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Carta ao Stédile (e MST) (Alfinet)

27/08/2015 - Por rodolfo tramontina de oliveira e castro
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Caro João Pedro Stédile,

Esta carta foi motivada pelas invasões (recentemente nos holofotes) que seus liderados têm executado. Como alguém que se propõe em iluminar a escuridão através de conhecimento, me senti compelido a falar.

Propriedade não é um conceito difícil de entender. Cada indivíduo, por exemplo, nasce dono de seu próprio corpo e vida. Estes são direitos naturais, com os quais busca ser feliz.

Ainda abstrato? Vamos lá...

Suponhamos um Pedro, que adorava viajar, e que certo dia decidiu içar velas para além mar. E por um suposto erro de cálculo atracou numa suposta Índia. Sozinho e lutando para sobreviver, escolheu um pedaço de terra e começou a trabalhar. Arou a terra com a ajuda de um burrico que domesticou e plantou mandioca.

Tempos depois uma tribo de índios viu o que Pedro estava fazendo e reportou ao cacique Locke cobrando uma atitude. O cacique, dono de enorme sapiência, explicou que aquelas eram posses de Pedro, porque ele trabalhou a terra quando não tinha dono (condição res nullius), e do fruto de seus trabalho poderiam trocar e se alimentar. "Saudemos a mandioca e a propriedade", finalizou o cacique.

Foi basicamente assim que surgiram as propriedades de terras e objetos: frutos de trabalho. E em oposição ao que você prega, são imprescindíveis para uma sociedade prosperar por considerar as aspirações de cada indivíduo e descentralizar o poder das decisões.

Por exemplo, um dos regimes que vocês compartilham a cor decidiu triplicar a produção de arroz, e para fazê-lo obrigou a população a trabalhar incansáveis horas por dia. Milhares de cambojanos foram mortos por fome e exaustão. Outro regime, que vocês compartilham símbolos, possuía uma economia planificada, ou seja, era de responsabilidade de um pequeno grupo de planejadores considerar todos as aspirações de uma união de soviéticos e dizer o que deveriam produzir, quem deveria, em quais quantidades e quem iria consumir. Não precisa dizer que não deu certo e o sistema implodiu.

Fossem privadas as propriedades pouparíamos milhões desse sofrimento. Por sinal, elas funcionam diametralmente contrário do que você pensa, servem para reduzir a concentração de poder, não aumentá-la.

Portanto, João, da próxima vez peça aos seus liderados que utilizem as foices e os garfos para trabalhar a terra, não em riste. Quem sabe encontrem um Locke no caminho.

Por fim, favor encaminhar a mensagem a todos do movimento.

Cordialmente,

Rodolfo Castro (Alfinet - F09) é Eng. Agrônomo, Fundador da fmk e ex morador da República Kangaço

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