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Carta Boi - A boiada e os futuros em ano de eleições

21/03/2018 - Por alcides de moura torres junior
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Passado o Carnaval e com o final do primeiro bimestre, o ano começa. Um ano que será cheio, com Copa do Mundo, eleições e com um grau de incerteza incomum.


Até o momento, em 2018, a arroba do boi gordo tem praticamente andado de lado, com oferta moderada e consumo lento.


Considerando os preços médios do boi gordo em São Paulo, houve recuos de 0,7% e 0,5%, em janeiro e fevereiro, frente aos meses anteriores.


Vale lembrar que as cotações, por serem livres de Funrural, tiveram um ajuste positivo devido à mudança da alíquota usada em meados de janeiro. Sem esse ajuste, o recuo teria sido levemente maior.


Com relação à cria, houve uma redução da rentabilidade, e 2018 deve ser um ano de aumento da oferta de fêmeas para abate, que normalmente chegam ao gancho em maior volume em março e maio. A figura 1 mostra a participação média de cada mês nos abates anuais de fêmeas, no período entre 2000 e 2016 (último ano completo de dados do IBGE).



Devemos ter um ano de maior oferta das diferentes categorias de bovinos para reposição, como efeito da retenção de vacas e novilhas entre 2014 e 2016, além do provável descarte maior de fêmeas.


O que pode, e tende a colaborar com o cenário é a retomada da economia. O Banco Central, através do relatório Focus (02/3), tem melhorado as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2018. Atualmente a expectativa está em 2,90% e vem de três semanas de melhoria. 



Expectativas


Com fatores antagônicos importantes, oferta maior de boiadas, mas consumo em recuperação e exportações começando bem o ano, analisamos o comportamento histórico de preços do boi gordo em anos de retenção e anos de maior participação de fêmeas nos abates.


A figura 2 mostra a sazonalidade de preços, considerando a média de 2000 a 2017 para anos de retenção e de descarte de fêmeas.



Para classificar os anos o critério utilizado foi a participação de fêmeas nos abates, frente ao ano anterior. Anos com maior percentual de fêmeas abatidas foram definidos como de descarte, enquanto o cenário oposto foi definido como ano de retenção. Tivemos nove anos em cada grupo no intervalo analisado.


As barras representam as cotações médias, frente ao começo do ano (base 100). Em anos de retenção de fêmeas, cenário que normalmente gera anos de valorização, as cotações têm um movimento positivo quase ininterrupto, enquanto nos anos de descarte a desova de final de safra tem um efeito mais importante.


Os pontos representam o que efetivamente aconteceu em janeiro e fevereiro, e o que os futuros projetam, também frente ao preço do começo do ano (base 100), para compararmos com o histórico.


Observe que os futuros do boi gordo na B3 apontam para valores que seriam um movimento próximo dos anos de descarte, enquanto para maio, o cenário de variação está entre as médias dos anos de descarte e de retenção.


Considerações finais


A oferta de fêmeas tende a pressionar as cotações. A melhoria da situação econômica deve amenizar a pressão de baixa, mas não é um ano para ficar à espera do mercado.


Do ponto de vista histórico, o contrato de maio apresenta um cenário mais interessante para usar ferramentas de garantia de preços.


Para outubro e novembro o cenário já estava mais próximo da movimentação média dos anos de descarte (menos interessante). Após a desova de final de safra e venda maior de fêmeas, com a lacuna de oferta (junho/julho) que tipicamente é observada antes do volume de boiadas de confinamento chegar, é possível que o mercado ganhe força.


O período mais próximo das eleições e a Copa do Mundo, em maior ou menor grau, também ajudam o consumo. É possível que seja um momento interessante no mercado físico, com preços futuros abrindo oportunidades de trava.


De toda forma, é apenas uma possibilidade. Lucro garantido hoje, mesmo que com custo, no caso das opções, é melhor que a esperança de um resultado melhor amanhã. 

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