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EVANGELIZAÇÃO Pinduca F68)

25/08/2016 - Por marcio joão scaléa
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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A expansão das chamadas religiões "evangélicas" estava sendo explosiva nos últimos anos, avaliava o Velho. Em sua maior parte essa expansão era em detrimento da igreja católica, ele concluia. E isto poderia ser até surpresa para muitos, mas não para ele, pois na única vez em que ele foi a um culto "evangélico", muitos anos atrás, quando ainda era o Agrônomo, ele percebeu que aquela maneira de praticar a religião iria se expandir.

 

O Agrônomo estava na safra de trigo do sul do Paraná, em Ponta Grossa, em fins de 1969, dividindo com o Comandante P. as responsabilidades de operar a empresa em que trabalhavam. O Comandante P. era protestante, e num sábado chuvoso, prenúncio de que no domingo não haveria condições para os vôos agrícolas, convidou o Agrônomo para ir ao culto evangélico de sua igreja. Por delicadeza, mas meio sem vontade, o Agrônomo aceitou o convite e às oito da noite, em ponto, lá estavam eles no templo.

 

A primeira surpresa foi a forma como foram recebidos : curiosidade por não serem freqüentadores costumeiros, mas uma curiosidade sadia e aberta, com preocupação em saber se estavam bem e se não precisavam de nada; orgulho em recebê-los, conforme o pastor falou por várias vezes, que era uma honra ter em seu templo os dois visitantes, exortando os fiéis a interagirem com eles; e indiscutíveis boas vindas, expressas em cumprimentos e abraços de todos, literalmente de todos os demais presentes, de crianças a velhos. Aquilo deu uma "mexidinha" no coração do Agrônomo.

 

Iniciado o culto, a segunda surpresa foi a forma como ele era conduzido : leitura de trechos da Bíblia que eram explicados pelo pastor, e em seguida entoados por todos os presentes, na forma de salmos. Mas eram salmos alegres, com muito ritmo, que transmitiam alegria e fé a quem os ouvia, como o Agrônomo.

 

Mas a grande surpresa foi no finzinho do culto, quando o pastor colocou o microfone à disposição do público, para quem dele quisesse fazer uso, expondo alguma idéia ou dúvida, comentando algum trecho do evangelho ou mesmo compartilhando com todos, algum problema pessoal ou familiar.

 

Uma senhora magrinha, muito humilde, ergueu-se como que magnetizada, tomou o microfone e começou a falar. De início apenas um sussurro, quase inaudível. Depois com voz firme e palavras bem pronunciadas, expondo os seus problemas com o marido ali presente também, que bebia. E foi uma grande catarse, pelo menos dez minutos em que situações conjugais e familiares foram expostas a um público que a ouvia com profunda atenção e respeito. E que ao fim do depoimento correu a abraçá-la e cumprimentá-la, aos brados de "Aleluia, Aleluia", o que com certeza sepultou todos os problemas enunciados sob uma avalanche de compreensão, estima, calor humano e bênçãos de Deus, do pastor e dos irmãos. Compartilhou ela os seus problemas com todos os demais. E todos os demais tomaram ciência que muitos dos problemas que ela havia apresentado não eram privilégio exclusivo dela, quantos não os tinham também?

 

 

 O Agrônomo conhecia diversas pessoas que pagavam caro para expor, no segredo dos consultórios, seus problemas, deitadas num divã. Assim como conhecia inúmeras pessoas que eram pagas para, no segredo dos consultórios, ouvir os problemas de outrem, no divã, obrigando-se, ao fim de cada sessão, a emitir algum comentário, pelo menos um pouco inteligente.

 

Uma igreja que proporcionasse tal benefício de forma gratuita estaria fadada a enorme sucesso, não havia dúvidas.

 

 

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