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ESALQUEANOS E O PRÊMIO KIYOSHI YAMAMOTO (Cota Nula; F68)

15/07/2020 - Por alfredo tsunechiro
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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ESALQEANOS E O PRÊMIO KIYOSHI YAMAMOTO

 

Alfredo Tsunechiro (Cota Nula, F68)

 

A principal entidade representativa da comunidade nikkei ou nipo-brasileira é a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social - Bunkyo, sediada na Capital paulista. Neste ano o Bunkyo comemora 65 anos de fundação.

 

Kiyoshi Yamamoto foi uma das personalidades que mais contribuíram para a integração da comunidade nikkei na sociedade brasileira. Engenheiro Agrônomo, formado na Universidade de Tóquio, veio ao Brasil em 1926, com 34 anos de idade, assumir cargo numa empresa do grupo Mitsubishi. Um ano após, adquiriu uma fazenda em Campinas, a Monte D´Este (Tozan, em japonês). Conseguiu administrar com competência o empreendimento agrícola, e implementou o controle biológico da broca do café, introduzindo no país a vespa de Uganda, inimiga natural da broca. Além disso, realizou plantios de eucalipto e melhorias do rebanho bovino. Manteve estreitos contatos com professores da ESALQ e com pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas. Em 1951, obteve o título de doutor pela Universidade de Tóquio, com a defesa da tese sobre o controle biológico da broca do café com a vespa de Uganda. O Dr. Yamamoto contou com o apoio técnico-científico do Instituto Biológico e do Instituto Agronômico de Campinas para o desenvolvimento de suas pesquisas.

 

Kiyoshi Yamamoto foi o fundador do Bunkyo, e um dos fundadores da Associação Brasileira de Estudos Técnicos da Agricultura - ABETA, criada em 1958, para disseminar conhecimento técnico-científico entre os agricultores nipo-brasileiros. Após o falecimento do Dr. Yamamoto, em 1963, a Associação decidiu instituir o Prêmio Kiyoshi Yamamoto (PKY) para prestar homenagem e preservar a memória do patrono. Em 1965 ocorreu a primeira cerimônia de outorga do PKY, e a partir de 1999, com a extinção da ABETA, o Prêmio passou a ser concedido pelo Bunkyo, através da Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto (CPKY).  

 

Os candidatos ao prêmio são indicados anualmente por entidades ou instituições de todo o país e os critérios para orientar a indicação são: 1) Inovação tecnológica; 2) Originalidade e pioneirismo; 3) Capacidade multiplicadora dos resultados; 4) Sucesso econômico e financeiro; 5) Respeito ao meio ambiente; e 6) Atuação na comunidade regional e contribuição à sociedade.

 

Desde 1965 e até 2019, foram realizadas 49 edições do PKY, sendo contemplados 161 personalidades e duas instituições (cooperativas). Foram agraciadas, em média, três personalidades por ano. Em 2021, será comemorado o Jubileu de Ouro (50ª edição) do PKY, a láurea mais longeva da agricultura brasileira.

 

A participação de esalqueanos no PKY tem sido relevante desde o início da sua criação, em 1965, medida pela formação dos membros da ABETA, majoritariamente de ex-alunos da ESALQ. Na atual CPKY, dos 15 membros, 13 são engenheiros agrônomos, sendo sete esalqueanos.

 

Ao longo dos 56 anos foram agraciadas 161 personalidades, e desses, 110 eram isseis, ou seja, da primeira geração de descendentes do Japão.

 

Entre os engenheiros agrônomos laureados, constaram diversos brasileiros e nikkeis, e entre esses, os formados na ESALQ. A lista dos esalqueanos laureados é a seguinte, por ordem de ano de premiação:

1967: Jorge Bierrembach de Castro (F30) e mais 3 agraciados; foi pesquisador do IAC;

1973: Marcílio de Souza Dias (F43) e mais 3 agraciados; foi professor da ESALQ;

1977: Alcides Carvalho (F34) e mais 3 agraciados; foi pesquisador do IAC;

1978: José Ribeiro Almeida Santos Neto (F23) e mais 5 agraciados; foi pesquisador do IAC;

1979: Orlando Regitano (F40) e mais 3 agraciados; foi pesquisador do IAC;

1980: Álvaro Santos Costa (F32) e mais 3 agraciados; foi pesquisador do IAC;

1981: Edison Consolmagno (F46) e mais 3 agraciados; foi extensionista da CATI;

1983: Shiro Miyasaka (F51) e mais 2 agraciados; foi pesquisador do IAC;

2005: Hiroshi Ikuta (F54) e mais 4 agraciados; foi professor da ESALQ;

2005: Ruy Kikuty (F58) e mais 4 agraciados; foi extensionista da Cooperativa Agrícola de Cotia;

2006: Sizuo Matsuoka (F67) e mais 4 agraciados; foi professor da UFSCar;

2009: Takanoli Tokunaga (F66) e mais 4 agraciados; foi extensionista da CATI;

2010: Dario Minoru Hiromoto (F85) e mais 3 agraciados; foi pesquisador da Fundação MT;

2010: Valdir Atsushi Yuki (F71) e mais 3 agraciados; foi pesquisador do IAC;

2012: Júlio Nakagawa (F66) e mais 5 agraciados; foi professor da UNESP, em Botucatu, SP;

2012: Minoru Ito (F66) e mais 5 agraciados; foi produtor rural em Itapetininga, SP;

2015: Hiroshi Noda (F68) e mais 2 agraciados; foi pesquisador do INPA, em Manaus, AM;

2017: Takazi Ishiy (F67) e mais 2 agraciados; foi pesquisador da EPAGRI, em Itajaí, SC.

2017: Kaoru Antonio Haramoto (F78) e mais 2 agraciados; é produtor rural em Curitibanos, SC.

2019: Elliot Watanabe Kitajima (F58) e mais 3 agraciados; é professor (Colaborador Sênior) da ESALQ.

 

 

Alfredo Tsunechiro (Cota Nula, F68) é Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia (FEA/USP), Ex-Morador da República Chatô, Pesquisador Científico aposentado do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Conselheiro da Associação Brasileira de Milho e Sorgo (ABMS) e Vice-Presidente da Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto.

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