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Duas respostas possíveis para a greve dos caminhoneiros

04/06/2018 - Por haroldo josé torres da silva
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Pressão pela redução do preço nas refinarias da Petrobras ou queda do valor da Cide não é a melhor resposta

Há uma semana o movimento de paralisação de caminhões afeta o abastecimento de produtos em todo o país. Nessa crise, enfatizou-se a falta de combustível nos postos de gasolina. A reinvindicação é legítima na medida que busca soluções para a diminuição dos custos de distribuição de produtos brasileiros. Entretanto, por mais que o preço exorbitante do combustível seja um gargalo reconhecido em nossa economia, é necessário pensar se a diminuição de preço deste combustível realizada de qualquer maneira é a melhor resposta possível.

Pressionar o governo a reduzir o preço do combustível nas refinarias da Petrobrás ou a diminuir o valor da CIDE-combustível é uma resposta possível ao alto preço dos combustíveis, mas dificilmente é a melhor resposta. Foi essa interferência política na precificação de combustíveis na Petrobrás que prejudicou a estatal nos últimos anos. Da mesma forma, a CIDE-combustível representa apenas 1% do preço do diesel e sua redução vai na contramão de um desenvolvimento sustentável e uma economia de baixo carbono, contrariando a agenda mundial adotada pelo Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2015, também conhecida por COP21. 

A segunda resposta possível para se resolver o problema do preço exorbitante dos combustíveis é continuarmos com a implementação do RenovaBio (Política Nacional de Biocombustíveis), promulgada em dezembro de 2017, e adotar medidas para o aumento da concorrência no mercado de distribuição de combustíveis. Afinal, as 4 maiores empresas distribuidoras de combustível no país representam 70% do mercado. Será que esse oligopólio não interfere no preço dos combustíveis? Claro que sim. 

Trata-se de duas respostas possíveis. A primeira é uma resposta a curto prazo, possível de diminuir em parte os problemas atuais do alto preço de combustíveis no Brasil, mas sem perspectiva de sustentabilidade. Por outro lado, a segunda resposta é mais trabalhosa e mais demorada, mas alinha a economia brasileira a uma agenda internacional de desenvolvimento econômico sustentável.

A escolha por uma ou outra resposta depende de uma decisão de nossa sociedade sobre qual matriz energética nós queremos e sobre qual risco queremos assumir: o de nos sacrificarmos a curto prazo para termos uma matriz enérgica inovadora e sustentável para as próximas gerações ou o de sacrificarmos esse futuro para resolvermos problemas atuais a qualquer custo. Enfim, precisamos nos perguntar se queremos pensar no presente para sermos, para sempre, o país do futuro, ou começarmos a pensar no futuro para, algum dia, sermos o país do presente. 

Haroldo José Torres da Silva & Leonardo Cunha Silva 

Texto originalmente publicado em "A Gazeta", Opinião de Economia, em 31/05/2018.

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