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Israel (Pinduca F68)

08/12/2015 - Por marcio joão scaléa
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Houve um momento na vida profissional do Agrônomo, em que ele estava muito desencantado com tudo : o trabalho, a renda, a política, o mercado, a própria vida pessoal. Ele achava que devia dar uma guinada na orientação da sua vida, para tentar vislumbrar novas perspectivas pessoais e profissionais.

 

Naqueles dias falava-se muito de Israel, que recebia gente de todo o mundo para com isso consolidar seu território, oferecendo em troca trabalho e realização profissional. E na área de trabalho do Agrônomo concentrava-se grande parte dos esforços, na implementação dos kibutz. Eram fazendas coletivas, de orientação socialista, onde cada um teria deveres e direitos iguais, independentemente de sua formação ou origem. Era um sonho : num kibutz haveria espaço para o médico e o faxineiro, o professor  e o tratorista, o agrônomo e o poeta, a pediatra e a lavadeira, cada qual cuidando de suas responsabilidades e apenas delas, pois sabia que outros cuidariam do resto, sem surpresas.

 

Lista telefônica aberta, localizado o endereço do consulado de Israel, para lá foi o Agrônomo com seus documentos, o curriculum e uma cópia do diploma. Recebido pela funcionária, o diálogo :

 

- Pois não? Sente-se. Em que posso ajudá-lo?

 

- Gostaria de emigrar para Israel.

 

- Ah, que ótimo. Posso ver seus documentos? O senhor é judeu?

 

- Não.

 

- Então por que pretende ir para Israel?

 

- Sou engenheiro agrônomo, posso ser de utilidade lá. Meu sonho é viver e trabalhar num kibutz.

 

- Entendo. Mas sinto muito, só aceitamos imigrantes que sejam judeus, é um requisito básico.

 

- O que é necessário para que eu seja considerado judeu ?

 

- Há dois caminhos : a conversão à religião israelita, o que é demorado e trabalhoso, ou o casamento com alguma mulher que seja judia, é imediato.

 

- Compreendo. Muito obrigado pela atenção. De qualquer maneira, fique com meu curriculum, poderá ser de utilidade. Se aparecer alguma jovem judia interessada em casar com um agrônomo recém formado para ir morar num kibutz, por favor me telefone.

 

- Obrigada. Creio que será muito difícil você ir para Israel, mas o seu senso de humor é muito bom.


Marcio Joao Scaléa (Pinduca F68) é Engenheiro Agrônomo ex morador da Republica Mosteiro

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