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A ansiedade te afeta direta ou indiretamente (Iskrépi; F-11)

08/06/2021 - Por luciana okazaki
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Caros bixos, colegas e doutores. Não imaginei a repercussão do meu causo, que contei no meu 1º artigo aqui no blog. Fiquei feliz e me senti amparada pelos que me procuraram pelas variadas redes sociais. Mas ao mesmo tempo me senti triste por me deparar com a quantidade de pessoas que vivem uma luta diária e velada de sofrimento e dor (dos mais variados tipos) em suas vidas. Acredito que debater esses assuntos – que saem um pouco da esfera do agro também seja importante. Pautas como saúde mental, emoções, busca de propósito, autoconhecimento e até espiritualidade (sem entrar no mérito das religiões, veja bem!).

 

O que quero trazer hoje é um tema muito mais comum do que se imagina: a ansiedade. Você vive isso direta ou indiretamente, pode apostar. No início da pandemia essa pauta foi muito debatida: quais seriam as consequência desse cenário pandêmico na psique da população. E agora pouco mais de um ano depois estamos observando realmente o que aconteceu e como a saúde mental das pessoas tem se deteriorado a cada dia.

 

Em 2020 o Brasil bateu um recorde mundial e se tornou o “país mais ansioso do mundo”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além desse marco, que de nada temos a nos orgulhar, um estudo feito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro-UERJ mostrou que os casos de crises de pânico dobraram nos dois primeiros meses da pandemia!

 

A ansiedade é algo inerentea todo ser humano. É um mecanismo de autopreservação que nos indica a possível presença de uma ameaça ou perigo iminente. Porém as vezes ela pode crescer desproporcionalmente e começar a causar impacto na nossa vida cotidiana. Podemos deixar de fazer uma atividade, pode alterar nossa rotina e até nos paralisar. E aí está o limite entre o considerado normal e saudável e o que já é considerado um distúrbio.

 

Durante alguns anos eu vivenciei sintomas que eu achava que eram “normais”. Era extremamente agitada, vivia com tensões musculares (principalmente ombro e cervical, como já contei), estava sempre irritada (quando todos a sua volta te irritam, na verdade há algo de muito errado com você!), dormia mal e tinha dores de cabeça constantes (quase que diariamente no fim do expediente). Ressalto aqui, meus caros e caras, não normalizem este tipo de situação! Quando algo não está bem e é necessário olhar!

 

Todos esses sintomas vêm numa pegada contínua e progressiva. Mas isso tudo pode tomar proporções dantescas e culminar numa crise de pânico, que nada mais é do que é a ansiedade  extrema e súbita. Uma crise de pânico geralmente tem duração de 10 a 30 minutos e se caracteriza por sintomas físicos muito claros: aumento da frequência respiratória (respiração ofegante), taquicardia, dor no peito, tremores, tontura, boca seca, enjôo/vômitos, perda de controle, sensação de que algo ruim vai acontecer, dormência nos membros, desrealização (você se desconecta do ambiente) e despersonalização (parece que você se torna observador de você mesmo). Nem todos aparecem todas as vezes, apenas listei os que já senti.

 

E o que fazer quando estamos muito ansiosos?

- respiração profunda: pode parecer bobo, mas isso é uma das etapas mais importante pra apagar o incêndio

- colocar atenção na ação: quando estamos na ação estamos no presente – você não faz uma ação no passado e nem no futuro

- fale e escreva sobre o que sente: identificar e acolher a dor é imprescindível e a ameniza

- ajuste o ambiente: coloque uma música calma, um incenso, ou algo que te relaxe

- desligue o celular!

 

E agora fica uma dica caso você se depare com alguém que está tendo uma crise de pânico (que foi o meu caso esse domingo na feira!):

- mantenha a sua calma: é muito importante para transmitir segurança e calma para a pessoa

- não demostre querer resolver aquilo rapidamente: sabe-se que uma crise dura poucos minutos e querer apressar as coisas não ajuda em nada

- não fique perguntando “o que você está sentindo?” - a pessoa já está obcecada por seus próprios sintomas, isso só piora o quadro

- ajude a pessoa lentamente a redirecionar a atenção a respiração: faça uma contagem em voz alta – “inspire em 3 tempos e expire em 4 tempos”

- jamais fale coisas como “não tem porque você ficar assim” ou “fique calmo”: a crise é incontrolável. Racionalmente a pessoa sabe que não há problemas, mas o cérebro não entende. E isso ainda pode aumentar a autocrítica e agravar ainda mais a crise

 

Com a crescente onda de distúrbios de ansiedade, você inevitavelmente sofrerá com isso ou então alguém muito próximo, do seu convívio, sofrerá. Por isso, disse no início do texto que a ansiedade te afeta direta ou indiretamente. Acho que isso deveria ser informação de utilidade pública. Teria me ajudado bastante se as pessoas que tiveram que lidar comigo nos meus dark times soubesse disso. Repassem o texto, se for pertinente. Quanto mais informados estamos, mais podemos ajudar e fazer a diferença.

 

Luciana Okazaki (Iskrépi; F-11) ex-moradora da República Cupido, é engenheira agrônoma buscando viver seu propósito como Terapeuta Integrativa

 

Quer descobrir mais sobre a minha Jornada de Autoconhecimento? Veja outros insights sobre meu ano sabático, transição de carreira e como viver uma vida mais leve no meu Instagram @luciana.okazaki

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