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E a Biotecnologia no Agro? (Hulq, F99)

23/01/2018 - Por marco lorenzzo cunali ripoli
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A biotecnologia agropecuária tem um papel fundamental na geração de benefícios no mundo, e vem cada vez mais mostrando seu valor promovendo ganhos significativos de produtividade nos cultivos agrícolas.

Em 2016, de acordo com o ISAAA e o Global Status of Commercialized Biotech Crops, os 5 maiores países do mundo com áreas plantadas de culturas geneticamente modificadas foram:

·       Estados Unidos (~73 MM ha, com ~93% de sua área plantada de soja, milho e algodão)

·       Brasil (~49 MM ha, com ~93% de sua área plantada de soja, milho e algodão)

·       Argentina (~24 MM ha, com ~99% de sua área plantada de soja, milho e algodão)

·       Canadá (~12 MM ha, com ~93% de sua área plantada de soja, milho, beterraba e canola)

·       Índia (~11 MM ha, com ~93% de sua área plantada de algodão)

Segundo relatório da Brookes & Barfoot (2016 e 2017) e CIB 2017, os benefícios oriundos da biotecnologia nos cultivos agrícolas de 1996 a 2015 geraram aproximadamente US$150 bilhões de receitas, o que significa que para cada US$1,00 investido foram gerados US$4,42. No caso da cana-de-açúcar, com o avanço destas tecnologias foi observado um aumento de 9% a 17% em sua produtividade, e uma redução no uso de agroquímicos de ~8%. Neste mesmo período, a redução das emissões de CO2 chegou a 26 MM de toneladas.

O mercado já experimentou a entrada da soja GMO, do milho GMO, algodão GMO... agora é a vez da cana-de-açúcar GMO (finalmente, diga-se de passagem). Outro dado interessante da CONAB (2017), Céleres (2015) e CIB (2017) foi o levantamento sobre a produção de grãos que aumentou três vezes mais que sua área plantada (soja e milho). A geração de benefícios advinda da biotecnologia, de 1996 a 2014 foi categorizada e ponderada em três grupo: 50% em aumento de produtividade, 30% em redução de custos e 20% em ganhos industriais.

Em relação aos aspectos sócio-ambientais desta tecnologia é possível mencionar reduções no uso de 40 bilhões de litros de água no sistema produtivo, 350 milhões de litros de diesel na mecanização, 40 mil toneladas de agroquímicos no trato cultural, entre outros.

Para a cana-de-açúcar não está sendo diferente, graças a ruptura tecnológica e novos patamares de produtividade (inclusive em áreas restritivas) se esperam melhorias da técnicas de mecanização e melhorias nas taxas de renovação do canavial.

Um dado interessante, e assustador, encontrado no relatório do Itau BBA (EBITDA Safra 2015/2016, para Centro-Sul) que ressalta os danos causados por algumas pragas dos canaviais brasileiros quando menciona o impacto da Broca da Cana (Diatraea saccharalis) na produção de ~R$5 bilhões em danos devido a perda de produtividade, do Bicudo da Cana (Sphenophorus levis) de ~R$4 bilhões e a tolerância a herbicidas de ~R$1,3 bilhões, somando ~R$10 bilhões em perdas por ano. Para terem uma ideia de dimensão deste estrago, isso equivale a 2 milhões de hectares, ou 5 usinas médias (hoje no Brasil são 360), ou 13 cidades médias do estado de São Paulo, ou ainda 2,9 milhões de campos de futebol.

O CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), localizado em Piracicaba, interior de São Paulo, é pioneiro no desenvolvimento de variedades de cana GMO e traz ao mercado esta nova variedade, denominada CTC20BT com os seguintes propósitos:

·       Diretos: Redução nos custos agroindustriais, Controle parcial de pragas secundárias, Qualidade de extração e fermentação, Economia no custo de aplicação e Maior produtividade final

·       Tranquilidade: Proteção 24 horas (controle antes do dano) e Simplicidade no manejo

·       Sustentabilidade: Menos inseticidas e embalagens; Menos emissões de CO2 e menos água e combustível

Para finalizar, o CTC junto ao PECEGE (2016/2017) em se falando de custos operacionais, avaliaram uma redução de 5% a 10%, quando comparada a variedade CTC20BT em relação a CTC20.

Enfim, a biotecnologia está aqui para fazer a diferença e auxiliar a batalha diária dos produtores rurais de produzir cada vez mais e melhor cana-de-açúcar visando o aumento necessário da produção de sub-produtos como álcool, açúcar, energia, entre muitos outros que o mundo requer hoje e demandará amanhã!


* Marco Lorenzzo Cunali Ripoli é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, empreendedor, inovador e mentor.

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