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Buchada de Bode

28/09/2016 - Por marcio joão scaléa
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BUCHADA DE BODE

 

Boa parte do tempo do Pesquisador era dedicada a disseminar as técnicas e sistemas que revolucionaram a agricultura no Brasil, baseadas no plantio direto, método de plantio em que não se revolvia ou preparava o solo com implementos como arados e grades. E isso o levava a freqüentes viagens pelo Brasil, principalmente no centro oeste e ultimamente o nordeste.

 

Desta vez fora chamado a ministrar um curso de plantio direto em recente fronteira agrícola, no nordeste. Dia e meio de curso, auditório lotado, o resultado havia sido muito bom, segundo os organizadores, mas restavam alguns compromissos, visitando propriedades locais para avaliar as possibilidades na adoção do sistema, assim como sugerir alternativas no controle das ervas daninhas e na produção de palhada. A principal visita seria na fazenda de dois irmãos japoneses, excelentes agricultores e muito interessados em adotar o plantio direto.

 

Terminado o curso, logo após o almoço saíram na F-1000 do produtor, rumo à fazenda. No caminho, uma rápida passada numa casa na cidade próxima, onde o agricultor chamou uma senhora, conversou por alguns minutos com ela, voltando ao carro para seguir a viagem. A tarde toda foi de visitas às áreas, identificando ervas, dando recomendações para seu controle, tirando fotos, atendendo às necessidades do cliente, que parecia muito satisfeito com a visita. Fim de tarde, escurecendo, iniciou-se a volta, seriam pelo menos hora e meia até o hotel, para um banho e o jantar.

 

Ao passar pela cidade, o agricultor comentou que já era hora de jantar e que estava com fome, estacionando a F-1000 na frente da casa visitada à tarde, dizendo :

 

- Encomendei um jantar especial, típico da região, espero que você goste!

 

Casa muito simples, mas a mesa posta chamava a atenção pela limpeza e pela variedade de pimentas em conserva, alem da tradicional cachaça de alambique à disposição dos clientes, para "tirar o pó da goela", segundo a senhora. Tomado o aperitivo o anfitrião mandou servir o jantar : buchada de bode!!! Um calafrio percorreu a espinha do Pesquisador : não ia comer aquilo, pensou, podia até ser muito bom, mas não fazia parte de seu hábito alimentar. E tinha má aparência, com uma cor verde azulada como algo em decomposição, com um cheiro bem parecido com o cheiro de algo em decomposição. O espanto e a rejeição foram tão evidentes, que a cozinheira se apressou a esclarecer, trazendo outras terrinas para a mesa :

 

- Se o Doutor não comer buchada, não precisa se preocupar, pois daqui não vai sair com fome : alem da buchada tenho sarapatel, dobradinha e um franguinho caipira no molho.

 

O franguinho salvou a pátria, já que sarapatel e dobradinha também não eram dos pratos preferidos pelo Pesquisador. Mas dava gosto ver o japonês tomar uma golada de cachaça e se atracar na buchada, coberta com pimentas que o faziam suar como se estivesse num ofurô. Parecia que nem dava tempo da cerveja fazer efeito : nem bem era bebida e já saia como suor.

 

Da sutileza de um sushi para a extravagância de uma buchada, só o Brasil para abrigar tamanha diversidade.

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