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COP-30... O Agro que responde o que o mundo só discursa! (Hulq, F-99)
12/08/2025 - Por marco lorenzzo cunali ripoliAtenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

A COP-30, prestes a ser realizada em Belém, promete mais do mesmo: discursos decorados com boas intenções, painéis cheios de celebridades e hashtags ensaiadas. Mas, conforme apontado por especialistas, “Quem se preocupa com o clima na COP-30?”, a conferência corre o risco de se transformar em um palco de vaidades políticas, enquanto as pautas climáticas reais são postergadas por interesses geopolíticos e econômicos. Neste cenário, países ricos mantêm seus subsídios a combustíveis fósseis, reativam usinas de carvão e empilham compromissos sem cumprir metas, enquanto o mundo, uma vez mais, ouve discursos vazios.
Em contraste, o agronegócio brasileiro apresenta um retrato oposto: menos propaganda e mais impacto. Dados científicos, tecnologias tropicais e produção sustentável estão no campo — e não nos palcos. Destacamos que o Brasil continua preservando extensas áreas de vegetação nativa e reduzindo emissões, mesmo com crescimento produtivo. É essa realidade concreta que coloca o agro nacional como protagonista, com soluções mãos na terra, tanto para alimentar o mundo quanto para capturar carbono.
Enquanto muitos chegam à COP-30 com slides e slogans, o agro brasileiro já sequestra carbono, recupera solos e viabiliza inovação tecnológica. Se a conferência for fiel ao seu nome, precisa ouvir menos as tendas internacionais e mais os dados vindos do cerrado, do semiárido, do bioma Mata Atlântica e da Amazônia legal. O Brasil entrega o que o mundo ainda promete.
A COP da hipocrisia climática
A COP-30 corre o risco de repetir o roteiro das edições anteriores: um desfile de boas intenções sem compromissos reais. A hipocrisia é tamanha dos países que criticam o Brasil enquanto ampliam seu consumo de carvão, de combustíveis fósseis e subsidiam práticas agrícolas insustentáveis.
A Europa reativa usinas de carvão. Os EUA expandem o uso de fertilizantes sintéticos e subsidiam monoculturas com alto impacto ambiental. E o Brasil? Reduz emissões, protege o solo, captura carbono e mantém 66% de sua vegetação nativa preservada. É incoerente que quem mais fala seja quem menos faz. O agro nacional chega à COP-30 com fatos, não com narrativas. Estamos falando de um setor que recupera áreas degradadas, investe em pesquisa pública e privada e amplia sua produtividade sem derrubar uma única árvore.
Países desenvolvidos, que ignoram seus passivos históricos, tentam impor regras ao mundo em desenvolvimento. É hora de inverter a lógica: quem entrega, fala. E o Brasil entrega com base em tecnologias tropicais validadas por milhares de produtores.
O agro que sequestra carbono, não aplausos
Com o plantio direto, presente em 60% da área cultivada, se captura 2 toneladas de CO² eq/ha.ano. A segunda safra, responsável por 33% da produção de grãos, contribui com 0,5 ton/ha.ano de saldo positivo.
A tecnologia iLPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) cobre 18 milhões de hectares, sequestrando 20 ton CO² eq/ha.ano. A meta é alcançar 35 milhões até 2030. O sistema melhora a qualidade do solo em 74% e aumenta a biodiversidade em 41%.
A Embrapa, com a Rede ILPF, conduz um dos maiores experimentos agroambientais do mundo. A lógica é simples: integrar para regenerar, diversificar, capturar carbono e reduzir custos. O solo brasileiro é ativo climático, não passivo ecológico.
A pecuária que mitiga, rastreia e exporta
Com mais de 230 milhões de cabeças de gado, o Brasil poderia ser alvo fácil das narrativas. Mas metade da produção é intensiva e ocorre sobre pastagens degradadas. A Carne Carbono Neutro é uma realidade: estoque de 52 ton CO² eq/ha no solo, árvores plantadas e ciclo fechado.
O abate precoce (Boi China) reduz em 25% as emissões por animal e representa 70% das exportações. A rastreabilidade já alcança 20% do rebanho nacional. A pecuária brasileira não quer perdão. Quer reconhecimento!
Programas de baixo carbono promovidos pela Embrapa e pela iniciativa privada mostram que a carne rastreada, precoce, intensiva e regenerativa é solução ambiental com ganhos sociais e econômicos. Qual outro país entrega isso?
A pecuária do século XXI exige gestão, genética, nutrição e monitoramento. E o Brasil vem avançando em todas essas frentes. O boi brasileiro está conectado ao futuro.
Grãos, raízes profundas e solução biológica
O Brasil produz 10% dos grãos do mundo e mitiga de 15 a 20 ton CO² eq/ha. Raízes profundas com mais de 2 metros e o uso crescente de bioinsumos como Rhizobium e Azospirillum economizam mais de US$ 18 bilhões por ano em fertilizantes.
