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Impacto Econômico do Coronavírus

24/03/2020 - Por
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Recentemente, muito se fala sobre o impacto do Coronavírus dentro da economia, inclusive no Brasil. O Dólar batendo recordes operando em alta, a bolsa de valores despencando um dia após o outro e os países incertos sobre seus cenários econômicos. Então, qual é exatamente a influência deste vírus em tais fatores?



CORONAVÍRUS



Primeiramente, o Coronavírus é o nome de uma família de vírus que capaz de causar, principalmente, infecções respiratórias e outras doenças. Tal família é conhecida desde 1960, de forma geral afetando morcegos e roedores. Porém os vírus sofrem mutações espontâneas, passando, assim, a infectar também pessoas que entram em contato com esses animais.



Segundo o G1 (2020), a doença causada pelo novo Coronavírus foi descoberta em dezembro de 2019 em uma província da China, sendo nomeada de Covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no último dia 11 (quarta-feira) um cenário de pandemia mundial (momento em que uma doença se propaga por múltiplos continentes, mantendo uma transmissão contínua entre as pessoas) para o vírus.



ECONOMIA GLOBAL



Sendo assim, fica claro a influência que a propagação desta doença exerce no mundo, e não seria diferente nos agentes econômicos. De acordo com a IstoÉ (2020), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu sua previsão de crescimento no mundo, de 2,9% a 2,4%, fazendo um alerta para um cenário ainda pior, resultando em uma grande crise econômica em caso de agravamento da pandemia. Desde a crise de 2008, as bolsas de valores sofreram as piores quedas nesta semana.



A principal causa para isso é o pânico instaurado entre os investidores pelos temores em relação à incerteza dos cenários econômicos. Apenas este fator de incerteza, segundo a UOL (2019), deve custar US$ 1 trilhão (R$ 4,7 trilhões) à economia global em 2020, pela previsão da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).



O mercado acionário sempre tenta prever as consequências dos acontecimentos, com o Covid-19 sendo de fácil contaminação, os governos tendem a restringir a circulação, principalmente de pessoas, fator que pode desacelerar a economia. Dessa maneira, os investidores tentam se proteger destas quedas vendendo suas ações, o que faz com que os preços caiam.



Algumas fábricas, principalmente as chinesas, pararam suas atividades para a contenção da doença, causando uma desaceleração industrial e diminuição da quantidade de salários. Algumas áreas econômicas sofreram ainda mais, como é o caso das companhias áreas que estão sendo diretamente afetadas pela proibição da circulação de pessoas.



Além disso, a China, epicentro do Covid-19, possui a segunda maior economia do mundo, mantendo relações comerciais com diversos países. O país é um grande consumidor de commodities, como petróleo e minério de ferro. Ainda de acordo com a UOL (2019), com a economia chinesa crescendo menos, a demanda por esses produtos deve diminuir, fazendo com que os preços despenquem.



Em outros países, o efeito cascata também é recorrente, causando queda de preços de forma generalizada, diminuindo as atividades econômicas, afetando as exportações e importações, os salários e as trocas comerciais como um todo. Esses fatores exemplificam o forte impacto do Coronavírus na economia global.



ECONOMIA BRASILEIRA



O Brasil também está sentindo as influências da doença em seu mercado financeiro, quinta-feira (12) em torno das 14h30, o Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) caía 14,52%, aos 72.806,19 pontos. Isso após duas interrupções acionárias neste mesmo dia, fator chamado de "circuit breaker", mecanismo automático que interrompe os negócios temporariamente em casos de grande instabilidade no mercado, conforme a UOL (2020). A segunda interrupção de quinta-feira foi a quarta ocorrida nesta semana.



Já o dólar comercial, também na quinta-feira (12), se manteve em alta de 2,54%, a R$ 4,841 na venda, após subir mais de 6% por volta das 9h e superar a marca de R$ 5,00 pela primeira vez na história. O dólar turismo, utilizado para viagens, operava em valores ainda maiores, chegando a ser vendido por R$ 5,40.



Somado a esses fatores, algumas empresas e indústrias brasileiras também suspenderam temporiamente suas atividades. A LG, Samsung e Motorola são exemplos que pararam suas produções por falta de componentes eletrônicos que deveriam ter vindo da China.



A desaceleração chinesa também tem impacto direto nas exportações brasileiras, que estão sofrendo com a queda de preço das commodities. Segundo o G1 (2020), a soja representa cerca de 30% de tudo o que o Brasil exporta para a China, seguido de petróleo (24%) e minério de ferro (21%). Especificamente, o petróleo teve seu valor recuado para US$ 30, mínima que não era atingida desde 2016. A queda do preço do petróleo é resultado da guerra de preços entre Rússia e outros países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).  Essa queda também contribuiu muito pela desaceleração do mercado financeiro e da economia brasileira.



Autor:



Alana Carleto.



ADECA Agronegócios.



 



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