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Aprendendo com Anitta (Alma; F97)

18/05/2020 - Por fernando de mesquita sampaio
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Ai meu Deus, lá vem a Anitta de novo falar do pum da vaca. Dessa vez em uma live com o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).

E é aquela onda de revolta no mundo Agro. Manifestações de repúdio, xingamentos no whatsapp, ânimos inflamados...

Que burra, dá zero pra ela! - como diria o Chaves.

Vou ser curto e grosso.

A live é dela, ela fala o que quiser. Não gostou faz a sua.

Ela falou bobagem sobre coisas que não entende? Falou. Eu também tenho muitos amigos que adoram dar palpite sobre coisas que não entendem também, de cinema a cloroquina.

Pessoalmente não tenho o menor interesse nela e em suas músicas que, confesso, dificilmente reconheceria.

E tenho convicção que suas opiniões não vão mover um milímetro o que produzimos, consumimos ou exportamos no Brasil.

Ah, mas ela vai influenciar as criancinhas.

Se esse é o problema, vamos lá.

Anitta não é burra. Saiu da favela e virou milionária.  E tem mais de 40 milhões de seguidores em redes sociais.

Esses 40 milhões de seguidores são um público que provavelmente sabe tão pouco sobre o Agro como ela.

O que ela e seus seguidores sabem são as notícias que lhes chegam pela mídia. Notícias de desmatamento, de ameaças ao clima, a povos indígenas e a conivência com a ilegalidade, a grilagem e o que há de pior nas fronteiras onde o Estado de Direito inexiste. 

E a mídia não separa o Agro do ruralismo tosco que viceja faceiro no Planalto Central no seio da atual caquistocracia brasileira. Sabem por quê? Porque nossas famosas lideranças do Agro nunca, nunca, nunca com raríssimas exceções, levantaram a voz contra o ruralismo tosco.  Eis aí a raiz de todo o nosso famoso "problema de comunicação". Um problema que atinge a Anitta e seus seguidores (que como eu disse não vão mudar em nada o que vendemos ou deixamos de vender). Mas um problema que é infinitamente mais grave quando bate, diariamente diga-se de passagem, à porta de nossos investidores, parceiros comerciais e concorrentes.

Preferimos continuar ignorando o problema principal, e pregando aos convertidos, gritando para nós mesmos como somos os maiores e melhores do mundo apesar dessa gente inútil que não produz nada.

Anitta não conhece o Agro.

 Anitta também não sabia nada de política.

Chamou a amiga Gabriela Prioli, advogada, professora, comentarista política e nova musa das redes sociais para uma conversa sobre política.

O resultado tá aqui https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/05/anitta-vem-descobrindo-o-que-e-esquerda-e-direita-e-agora-incomoda-brasilia.shtml

Mas o importante é que aprendendo sobre política Anitta faz com que seus milhões de jovens seguidores aprendam sobre política.

Se fossemos inteligentes, e não os indignados bipolares de sempre (que vão de vítimas injustiçadas do preconceito urbano a bastiões da pátria amada), usaríamos o poder de Anitta a nosso favor. Aprendam com tia Anitta: "Quem critica vive numa bolha e acha que todo mundo tem o mesmo acesso à informação." Se fossemos inteligentes, nossas lideranças fariam uma live com Anitta para explicar o que é Agro, e o que é o ruralismo tosco. E que o primeiro não precisa do segundo. E que o segundo fala que é o primeiro, mas é mentira.

Mas não tenho certeza se nossas lideranças sabem disso.

 

Fernando Sampaio (Alma F97), é Engenheiro Agrônomo e Ex Morador da República Lesma Lerda

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