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Aqui é o meu país (Vavá, F66)

05/04/2017


Aqui é o meu país

(Evaristo Marzabal Neves - Leitura no Pequeno Expediente da Congregação de 25/08/11- aposentadoria)

 

Ao longo da gestão como diretor da ESALQ (01/1995 a 01/1999) participei de diversas comissões assessoras do Conselho Universitário e da Reitoria. Foi enriquecedor o aprendizado como membro titular da CAA (Comissão de Atividades Acadêmicas), da CPA (Comissão Permanente de Avaliação), composta pelos membros da CAA e CERT, fortemente envolvida com a avaliação departamental (cerca de 150 departamentos no período) e sua reestruturação no plano “Repensar USP” e, ainda, a efetiva e constante participação nos colegiados, que permitiu estabelecer uma visão sistêmica da USP e de seu funcionamento. Sempre como membro titular, desempenhei essas funções por 3 anos, 1995 a 1997, na gestão do Reitor Prof. Flavio Fava de Moraes e, por 1 ano – 1998, na do Prof. Jacques Marcovitch.

Este envolvimento com a administração da USP favorecia convite para atuar em comissões auxiliares à Reitoria ao deixar a Diretoria da ESALQ. Neste sentido em 12/01/1999 escrevi uma carta ao Magnífico Reitor em que no penúltimo parágrafo registrava: “Prof. Jacques, tenho a plena consciência do que é uma Universidade Cidadã e do que é ser cidadão e nada me amedronta em sê-lo e, na minha área de ação, sei onde praticar. É diante de dezenas de cabeças juvenis que eu quero fazer escola nestes 2 anos que me faltam para completar 35 anos de serviço e beirar os 60 anos que completarei no centenário da ESALQ (2001). Aqui é o meu lugar”. Este “Aqui é o meu lugar” foi uma lembrança da musica “Meu país” de Ivan Lins.


Não me aposentei em 2001 só o fazendo agora (publicação no DO em 05/08 passado) por contingência da aposentadoria compulsória, 12,5 anos depois da carta, completando 70 anos neste agosto. Se dependesse de mim não me aposentava. Prova disto encontra-se em meu processo junto à USP, declaração de renuncia de direitos em relação à licença-prêmio perfazendo um total de 350 dias não gozados, e Oficio Codage/CIRC/009/2011 de 25/03/2011 em que assinei “Termo de Opção para cumprimento de mandato eletivo após aposentadoria” devido minha posição de suplência de chefia de Depto, membro titular da Congregação e de outras comissões. Outro registro relevante é que foi contabilizado como dias de aposentadoria junto a USP 45 anos, 5 meses e 26 dias (completaria 45,5 anos em 09/08).


Antes de finalizar e evocar Ivan Lins como naquele 12/01/1999, que revela e expressa minha paixão por nossa ESALQ e, principalmente, pelos jovens no papel de educador e orientador, prova evidente de um filho DE Luiz de Queiroz, tenho ciência de minhas limitações e confesso que tive acertos e erros nesta trajetória docente de 37 anos, pois como humano não sou infalível, mas persegui sempre me envolver e me comprometer com a missão educacional de nossa Escola. Não me sinto ainda realizado; daí, pedir permissão de uso. Em meu julgamento, ainda não é tempo de me considerar dispensável.


Agradeço do fundo do coração a todos com quem convivi ao longo de minha trajetória na ESALQ desde o distante 1974. Aprendi muito com meus superiores e professores, com meus colegas e funcionários não docentes e com nossos alunos. Auxiliaram e muito no meu crescimento profissional e como cidadão da USP.


Permaneço enquanto a ESALQ achar que sou útil e contribuindo para seu engrandecimento e enquanto me achar útil. Nada posso prever sobre meu futuro, mas isto delego a Deus.

Concluindo: pode parecer ingênuo e infantil, mas vou tocando a vida cantarolando uma revelação intima de quem chegou numa boa aos 70 anos e aposentado, marca registrada desde o dia daquela carta de 12/01/1999. Portanto, mais uma vez, evocando Ivan Lins vou pinçando e vivenciando neste nosso ambiente educacional, trechos de sua canção:

Aqui é o meu país

Nos seios de minha amada (ESALQ)

Nas trilhas, estradas e veias que vão

Do céu ao coração

Aqui é o meu país

Me diz, me diz

Como ser feliz em outro lugar

Aqui é o meu país






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