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A ROTA ESTUARINA (Drepo F70)

20/07/2016 - Por eduardo pires castanho filho
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Corria o ano de 1985. As atividades do Governo Montoro estavam a todo vapor. No Paraná governava o Richa, que fazia uma bela dobradinha com o paulista. Além de Montoro e Richa, Tancredo em Minas e Brizola no Rio: se acreditava na democracia ainda que com uma boa dose de ingenuidade, ímpeto, voluntarismo- floresciam as questões ambiental e da participação.

A problemática do meio ambiente ganhava terreno e a as Secretarias de Agricultura dos dois Estados eram as pontas de lança na busca por políticas públicas efetivas para os problemas comuns.

Criou- se então uma comissão bi estadual para estudar e propor soluções para a região estuarina lagunar de Iguape- Cananéia- Paranaguá. Essa comissão, até o final das administrações em pauta, faria várias reuniões em Curitiba, Paranaguá e São Paulo, para estabelecer os planos de ação regional. Delas participavam os segundos escalões das secretarias envolvidas, que tinham autonomia para convocar outros órgãos públicos.

Houve uma primeira reunião em Curitiba, na qual por falta de planejamento e dinheiro a delegação paulista acabou se amontoando num quarto de hotel para dormir. Aí houve a primeira surpresa dado que um dos coordenadores da comissão pelo lado paulista (A-70), tinha um problema sério ao dormir: sofria duma apnéia das brabas. Acabou interrompendo o sono dos seus acompanhantes, interferindo nas reuniões do dia seguinte. Dentre os integrantes da comitiva havia um diretor de unidade que, voltando desacompanhado para o hotel, foi assaltado. Não querendo se desfazer de sua mochila ergueu o braço com toda força no queixo do assaltante fazendo com que mordesse a língua, provocando uma baita hemorragia. O problema foi que o meliante era "de menor" e a "agressão" se transformou num processo criminal, que durou anos, contra o representante paulista.

Regressando à São Paulo foi agendada uma nova viagem, desta vez com destino à Paranaguá, que exploraria o potencial turístico de uma rota aquática Iguape- Paranaguá por um canal interno, sem passar por mar aberto. Essa viagem foi feita no Tritão, uma lancha da Secretaria de Agricultura paulista, cabinada, com dois motores diesel e com capacidade para quinze pessoas. Reuniu- se uma delegação multi secretarial, com agricolões da F-67 até F- 85 entre outros profissionais, com o objetivo de analisar as várias facetas envolvidas como propriedade das áreas de conservação, invasão de terrenos, construções clandestinas, desmatamentos ilegais, poluição das águas, mineração irregular, as condições de navegabilidade, rotassalternativas.

A viagem partiu de Iguape, passou por Cananéia e prosseguiu pelo canal do Marujá. Na ponta da Ilha do Cardoso entrou- se para os meandros do estuário quando precisou assumir a condução do barco um caiçara local, já que o percurso era muito cheio de bancos de areia, que a todo o momento poderiam fazer a embarcação atolar. Essa parte da viagem demorou um tempo muito maior do que o previsto e o coordenador apnéico aproveitou para tirar um cochilo na cabine do barco.

A reunião em Paranaguá transcorreu normalmente, com alguns incidentes noturnos causados pelos distintivos de agentes federais portados pelos paulistas. No embarque para a volta a assistente do procurador de terras, que havia sido um dos componentes da comissão, ao tentar entrar na lancha escorregou e caiu no mar, provocando enorme alvoroço.

Salva a vítima e controlada a histeria partiu- se da volta para águas e terras paulistas arquivando até hoje o projeto da rota estuarina.

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