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AKN 2 (Pinduca F68)

25/04/2016 - Por marcio joão scaléa
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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 A amizade entre o Administrador e AKN trouxera consigo um profundo respeito mútuo, inclusive profissional. Agora ambos trabalhavam na mesma multinacional e AKN faltou a um compromisso que assumira com o colega, que não entendeu o que acontecia. Dois dias depois foi procurado pelo AKN que lhe disse :

 

- Você é o primeiro a saber. Estou saindo da companhia, vou para o Mato Grosso administrar uma fazenda. Sábado não pude vir te encontrar pois o avião da fazenda veio me buscar para eu conhecer o lugar e as pessoas com quem vou trabalhar. O que você acha?

 

- Acho que você dá conta do recado. Meu medo é que o novo patrão é banqueiro, e não sendo do ramo, pode ser que não entenda os problemas a que uma atividade agrícola está sujeita, e daqui a pouco resolva parar com tudo, o que será muito ruim para você. Afinal, na empresa em que trabalhamos, teu futuro está garantido. Procure fazer um bom contrato, com uma multa bem alta para o caso de desistência deles.

 

- Boa idéia, vou fazer isso. E você, fique preparado, assim que puder venho te buscar, vou precisar de alguém de confiança.

 

Em catorze meses os dois se juntaram novamente, ambos trabalhando na maior fazenda de soja do mundo naquela época, trabalho duro e desgastante, mas incrivelmente gratificante. É indescritível a sensação de ver uma plantinha de soja rompendo o solo bruto ao germinar, acompanhar dia a dia o seu desenvolvimento, floração, fim de ciclo, até entrar com a colhedeira no campo já seco, e escutar o barulho do grão caindo no graneleiro da máquina :"tchac,tchac,tchac,tchac,tchac,tchac". É o milagre da vida que se repete e se afirma.

 

Vida que infelizmente continuava valendo muito pouco, o Administrador volta e meia concluía. Havia um médico, na cidade mais próxima da fazenda, para o qual AKN chamou a atenção do Administrador. Era raro o mês em que não apareciam de duas a três cirurgias feitas por ele em funcionários da fazenda. Até aí nada de muito errado, afinal eram centenas de funcionários, mais as famílias. Só que as cirurgias começaram a causar estranheza, pois o convalescente em um dia já saia do hospital, após cirurgias como de úlcera e de apêndice. Pior, começaram a aparecer cirurgias de úlcera do duodeno em mulheres, uma atrás da outra, quando se sabe que mulheres raramente são acometidas por este mal. Eram dois problemas : a cirurgia em si, pelo risco ao paciente, e o custo, que a fazenda acabava pagando e descontando em parcelas mensais dos funcionários. Havia tratoristas que tinham grande parte de seu salário comprometido com o pagamento de duas cirurgias, uma no marido e outra na esposa. Mas a gota d"água foi quando um dos pilotos da fazenda também teve o diagnóstico : úlcera no duodeno, graças às fortes dores no estômago principalmente de madrugada, após um longo período sem ingerir nada. Discutido o assunto, o consenso foi consultar outro médico, que pediu um exame de endoscopia para tirar as dúvidas. Como a endoscopia era um exame muito caro, o piloto tentou um médico do INSS para fazer o exame por conta do governo. Ao que o velho médico do INSS retrucou enfático :

 

- O senhor já fez um exame de fezes ? Essa dor pode ser causada por giárdias. Não posso autorizar uma endoscopia, exame caro, sem antes tirar essa dúvida.

Reclamações à parte, foi feito o exame de fezes, que acusou giárdias, que foram tratadas com giarlam, eficiente, baratíssimo e de baixo risco.

 

E o médico que operava a torto e a direito? Perdeu a "boquinha", pois o Administrador e AKN passaram a "receitar" giarlam para todos os que chegavam com o pedido de cirurgia, que acabavam melhorando, sendo a cirurgia esquecida.

 

Médicos!


Marcio Joao Scaléa (Pinduca F68) é Engenheiro Agrônomo ex morador da Republica Mosteiro

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