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Dize-me com quem andas... (Prof Molina F79)

18/08/2016 - Por walter francisco molina junior
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Você tem sonhos? Creio que sim. Todos nós temos. Mas, você já notou que para alguns, parece ser mais fácil realizar sonhos do que para outros? Se notou, provavelmente se perguntou qual seria o motivo para que isso ocorra. O texto a seguir não pretende esgotar o assunto, mesmo porque ele é extenso, controverso e cheio de possibilidades. No entanto, é uma reflexão que talvez possa ajudar você. Então, pense sobre o assunto. 

A maioria das pessoas que leu o título deste texto, sem dúvida nenhuma completaria as reticências com "...que dir-te-ei quem és". A origem deste provérbio é controversa. Ele é atribuído a muitos sábios e pensadores e está construído no tempo verbal do presente do indicativo. Outro ditado muito conhecido e cuja origem poderia ser Brihadaranyaka Upanishad diz: "o que for da profundeza do teu ser, assim será teu desejo; o que for teu desejo, assim será tua vontade; o que for tua vontade, assim serão teus atos; o que forem teus atos, assim será teu destino". Este segundo pensamento está posto em dois tempos verbais: o verbo ser, está colocado tanto no futuro do subjuntivo (for - que expressa um grau de incerteza) e na sequência no futuro do presente, que indica, de certa forma que o fato, sem dúvida, ocorrerá. Sem querer tornar este artigo uma aula de gramática, o subjuntivo indica uma ação que pode ou não acontecer e, portanto, o sujeito tem o poder de controle sobre ela. Jó futuro do presente considera algo como que fato consumado e que terá outro futuro mais além, no tempo, ou seja, a colheita do ato anterior certamente ocorrerá e o sujeito deverá conviver com seu resultado por um tempo que é chamado de "destino". Já o livro dos Provérbios do Velho Testamento da Bíblia Sagrada dos cristãos, no seu capítulo 13 trata de um tema semelhante, ou seja, do comportamento atual do indivíduo influenciando o resultado de sua vida. Em especial, o versículo 20, trata das companhias que escolhemos para nossa caminhada, afirmando "Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal". Sabendo destes fatos de caráter filosófico, pode-se olhar para uma aplicação mais prática e atual da sabedoria incluída nestes ditados, de forma que possam ser utilizados de maneira eficiente, deixando de ser retóricos. Quero que você, leitor, imagine comigo. 

Imagine que um garoto nasceu num lar em que seu pai é um atleta profissional e pratica basquete. A vida desse pai é o esporte e a modalidade esportiva praticada é considerada a mais emocionante e atrativa dentre todas as outras. Toda a atividade da família gira em torno do pai e o menino será totalmente imerso neste mundo de informações e hábitos. Assim, o garoto acompanhará seu pai nos treinamentos e sua mãe, provavelmente o levará para assistir às partidas no sábado à noite. Com pouco mais de 8 anos de idade ele já estará em alguma escolinha de basquete. Com 12 anos ele será integrante de alguma equipe infantil de sua cidade. Se tiver atributos físicos apropriados, em breve fará parte dos campeonatos estaduais e quem sabe se tornará um profissional como seu pai, concorda? 

Quando o garoto da estória se tornar adulto, digamos com seus 35 anos de idade, chegará em casa no final de um dia quente de verão e, talvez, apreciará algum dos troféus obtidos durante sua carreira. Nesta tarde em especial, ele pegou sobre a estante um dos troféus que mais admira e na plaqueta fixada na base do suporte diz: "Pentacampeão do XV Torneio Brasileiro Profissional de Tênis de Mesa - 2002". Você achou estranho? Creio que sim, pois eu disse anteriormente "basquete" e o sujeito é pentacampeão de tênis de mesa. O que está acontecendo? Nada de importante, esclareço. É somente uma estória altamente improvável, você não acha? Se o garoto sempre esteve envolvido com basquete, seria altamente improvável que tivesse sucesso com outro esporte - afinal pentacampeão nacional não é para qualquer um. Já que estamos imaginando, faça agora um exercício. Troque "pai jogador de basquete" por "pai religioso". Se quiser mais objetividade, quem sabe um pastor evangélico ou um católico fervoroso. No lugar de "sua mãe leva-lo para ver os jogos de sábado à noite", tente "ir ao culto ou à missa". Agora troque "escolinha de basquete" por "escola dominical ou aulas de catecismo". Troque também a "equipe da cidade" por "grupo de jovens da igreja". E imagine que na fase adulta o sujeito chega em casa no final de uma tarde quente de verão e se encaminha para seu cantinho de reflexão especialmente reservado ao culto à deusa Kabo Mandalat, da religião Pitilu da Nova Caledônia. Achou estranho? Eu também, pois anteriormente havia dito pai "pastor evangélico ou católico fervoroso" o que indicaria que o garoto assim criado fosse seguir uma religião cristã. Este desfecho é altamente improvável, você não acha? 