O crescimento anual de 25% no uso de bioinsumos, a agricultura de precisão e a digitalização do campo posicionam o Brasil como referência em produtividade limpa. A produtividade média de grãos saltou de 1 t/ha em 1977 para mais de 4 t/ha em 2023, evitando a necessidade de abrir novas áreas. Somos protagonistas de nossa evolução, o que nos permitiu poupar 240 milhões de hectares de terras no país, que teriam sido necessários para produzir a mesma quantidade. O Brasil alimenta o mundo sem desmatar!
O setor respeita o Código Florestal mais restritivo do planeta, mantém reservas legais e áreas de preservação permanente. A soja brasileira é rastreada, certificada e cultivada dentro da legalidade.
O agro que abastece e descarboniza
A cana ocupa 1,2% do território, mas gera 151 mil GWh de energia limpa e evitou 630 milhões de toneladas de CO² eq desde 2003. O programa RenovaBio, iniciado em 2016, já mitigou 218 milhões de toneladas de CO² eq e criou os CBios como ativos financeiros.
O Brasil é líder em etanol de cana e cresce em etanol de milho (6 bi litros/ano) e biodiesel de soja (7 bi litros/ano), com potencial também para biogás, biometano e hidrogênio verde. A matriz energética brasileira tem 47% de fontes renováveis, contra 14% da média mundial.
O setor aplica economia circular: 95% da vinhaça é reaproveitada como fertilizante, 95% da colheita é mecanizada e a cogeração com bagaço abastece cidades com energia limpa.
Enquanto o agro entrega, a Europa corre atrás do passado nuclear
Enquanto o agronegócio brasileiro avança investindo em soluções sustentáveis, a Europa parece recuar, revivendo usinas nucleares há muito criticadas. Sócia do discurso climático, mas refém da instabilidade energética, a União Europeia planeja investir até €241 bilhões até 2050 em novos reatores e na extensão da vida útil dos existentes — isso apenas para manter 24% de sua matriz elétrica atual.
Na França, hoje responsável por cerca de 70% de sua eletricidade por meio de energia nuclear, o governo busca construir 14 novos reatores EPR até 2050, mesmo enfrentando atrasos e custos elevados — como a extensão para 2038 dos cronogramas dos EPR2.
No Reino Unido, o Projeto Sizewell C recebeu £14,2 bilhões em investimento governamental, com promessa de fornecer energia a 6 milhões de lares — ao custo de inflação e financiamento que recairão sobre os consumidores.
Países antes hesitantes na nuclear retomam o tema: Dinamarca reavalia banimento de 40 anos; Bélgica reverte decisão de desativação via votação parlamentar massiva; Suécia projeta 10 novos reatores até 2045, apoiados em lei enxuta e foco em SMRs — pequenos reatores modulares.
Este ressurgimento nuclear revela algo fundamental: países que criticam o Brasil por “desmatamento” e uso de agroquímicos continuam presos a uma matriz energética instável, de alto investimento e complexidade técnica. Enquanto isso, o agro nacional sequestra carbono, evita desmatamento e gera energia renovável com custo efetivo — sem ressuscitar infraestruturas polêmicas.
O agro que usa menos químicos, mas leva mais pancada
O Brasil é o 13º no uso de defensivos por tonelada de alimento: 0,85 kg/ton. O Japão usa 95 kg e os EUA, 11 kg. A demonização ignora que 97% da agricultura nacional está fora da Amazônia e a expansão ocorre sobre pastagens degradadas.
O avanço de tecnologias como aplicação seletiva, liberação controlada e biodefensivos reforça um modelo seguro e inovador. A legislação brasileira é uma das mais rígidas do mundo, com controle de resíduos, monitoramento e rastreabilidade.
Nos bioinsumos, o país já lidera globalmente. A indústria cresce 25% ao ano, com destaque para soluções de controle biológico, biodefensivos e promotores de crescimento vegetal. O campo virou laboratório de inovação.
A demonização do uso de insumos ignora a ciência e favorece mitos.
Quem de fato protege o planeta?
A COP-30 é uma vitrine. Mas quem está nela? Celebridades, ONGs e governos que falam bonito? Ou produtores, cientistas e técnicos que trabalham debaixo de sol e entregam resultado?
O Brasil precisa parar de se desculpar por ser o que é: um país vocacionado para produzir, preservar e inovar. A pergunta que o mundo precisa responder é simples: querem um futuro com menos carbono ou com mais narrativas?
O agro já respondeu... com dados, com florestas preservadas, com alimentos e com energia limpa. Que a COP-30 seja o palco da virada, onde o campo brasileiro seja finalmente reconhecido como o que ele é: solução real para o desafio climático do século XXI. O Brasil não deve pedir licença para liderar. Deve ocupar seu lugar como potência agroambiental, com altivez, transparência e ousadia.
O Agro não para.
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Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, fundador do “O Agro não Para”, proprietário da BIOENERGY Consultoria, Diretor da PH Advisory Group e investidor em empresas. Acesse www.marcoripoli.com