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Eu vi uma árvore (Estampilha F68)

16/10/2015 - Por paulo antonio petraquini greco
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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EU VI UMA ÁRVORE

  

Eu vi, em cima de uma árvore, o poeta Vinícius de Moraes.

Era um jacarandá.

Eu vi em cima de uma árvore, o escritor Saint Exupéry.

Era um baobá. 

Eu vi em cima de uma árvore, o poeta Garcia Lorca.

Era uma laranjeira.

 

Quando contei o que vi aos meus filhos, eles me perguntaram o que estavam fazendo aqueles escritores, em cima de suas árvores.

Tentei dizer a eles, que aqueles homens, cada um a seu tempo e em seu lugar - escreveram palavras e tomaram atitudes que enalteceram, não  somente as suas árvores, mas todas as árvores do mundo. 

Pelo menos aquelas que ainda restam para ouvir palavras bonitas.

Tentei explicar ainda que talvez aqueles homens estivessem lá para proteger, pelo menos a sua árvore. 

Disse-lhes ainda que aqueles homens, hoje não existem mais.

Mas que nós podemos vê-los sempre, em cima de suas árvores. 

Contei-lhes também que andando um pouco mais eu vi, em cima de uma árvore, um agrônomo. E ele estava bem vivo. Era o Walter Goulart.

Contei então aos meus filhos, que agora eu conseguia compreender tudo. 

Eu conhecia muito bem aquele agrônomo.

Sabia-o amante da natureza. 

Sabia-o amante das árvores.

E como de resto, sabia-o amante de tudo e de todos. 

Sem dúvida era o Walter Goulart.

Perguntei-lhe o que estava fazendo em cima da árvore. 

Respondeu-me que estava medindo os galhos e tronco para saber quantos berços poderia fabricar com aquela madeira.

E saber quantas crianças poderiam - à custa de toda aquela madeira - dormir e crescer com segurança, depois que a árvore estivesse morta.

 

Esperei um pouco mais.

O agrônomo desceu da árvore e começou a apanhar as sementes da "árvore dos berços". 

Perguntei-lhe novamente, o que estava fazendo.

Respondeu-me que, há muito tempo atrás, ouviu alguns poetas dizerem que "Antes de berços aos filhos do homem, era preciso dar vida aos filhos  da árvore". 

Então perguntei aos meus filhos, se eles haviam gostado da minha visão.

Não responderam. 

Estavam todos dormindo.  Em berços de madeira.

 

No dia seguinte eles escreveram o que segue:

"Nós vimos em cima de uma árvore, um agrônomo chamado Vinícius de Moraes, quer dizer... Saint Exupéry, quer dizer... Garcia Lorca..." 

Procurei o Walter Goulart. Não estava.

Havia saído. Fora plantar. 

Árvores.

Para fazer mais berços.

(In Memoriam  e Tributo a Walter Goulart de Andrade[ESALQ-F49], respeitado  Extensionista na EMATER e posteriormente também na CATI em Ribeirão Preto, SP. Meu Amigo.)

Paulo Greco (Estampilha F68) Engenheiro Agrônomo ex Morador da Republica Mosteiro

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