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As dinâmicas recentes do rural brasileiro e os novos desafios para as políticas públicas

13/07/2020 - Por simone beatriz lima ranieri
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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O Grupo de Políticas Públicas (GPP - Esalq/USP), sob a coordenação do Prof. Dr. Durval Dourado Neto, traz uma análise territorial abrangente sobre algumas das principais dinâmicas ocorridas no meio rural brasileiro na última década, com base nos dados dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017. A análise faz parte de estudo desenvolvido no âmbito do Projeto de Cooperação Técnica Internacional para a Regionalização das Políticas de Desenvolvimento do Agronegócio e do Cooperativismo Brasileiros (PCT BRA/IICA/13/002), sob demanda da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), tendo a FEALQ como Agência Implementadora e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) como contratante.

O estudo mostra tendências importantes como o envelhecimento relativo da população rural, o aumento de renda proveniente de atividades desenvolvidas fora dos estabelecimentos, um processo de fragmentação de propriedades rurais com perda de função produtiva em regiões mais pobres do país, como o Nordeste, simultaneamente a um aumento de área das propriedades e concentração produtiva em regiões de agricultura consolidada (Sul e Centro-Oeste), com consequente aumento das desigualdades no campo.

Estas desigualdades, de acordo com o estudo, são resultantes de dinâmicas diversas, com destaque para duas principais: de um lado a verticalização produtiva e a inserção de produtores mais tecnificados em atividades que retornam maior valor agregado e, do outro, a redução drástica em custos e investimentos e adoção de atividades mais extensivas, cujos principais exemplos são a pecuária de corte e mista ou, em casos extremos, o abandono da atividade agropecuária e transformação do estabelecimento agropecuário em moradia rural.

O estudo também propõe uma nova estratificação de produtores rurais em perfis que fogem da divisão clássica entre agricultores familiares, médios e grandes, além de se aprofundar na compreensão das especificidades desses públicos em termos de renda, Valor Bruto de Produção (VBP), cadeias produtivas, eficiência técnica, acesso ao crédito rural, cooperativismo, entre outras análises. Esta abordagem, sempre pautada na dimensão territorial do rural brasileiro e utilizando técnicas como modelagem espacial, geoprocessamento e econometria, procura maior alinhamento à realidade contemporânea, a fim de fornecer aos gestores públicos base para proposições de políticas mais assertivas e regionalizadas. Um resumo das análises conduzidas neste estudo pode ser visto no site do GPP: https://www.gppesalq.agr.br/not%C3%ADcias/as-din%C3%A2micas-recentes-do-rural-brasileiro-e-os-novos-desafios-para-as-pol%C3%ADticas-p%C3%BAblicas

O GPP - Esalq/USP trabalha desde 2000 com análise territorial, avaliação, proposição e monitoramento de políticas públicas voltadas à agricultura e meio ambiente. Em 2016 o GPP foi formalizado e vinculado à diretoria da Esalq, com a missão de estabelecer uma interface mais sólida entre universidade, sociedade civil e poder público. Para mais detalhes acesse o site: https://www.gppesalq.agr.br/

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