Pois é, desfechos improváveis acontecem as vezes, é inegável. Mas faz parte daquelas coisas chamadas de "acidentes de percurso, pontos fora da curva". É claro que as grandes probabilidades estão jogando a favor de que o quando o sujeito de nossa estória pegue o troféu para apreciar, nele esteja escrito "pentacampeão de basquete" e que o cantinho de reflexão esteja destinado a alguma das religiões de cunho cristão. 

Desta forma podemos imaginar mais uma vez, e finalmente, que o garoto foi criado por um pai bancário e mãe funcionária da prefeitura. Seus avós eram gente boa e muito honestos, mas desenvolveram sua família com extrema dificuldade. Os tios do menino eram operários de grandes empresas e todos, inclusive seus pais, entre os dias 5 e 10 de cada mês se viravam como podiam para pagar o aluguel das casas onde moravam, as contas de água, luz, telefone, além das parcelas do IPVA daquele carrinho de segunda mão que tinham. Ele estuda na escola pública e está no final do ensino médio. De acordo com a orientação que teve da família vai estudar Direito. Disseram que poderá escolher um curso noturno pois assim poderá trabalhar durante o dia e ajudar no orçamento familiar. Aliás, este é o ponto onde queria chegar com você na nossa aventura imaginária: a orientação que recebemos. 

Neste último caso, trata-se de uma boa família, honesta, trabalhadora e religiosa. Porém, um grupo social sem nenhuma tradição financeira, ou a família que convencionalmente se classifica como "pessoas humildes". Quando o garoto se tornar adulto, numa tarde quente de verão quando seu motorista parar o Bentley para deixa-lo em casa, naquele condomínio de luxo no Itaim, em São Paulo, ele pode olhar para seu novo apartamento e pensar: "que maravilha, nunca pensei que com apenas 35 anos de idade poderia comprar um apartamento de 600m2 neste prédio e pagar 5 milhões de euros a vista". Achou estranho? Eu também. Geralmente os garotos criados por famílias humildes somente atingem tamanho sucesso nos filmes americanos. Ainda assim, frequentemente as tramas mostram um protagonista desonesto e espertalhão. No caso de tamanho sucesso acontecer na vida real, a improbabilidade mostra tratar-se de um "acidente de percurso ou ponto fora da curva". O mais provável e lógico é que se o garoto de família humilde seguir os conselhos dados por seus parentes próximos também humildes, seu futuro será muito parecido com o presente destes parentes. O menino se tornará um adulto honesto, trabalhador e religioso, mas provavelmente não se verá do dia para a noite um cara de sucesso financeiro a ponto de realizar seus sonhos de adolescente. Pode até ser que, com muito esforço, melhore suas condições financeiras quando comparado com os parentes próximos, mas casa de praia, carro do ano, apartamento de 200m2, filhos no colégio particular, etc. e tal, serão metas muito distantes da realidade desse sujeito. No entanto, tal realidade não significa que o garoto da família humilde não tenha chance de mudar seu destino financeiro. Existe uma solução lógica para este caso e ela está naqueles ditados que iniciaram a sua leitura. Alterando um o que está dito do primeiro deles poderia ficar: "dize-me quem ouves que dir-te-ei quem serás". O segundo ditado, com uma nova frase ficaria: "vigia teus relacionamentos, pois eles se tornarão teus pensamentos; vigia teus pensamentos, pois eles se tornarão tuas palavras; vigia tuas palavras, pois elas se tornarão teus atos; vigia teus atos pois eles se tornarão teus hábitos; vigia teus hábitos, pois eles se tornarão teu caráter; vigia teu caráter, pois ele se tornará teu destino". Pensando assim, a solução para você que deseja ter sucesso financeiro, além de pessoal, familiar, religioso pode ser seu comportamento. Procure se afastar dos conselhos das pessoas que têm resultado de vida diferente daqueles que você deseja para si e aproxime-se das pessoas cujo resultado seja parecido com aqueles que deseja para você. 

É importante que você entenda o que estou dizendo. Não é necessário perder a amizade ou cortar seu relacionamento com ninguém. Só procure evitar conversar sobre seus objetivos com as pessoas que têm resultados de vida diferentes daqueles que você quer obter para a sua vida. E procure seguir fielmente os conselhos daqueles que escolheu como modelo daquilo que quer aprender. Tenho certeza de que suas chances de obter sucesso nas suas atividades serão aumentadas de maneira eficiente e reais.

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