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Buracos no Para Lama (Drepo F70)

12/01/2016 - Por eduardo pires castanho filho
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Pira fervilhava com as manifestações contra a ditadura, pelo menos para os envolvidos. República dividida. Alguns não queriam se envolver com sectarismos políticos.

Panfletagens eram uma das principais atividades juntamente com as pichações e colagem de cartazes. Para a panfletagem havia toda uma logística. Eram formados grupos de três que embarcavam num carro e iam pras portas de fábricas fazer a distribuição dos folhetos, impressos nos mimeógrafos (hoje isso chama- se "sampling").

A equipe tinha o motorista, o panfleteiro e o "de trás", o alimentador, que separava os panfletos, controlava sua quantidade e abastecia o panfleteiro. As ações tinham que ser rápidas porque a justa já estava de olho e os vigias das indústrias estavam instruídos a não permitir a atividade.

Numa dessas panfletagens, um colega, que nem era envolvido em política, emprestou seu carro para a ação. Acontece que esse carro não era um fusca anônimo. Era simplesmente o primeiro Corcel a fazer aparição em Pira. E, justo nesse dia a coisa não deu muito certo. Bem antes dos prazos planejados a equipe retornou. Haviam sido alvejados por três tiros disparados por um vigia "a serviço da burguesia" em uma das indústrias alvo da operação. Três furos nos para lamas do carro.

"Buta Bariu. E agora?"

Não dava pra deixar o carro na rua. Não era um fusca. A justa tinha a descrição da "viatura". Arrumou-se uma garagem para passar a noite e no dia seguinte de madrugada, lá se foi o nosso herói de rodas para uma outra cidade, aonde o carro foi arrumado,  tapando os furos das balas.

Essa foi por pouco e tirou o sono de alguns por algum tempo.

Eduardo Pires Castanho Filho (Drepo F70) Engenheiro Agrônomo, Ex morador da Republica do Pau Doce

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