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IRMÃO DA ESTRADA

17/07/2016 - Por marcio joão scaléa
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IRMÃO DA ESTRADA

 

Era um sábado, meio da manhã, e o Agrônomo voltava lá das fazendas do Município do Pinhão para a Colonia Vitória. Essa região do Pinhão era meio deserta e dizia-se que perigosa, pois muitos bandidos se refugiavam ali, trabalhando nas fazendas, escondidos da polícia.

Passado o Salto das Curicacas, ele enxergou ao longe a silhueta de um caminhão. Nada de mais, pensou, e seguiu seu caminho, aproximando-se do caminhão. Já bem perto, viu o motorista acenando, pedindo ajuda, era um tipo mal encarado. Foram  segundos de indecisão, mas acabou parando e o motorista correu e pediu uma carona até a Colonia Vitória. De lá ele voltaria com as peças e ajuda para consertar seu caminhão, um FeNeMê, como se falava na época (*). Carros por ali eram raros, ainda mais num sábado. Mas o resto da viagem foi rápido, a companhia ajudou a passar o tempo.

Passaram-se uns 20 dias e lá vinha o Agrônomo de novo pela estrada do Pinhão, quando seu fusquinha deu um estalo e pendeu para o lado : o "facão" (braço da suspensão) estava quebrado e a traseira esquerda do carro se arrastava pelo chão, não dava para seguir viagem assim. Puxa daqui, estica de lá, coloca o macaco, calça a suspensão, retira o macaco e....nada. Bateu o desespero, não dava para consertar e o tempo passava, logo seria noite.

Foi quando o Agrônomo escutou ao longe o ronco surdo de um motor, muito fraco mas era um motor e se aproximava. E chegou : era o FeNeMê que ele havia ajudado a consertar dias atrás, o motorista parou e o cumprimentou como a um velho amigo :

- O que foi meu irmão, posso ajudar?

- Não sei, parece que a suspensão arriou...

- Espera aí, é fácil, eu dou um jeitinho...

Em menos de meia hora, com um pedaço de madeira e uns arames lá estava o fusca consertado, pronto para seguir.

- Siga na frente, Doutor, eu vou atrás, mais devagar. Se estragar de novo eu ajeito.

Então ficou muito claro para o Agrônomo o  significado da expressão "irmão da estrada".

 

  • FeNeMê ou FNM, sigla de uma linha de caminhões da Fábrica Nacional de Motores, que durante um bom tempo dominou o transporte de cargas pelo Brasil, na década de 50.

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