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Nematoide: a praga que contamina os diferentes solos brasileiros

16/07/2016 - Por
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Nematoide:
a praga que contamina os diferentes solos brasileiros



 



Andressa C. Z. Machado



José Mauro Cunha e Castro



 



No atual cenário da agricultura
brasileira, diversas pragas causam prejuízos imensos às lavouras de todas as
culturas existentes em território nacional. Uma das principais é o nematoide,
que causou, nas últimas safras, perdas de mais de 50% de produtividade em
algumas culturas. Alguns fatores são determinantes para a proliferação deste
problema, como a falta de cuidados na limpeza dos maquinários, a prática da
monocultura e a utilização de produtos com os mesmos mecanismos de ação durante
vários anos.



 



Atualmente, o maior problema relacionado
aos nematoides está no Cerrado. Porém, nenhuma região, solo, clima ou cultura
está livre da incidência desta praga. Em países vizinhos, como na Argentina e no
Paraguai, também foi identificado o aumento da população de diversas espécies,
assim como em locais de temperaturas mais amenas, como no do Rio Grande do Sul.



 



Tal cenário indica que nenhum produtor está a salvo
desta praga, uma das mais comuns e impactantes da agricultura brasileira, e que
causa perdas expressivas na produção agrícola. Na
última safra, pesquisas realizadas pelo Instituto Agronômico do Paraná nos
estados da região Sul e no Mato Grosso do Sul, identificaram que, dentre as
duas mil amostras de solo coletadas, além dos nematoides mais importantes e
sempre presentes, cerca de 90% apresentaram a incidência de duas espécies de
nematoides ainda não conhecidas pelo produtor, mas que já estavam sendo monitoradas
nas lavouras por pesquisadores da área há quatro ou cinco anos.



 



Na outra extremidade do País, a equipe
de nematologia da Embrapa Semiárido está trabalhando no desenvolvimento de
porta-enxerto resistente visando o controle do nematoide-das-galhas na
goiabeira, cultura de grande relevância para a região e que vem sendo
fortemente prejudicada. Os danos causados por nematoides nas culturas da aceroleira
e do coqueiro também são relevantes. Por isso, além da goiabeira, a instituição
também mantém pesquisas para o desenvolvimento de porta-enxerto específico para
a aceroleira e para o manejo do anel-vermelho do coqueiro.



 



A última edição do Congresso Brasileiro
de Nematologia, realizada em junho na cidade de Petrolina (PE), debateu vários assuntos
relacionados ao manejo de nematoides, apresentando tendências e soluções para a
redução do impacto desses agentes em importantes culturas. Um desses assuntos
foi a
legislação
para regulamentar o uso de novos nematicidas, além de ferramentas biológicas e
culturais aplicadas ao manejo de nematoides nos sistemas produtivos.



 



Apesar do avanço nas pesquisas
desenvolvidas e dos debates promovidos pelos mais importantes órgãos
agronômicos, institutos e universidades brasileiros, é importante e necessária a
conscientização sobre o problema. Os produtores precisam se atentar para os
sintomas e reagir com práticas de prevenção e manejo integrado dos nematoides
em todo o ciclo de cultivo. Em casos mais extremos, em que a área esteja
inviabilizada para a implantação de alguns cultivos, precisamos de soluções que
não tenham apenas o efeito nematostático, mas que sejam nematicidas reais e que
respeitem o meio ambiente, em especial o solo e a água. Só assim, vamos
conseguir conviver com os nematoides, reduzindo perdas significativas na
produção e na rentabilidade das atividades agrícolas do Brasil e do mundo.



 



Andressa C. Z. Machado é Engenheira-Agrônoma,
Pós-Doutora em Nematologia e pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná
(IAPAR).



 



José Mauro Cunha e Castro é Engenheiro-Agrônomo, Doutor em Ciência em
Nematologia e pesquisador da Embrapa Semiárido.



 





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