika, ao final do segundo ano, “calcareo abaixa o pH”; a canja do Tarancon e o candidato a deputado estadual que pernoitou por lá e levou uma “galada” coletiva: a pizza de domingo a noite, no badalado Flamboyant, de pijamas; a regata de bóia na Rua do Porto; etc e muitos outros etc.

Muito além do sectarismo bicromático que imbecilizava o estudantado (parece que ainda imbeciliza) viviam na Avarandado, em quase perfeita harmonia, de filiados à UDR a militantes empedernidos da Convergencia Socialista e filhotes da Tribuna Operária, torcedores de todos os times, até da Lusa e do Juventus (foi o pai do Quase, agrônomo que virou padeiro e fez seu milhão de escudos antes dos 30 anos, portuga dos quatro pontos cardeais, que esqueceu o guindaste da reforma que não passava pelo portão novo do Canindé) urbanos de tomar sorvete na Brunela a roceiros barranqueadores de éguas. Mas porto seguro e aberto para todos, amigos, colegas, amigos dos colegas, namoradas, cunhados, até caixeiros viajantes e motoristas de caminhão (um deles era nosso fiador), fugitivos do Lar dos Velhinhos e das Revoluções da America Central, e era comum, depois de Butecalqs e Butequinhos, que a população flutuante aumentasse em 3 ou 4 notivagos cansados demais pra subir a Carlos Botelho. Gil do Pé Descalço era habituê da nossa banheira.

Avarandado.jpg

No ultimo ano, nós, que até então só tínhamos um bicampeonato de braço de ferro com o Bizorrão, um vice de cabo-de-guerra (impossível ganhar da Arado, peso médio de 119 kg) e uma derrota por WO na semifinal de truco (estava demorando, eu e o Kabra fomos nos aquecer no Ilinóis) terminamos com a frigideira do basquete masculino, vejam vocês; tambem morreu nosso frango de estimação, o Henry Chinaski, que vivia na banheira; nosso senhorio, o então garoto Lula, filho do Prof. Douglas, conseguiu nos despejar, e graças ao treino adquirido em nos cobrar virou advogado estimado pelo Bradesco; e se formaram quase todos os moradores ao mesmo tempo, menos o bixo Bira, concluiu-se pelo fim de uma era,e foi feita a ultima Toga, que foi mais choro que festa. Penultima aliás, porque planejamos outra para breve, em comemoração aos, sem duvida, melhores anos de nossas vidas.

Cesar Figueiredo de Mello Barros (Pikira F87) Engenheiro Agrônomo, Ex Morador da Republica Avarandado

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