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A vez do BigData para o agro (Alfinet F09)

02/10/2015 - Por rodolfo tramontina de oliveira e castro
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Desde bacuri gosto de jogar xadrez. Meu pai que me introduziu ao jogo. Peão anda para frente, cavalo em “L”, roque. Do básico segui sozinho estudando. Aberturas, defesas, endgames e grão-mestres; onde conheci Garry Kasparov.

À época (97) seu nome era destaque em todo lugar. Não pelos seus 12 anos como campeão mundial, mas pela revanche com um supercomputador enxadrista criado pela IBM: o Deep Blue. Kasparov vencera a 1a por 4 a 2 um ano antes.

No novo desafio do “Homem versus Máquina” venceu Deep Blue. Fora a primeira vez (naquele nível) que um computador superava um homem. Nascia o BigData.

Em mineirês-caipira, BigData é um "monte de trem para ocê fazê outro trem mior”. Leia-se, um infinito de dados organizados que aprimoram a tomada de decisão. No exemplo acima, enquanto Kasparov pensava em 3-4 por segundo, Deep Blue calculava 200 milhões.

O BigData tornou-se um mantra para todas as empresas de tecnologia da informação. Quase como um pré-requisito para entrar no jogo. E num passado recente virou a menina dos olhos de empresas do agro. Felizmente, muitas delas atuando junto aos produtores.

Além dos mestrados em economia, administração, direito e contabilidade, o produtor rural ainda precisa dos títulos em agronomia, engenharia, zootecnia, meteorologia, química e biologia. Sendo diferenciais conhecimento em seguros, marketing, fluência em inglês e pacote Office.

É muita coisa para um pobre caipira.

Sistemas BigData vêm preencher essas lacunas empregando algoritmos (sequência de instruções) para responder a melhor época de plantio, a melhor semente, calcular a taxa de adubação variável e precisar o espaçamento. Além de monitorar o clima, pragas e desenvolvimento da planta. E, por fim, indicar o melhor dia para colheita de acordo com preço hedgeado no mercado futuro.

Muito futurista? Pois bem, apresento-lhes a FarmLogs, FBN e Agrylist.

A FarmLogs surgiu em 2012, em Michigan, com a missão de otimizar a gestão de propriedades agrícolas. Três anos e 15 milhões de funding depois permite a qualquer fazendeiro gerir sua propriedade, monitorar o clima e verificar onde estão os compradores mais próximos (e com os melhores preços). Seu modelo freemium abocanhou 20% das propriedades dos EUA, segundo a Forbes.

A Farmer Business Network (FBN) é a grande aposta do braço de investimento do Google no mercado agro. A rede aposta no BigData e benchmarking entre seus usuários para realizar análises independentes e facilitar a vida do produtor. “Receber consultoria de empresas de sementes é como perguntar para um farmacêutico se você deve ir no médico”, brinca o CEO da empresa.

Saindo de grandes quinhões de terra para estufas, a Agrylist objetiva controlar, via sensores e maquinário conectado a seus softwares, ambientes já “controlados”. A startup nova-iorquina recebeu na última semana prêmio de empresa com tecnologia mais disruptiva em competição da TechCrunch, site referência em tecnologia. Imagina a inovação destruidora no mercado de hortaliças, produção de mudas, shitake e reggae?

Um grande amigo sempre me lembra que tecnologia chega atrasada ao campo e por estar mais madura possibilita grandes incrementos. O BigData aplicado a produção é o próximo grande salto da porteira adentro.

Cheque.

Rodolfo Castro (Alfinet - F09) é Eng. Agrônomo, Fundador da fmk agro e exmorador da República Kangaço

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