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Dia Internacional da Mulher

28/03/2022 - Por joao mauricio bueno vendramini
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Para comemorar o Mês Nacional da História da Mulher, sentamos com Maria Silveira, professora de ciências do solo e da água do Centro de Pesquisa e Extensão Pecuária da Universade da Florida/Insituto de Alimentos e Ciencias Agrarias (UF/IFAS). Nascida e criada a 90 minutos de São Paulo, Brasil, Silveira foi para a faculdade sabendo pouco sobre agricultura. Mas ela logo aprendeu que o solo da suporte a vida.

 P: Quando você começou a estudar solos e por quê?

R: O solo é onde a vida começa. Meu interesse/obsessão pela ciencia do solo começou durante a graduação, quando aprendi as múltiplas funções que o solo proporciona à sociedade como um todo. Solo e’ a base dos sistemas de produção vegetal e animal, e fiquei fascinada ao aprender que os solos podem ser manejados para aumentar a produção de alimentos. Mais tarde, durante meus estudos de pós-graduação, também aprendi que os solos desempenham um papel vital na proteção do meio ambiente.

 P: Por favor, conte-nos um pouco sobre sua infância.

R: Eu sou a caçula de três irmaos. Minha mãe, meu pai e meu irmão eram todos advogados. Minha irmã é médica. Minha família, especialmente minha mãe, não aceitou facilmente minha decisão de ingressar na carreira ligada a agricultura. Embora minha família tinha uma pequena propriedade rural recreativa, eu não achava que tivesse uma sólida formação em agricultura. Para superar isso, durante meus dias de graduação, tentei o maior número possível de oportunidades de estágio e aprendizado prático. Todas as férias de verão/inverno ou nos fins de semanas que me lembro dos meus anos de faculdade, eu trabalhava como estagiária (Grupo de Experimentacao Agricola -GEA) em fazendas ou propriedades rurais comerciais ou participava de treinamento prático na propria universidade. Fiquei muito feliz quando meus pais não apenas aceitaram minha decisão, mas também me apoiaram em minha jornada.

 P: Falando em faculdade, onde você fez graduação e pós-graduação?

R: Comecei a faculdade aos 17 anos. Decidi cursar a graduação em Engenharia Agronomica na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), Universidade de São Paulo. Depois de concluir minha graduacao, fiquei tão fascinada por agricultura, em particular pelo manejo do solo, que decidi fazer um mestrado em ciência do solo na mesma universidade. Depois de concluir meu mestrado, minha curiosidade pela ciência só continuou a crescer. Durante meu doutorado (também em ciência do solo) estudei e conduzi minha pesquisa na Universidade da Califórnia-Riverside. Minha experiência positiva na Universidade da Califórnia-Riverside também foi um grande ponto de virada na minha vida pessoal e professional. A partir daquela momento eu descobri claramento o que queria fazer pelo resto da minha vida – ser uma cientista. Apos concluir meu doutorado decidi seguir carreira acadêmica nos Estados Unidos.

 P: Quando e por que você começou a trabalhar na Universidade da Florida? Voce começou sua carteira na estacao experimental (Range Cattle Research and Education Center)?

R: Depois de concluir meu doutorado fui contratada pela Universidade da Florida como pós-doc em 2003. Trabalhei na posicao de pós-doc em Gainesville até 2005 e depois me mudei para a Texas A&M University. Fui contratada como Professora Assistente (Assistant Professor) no Range Cattle Research and Education Center em 2006. A reputação da UF/IFAS como uma das principais instituições de pesquisa nos Estados Unidos facilitou muito minha decisão. Eu sabia que a UF/IFAS era o lugar onde eu queria seguir meu sonho de ser um cientista do solo. Os recursos e oportunidades que encontrei aqui não existem em nenhum outro lugar. Estou feliz com a decisão que tomei há 16 anos e não a trocaria por nada.

P: Como seus programas de pesquisa e extensão ajudam a indústria pecuária?

R: Meus programas de pesquisa e extensão são complementares. O fato de minha pesquisa ter impactos diretos como propriedades rurais sao manejadas me motiva ainda mais. A forte parceria com a industria agropecuária e com varios outros stakeholder grupos também motiva meus alunos. Eles sabem que o impacto de nossos esforços de pesquisa se estende além da comunidade científica. Para mim, saber que alguém pode se beneficiar da minha pesquisa é um dos maiores prazeres do meu trabalho.

 P: Como seu programa de pesquisa e extensao ajudam a sociedade em geral?

R: Meu papel como cientista e’ preservar esse recurso precioso que conhecemos como solo. Minha pesquisa e’ focada principalmente em melhorar as multiplas funções importantes que o solo suporta, como regulação do clima, conservação da água, produção de alimentos e sequestro de carbono.

 P: De qual realização você mais se orgulha, pessoal ou profissionalmente, e por quê?

R: Embora eu seja muito orgulhosa do meu trabalho, a realização da qual mais me orgulho são minhas filhas gêmeas. Do ponto de vista profissional, tenho orgulho das realizações dos meus alunos. Vários dos meus ex-alunos estão atualmente trabalhando em instituições academicas altamente conceituadas nos Estados Unidos e internacionalmente. Saber que pude contribuir para o seu desenvolvimento profissional é muito gratificante para mim.

P: Você sente alguma obrigação e/ou oportunidades como mulher na ciência? Se sim, o que é/são e por quê?

R: Sim, sinto a obrigação de servir um modelo e inspirar as geracoes mais jovens a se envolverem na ciência do solo. Minha profissão ainda é um campo dominado por homens, mas espero que essa tendência mude no futuro. Quanto mais educarmos a geração jovem de que há muitas oportunidades para as mulheres se envolverem na ciência, mesmo em campos tradicionalmente dominados por homens, melhor será a sociedade. Um dos meus principais objetivos como uma cientista envolvida em muitas atividades na minha profissão é aumentar a conscientização e aumentar a representação das mulheres na ciência do solo. Mulheres representam uma proporção significativa do corpo docente do meu departamento, e sou muita orgulhosa dessa conquista.

Este artigo foi originalmente escrito em Inglês por Brad Buck.

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