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Nematoide: a praga que custa R$ 35 bilhões ao agronegócio brasileiro

16/10/2015 - Por
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Os avanços da ciência e da tecnologia
dedicados ao agronegócio nas últimas décadas permitiram que o setor chegasse a
patamares inéditos, batendo recordes de produtividade ano a ano. O forte
investimento da indústria em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e
ferramentas tem sido crucial para ajudar os agricultores a enfrentar os
problemas existentes no campo, como adversidades climáticas e, principalmente,
a presença de pragas e doenças que atacam as culturas brasileiras.



Apesar dos progressos, a propagação
da lagarta Helicoverpa armigera em
escala nacional desde a safra 2012/13 e o alto índice de ferrugem asiática da
soja, por exemplo, representam perdas anuais para o agronegócio equivalentes a
R$ 8 bilhões e R$ 4,7 bilhões, respectivamente, segundo pesquisas recentes da
Embrapa e da Aprosoja. É indiscutível que esses números simbolizam um prejuízo
enorme para o setor e que os órgãos públicos e privados devem concentrar todas
as medidas necessárias para minimizar esse impacto, mas os mesmos levantamentos
das duas entidades também apontam danos ainda mais alarmantes de R$ 35 bilhões
por ano, provocados por um parasita ainda desconhecido por muitos produtores e
que não tem recebido a importância devida: o nematoide.



Ao contrário da fácil percepção que
se pode ter com a presença de outras pragas nas lavouras, os nematoides são
invisíveis a olho nu e vivem no solo se alimentando dos nutrientes nas raízes
das plantas, o que leva ao crescimento deficiente da planta e até o descarte ou
perda da produção, como acontece com 30% a 40% do cultivo de cenoura, goiaba e
pimenta-do-reino, por exemplo. Para se ter uma ideia melhor do estrago que são
capazes de causar na agricultura nacional, as perdas de produção somente de
soja são estimadas em R$ 16,2 bilhões, de acordo com dados atuais da Sociedade
Brasileira de Nematologia (SBN).



Os nematoides no Brasil estão
disseminados em extensa área geográfica e uma das causas para essa ampla
distribuição está no trânsito de máquinas e implementos agrícolas, como
caminhões de soja, plantadeiras e colheitadeiras. Ao se mobilizarem de uma
propriedade para outra, sem perceber, as máquinas dão “carona” para esses
patógenos que se hospedam em novas áreas rurais ou se acumulam nas beiras de
estrada. Como reflexo desse cenário, 98% dos solos do Mato Grosso apresentam
evidências de nematoides em praticamente todas as culturas do estado, e o
problema chegou a tal ponto que agricultores da região e do Tocantins tiveram que
abandonar terras que se tornaram improdutivas com a infestação.



Para controlar ou amenizar esses
ataques, temos como solução o desenvolvimento de variedades resistentes que auxiliam
na redução populacional de alguns tipos específicos de nematoides, pois hoje há
um esforço para mapeá-los, mas a eliminação é praticamente impossível. Outra
saída é incentivar os produtores a praticar o Manejo Integrado de Pragas (MIP),
estratégia de controle ecológico que passa por tratamento clínico, rotação de
culturas com plantas não hospedeiras e redutoras populacionais da praga e
cultivo de variedades diversas de soja.



Mas esse quadro só será revertido se
houver uma discussão agronômica que nunca existiu no Brasil sobre o assunto,
apesar de contarmos com os melhores nematologistas do mundo. Diante de todos
esses fatores, as lideranças políticas, regulatórias e ambientais do setor
precisam urgentemente priorizar o tema e agilizar a entrada de novos produtos no
mercado, uma vez que as opções disponíveis atualmente para fazer esse trabalho
são ineficazes e apresentam alto grau de toxicidade para os agricultores e o
meio ambiente. É nosso papel evitar que uma praga tão pequena continue causando
um rombo na agricultura brasileira.



 Andressa Machado



Nematologista - Pesquisadora do Iapar
(Instituto Agronômico do Paraná)





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